Indiferença

Um dos sentimentos que mais me aborrecem e que menos gosto de ter é aquela sensação de deixar de admirar alguém… Quando algo se quebra, se apaga. Você olha a pessoa e simplesmente não consegue mais sentir aquele encantamento anterior. Ela simplesmente não te diz mais nada. Saiu do patamar e pessoas especiais e caiu naquele de mais uma pessoa do seu cotidiano.
Eu tento respeitar todos ao meu redor, mesmo que sejam pessoas das quais eu não goste pessoalmente, porque não conheço todas as suas lutas mas sei que estas lutas existem, assim como existem pra mim. Mas admirar, são poucas, não é mesmo?
Alumas por sua postura, outras por seu empenho, inteligência… Admiro pessoas nas quais me espelho…
E, de repetente, sentir que aquela ou aquelas pessoas que você admirava não são dignas do seu sentimento deixa a gente um pouco vazio por dentro. Faz a gente repensar em quem devemos colocar nossos esforços e quem realmente vale nossa atenção. É um eterno recomeço e aprendizado. Colocar nossa energia somente onde ela é necessário e não perder nosso tempo e sentimento com pessoas tão voltadas a si mesmo.
Isso é uma coisa que a gente precisa ter em mente. Não se trata de dosar expectativas, se trata de saber que se não te atribuem o valor que você merece, também não são dignos de serem valorizados por você.
Precisamos saber nosso lugar, ao que pertencemos e aí sim dosar o que oferecemos a quem não compartilha disso tudo com a gente.

Raquel Núbia

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Imagem: tumblr
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Ao amor da minha vida

Eu nunca fui de pensar muito em você… Sendo sincera, até pouco tempo eu pensava quase nada, nem reservei momentos para te planejar.
Em algumas situações me senti cobrada de forma velada por essa posição e um pouco diferente e sem lugar.
Eu tive certeza de que viveria minha vida sem você.
Certa vez achei que tudo tinha mudado, naquela hora eu falei de você, eu pensei em como seria te ter e por um breve, breve momento eu te quis.
Mas aquilo passou num piscar de olhos e quando olhei pra trás percebi que não te ter foi a melhor coisa que me aconteceu. Não era o tempo. Se tivesse sido, tudo seria diferente.
Novamente achei que não aconteceria mais, que você havia sido uma alternativa momentânea para salvar algo que não podia ser salvo, mas o tempo passou e cá estou eu pensando em você. E hoje penso mais que nunca!
Hoje eu sinto que te quero e desejo da maneira certa, com o sentimento certo.
Hoje eu te planejo como uma realidade, como alguém que eu quero nos meus dias e noites, que eu desejo apesar de tudo.
Você já está nos pequenos detalhes, nas concessões temporárias e talvez definitivas.
Eu penso em você todos os dias. Em alguns dias a todo instante, em outros por um breve segundo, mas sempre.
Eu não te conheço mas, você já existe!
Eu não te conheço mas já consigo sentir até o seu cheiro!
Eu tenho amado a ideia de ter você na minha vida mas sei que, quando você chegar eu vou te amar ainda mais.
Mal posso esperar para ter nos meus braços a pessoa que mais vou amar nessa vida.

Raquel Núbia

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Foto: Leandro Oliveira – (Fiz esse texto quando ainda não estava grávida, hoje são 03 meses e meio, e contando… ❤ )

 

Dejavu

Hoje acordei com cara e gosto de ontem…
Sabe quando parece que o dia guarda um monte de coisa, mas na verdade essas coisas todas já aconteceram lá no passado? Uma viagem, um passeio, qualquer atividade… Não sei explicar direito, mas estou com essa sensação desde ontem a tardinha e hoje ela permaneceu.
Não sei se é o fato do sol estar entrando frio pela varanda da sala, com esse ventinho que lembra a gente que apesar do céu azul, o que domina é o tempo frio e tempo frio já sabe, né?
Dias claros me transportam, pequenos momentos me transportam… Conversas…
Realmente creio que não estou sabendo me fazer entender, mas precisava dizer, depois de meses sem escrever por aqui (e em qualquer outro lugar), hoje até essa vontade apareceu latente.
Enfim.
Acho que é comum esse tipo de sentimento. Não chega a ser uma nostalgia, é apenas como se o dia estivesse se repetindo, mas não está. É como se você acordasse em um dia do passado, com as mesmas características de outra época que você viveu, só que ao invés de fazer o que você fazia, você fará novas coisas, bem diferentes do que te trouxe a memória.
A vida passa. Muita coisa muda. As pessoas seguem seus caminhos de acordo com suas prioridades e não é preciso se comparar para saber se está bem ou satisfeito com o que se tem, pois cada um busca aquilo que acredita ser melhor para si e nem sempre esses interesses colidem entre as pessoas. Talvez por isso mudamos nossas companhias e quem queremos do nosso lado, pois buscamos aqueles que compartilham dos nossos desejos e nos ajudam a alcançá-los.
O dia pode ter acordado com sensação de passado, mas é o presente e o futuro que me guarda os maiores e melhores dias.

Raquel Núbia

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Foto. Raquel Núbia. Tiradentes/MG

O sorriso da lua

Hoje o céu trouxe uma lua
Que sorriu pra mim…
Lá de longe ela me olhava
No breu de imensidão sem fim.

Essa lua, ali sorrindo
Quase me desafiava,
Pois no dia já vivido
A alegria não estava.

Aquela lua, testemunha…
Entre perdidos e achados.
Viu que quando eu fiz planos,
O universo jogou os dados.

Ela que antes era grande,
Num sorriso se reduziu.
Quase ao mesmo tempo
Em que o meu sorriso sumiu.

Lua de sorriso maroto…
De tamanha ironia,
Mostra sua alegria à noite,
Mas some na realidade do raiar o dia.

Raquel Núbia

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Foto: Arthur Venuto – Instagram @arthur_venuto

“Ponto&Vírgula” – Post 09

Quando a alegria é sintoma: relato de uma ciclotímica

Coisa mais maravilhosa estar feliz, bem humorada e com aquela disposição para fazer tudo o que se planejou por dias, tudo o que sua mente pensou, repensou e programou, mas que você ainda não tinha conseguido tirar de dentro do mundo dos pensamentos. Afinal, depois de algum tempo sentindo o cansaço e o desânimo do mundo todo repousado sobre os ombros, um dia de céu azul é sempre muito bem vindo.
Você se lembra se ficar feliz por estar alegre?
Ou somente vive seus momentos felizes habitualmente?
Aqui cabe um parêntese:

Quando digo “momentos felizes” não estou me referindo a realização de algo ou a comemoração de alguma vitória. Não. Estou me referendo aquele momento em que você consegue interagir com as pessoas ao seu redor, expressar suas opiniões com interesse, ter leveza para falar do que é importante, desfrutar do que é superficial… Aquele momento em que você pensa e consegue traduzir em ação, sem grande esforço, apenas porque é natural e você tem energia para isso.

Pois bem… Eu preciso me lembrar de me sentir feliz por estar alegre, simplesmente porque, dentro da Ciclotimia, a alegria é instável, rara e sem motivo:
– Instável: Assim como chega, vai embora;
– Rara: Nem tudo ou quase nada é fonte de alegria. Geralmente a vida transita em tons de cinza (sem trocadilho), porque nada é preto e nada é branco, apenas um meio termo quase constante.
Mas então você lê tudo isso e diz a si mesmo que isso é normal e que a maioria das pessoas vive e sente assim… E eu apresento o terceiro item:
– Sem motivo: Cada oscilação não vem acompanhada de um motivo. A alegria apenas existe. A tristeza apenas existe. Em alguns momentos a circunstância deveria ser de felicidade intensa, mas não é. Em outros, deveria ser de grande tristeza, mas não é. Existem ainda os momentos em que não se sente nada.
Vale ressaltar que essa oscilação é uma dançarina que baila várias músicas, ou seja, ela não vai só no ritmo da alegria e da tristeza… Ela dança os ritmos da positividade, desânimo, satisfação, negatividade… Uma mistura de ritmos… Oscila em todos os campos…
A quantidade de pressão que uma pessoa ciclotímica precisa administrar é considerável, pois enquanto você lida com todas essas questões que citei acima, quem está de fora te enxerga, geralmente, como uma pessoa temperamental, mal humorada… “Ontem tava mil amores e hoje não tá nem conversando”… Mal sabem todos eles o quanto é custoso manter tudo no equilíbrio e esse custo nem sempre permite uma interação de qualidade, por vezes não permite interação alguma!
Fora tudo isso, ainda há a questão do diagnóstico. Difícil diagnóstico…
Muitas vezes o foco do tratamento são os episódios depressivos, assim quando caímos no mar de sintomas que a depressão traz, todo o foco é voltado pra isso. Quando os sintomas depressivos passam e a “alegria” volta, entende-se que o episódio cessou e nós melhoramos. Fazemos o desmame dos remédios, vamos espaçando as sessões de terapia. Recebemos alta do tratamento.
Passa o tempo e acontece tudo de novo. Impossível não me questionar o que eu estava fazendo de errado. Onde estava errando. O que estava jogando para o mundo que o universo estava me devolvendo de tal forma? 3 grandes crises em um espaço de alguns anos. Crises realmente devastadoras, afastamento da faculdade, depois afastamento do emprego, relacionamentos correndo riscos, sofrimento individual e familiar sem tamanho, investimento financeiro assombroso com médicos e medicamentos, um total apagão na vida social e mental… Caos.
Em um consultório já velho conhecido, contemplo a face do meu médico me encarando novamente, com os mesmos sintomas, desta vez mais agudos. A sombra do seu rosto mostrava claramente o que sua mente pensava: “O que mais posso fazer para tratar uma depressão que sempre volta? ”.
Quando ele me disse que iria me encaminhar para outro profissional, a fresta de luz que eu guardava pelo transferência e confiança que sentia naquele homem, se apagou.
Outro profissional? Eu devia ser mesmo um caso sem solução. Se ele não sabia o que fazer, quem saberia?
A justificativa foi simples. Ele havia esgotado toda terapêutica que tinha em mãos e o sobrinho, médico psiquiatra, formado mais recentemente, teria à disposição novas linhas de tratamento para recorrer.
De frente a esse novo médico, fizemos a primeira tentativa e nada. Nenhuma melhora. Pra ser sincera, houve uma sensível piora. De frente com ele novamente, ele me pediu para repassar todo meu históric, desde o primeiro episódio, desta vez, pontuando as datas.
Quando finalizei ele apenas se recostou na cadeira, suspirou um pouco e disse que havia um padrão de tempo entre os fatos que eu narrava e esse padrão era determinante para confirmar o diagnóstico que ele suspeitava: Ciclotimia.

“A ciclotimia também conhecida como transtorno ciclotímico é uma perturbação do foro mental. É uma forma leve do transtorno bipolar, em que uma pessoa tem alterações de humor ao longo de um período dos anos que vão de depressão leve às altas posições emocionais. ” (Acho incrível a definição de “leve” nesse contexto, pois pra quem carrega o transtorno ele é bem pesado…).

De tudo o que ele me explicou, meu foco foi diretamente na parte em que ele dizia que a pessoa ciclotímica tem períodos de depressão, que eu bem já conhecia, e períodos de euforia, em que se sentia bem, disposta, por assim dizer, feliz.
Então era isso?!
Quando todos achavam que eu melhorava, inclusive eu, não era bem isso, a melhora não era melhora, pois a “felicidade” era um sintoma.
Claro que existem pormenores de diferenciação entre “felicidade” e “euforia”, entretanto, sentada ali, do lado de cá da mesa, na cadeira no paciente, minha visão era essa.
Desse dia pra frente foram ajustes e mais ajustes… Já de posse de um diagnóstico fechado foi mais fácil definir a medicação correta (comprimidinhos mágicos também conhecidos como bolas de demolição que te levam no chão pra somente depois te permitir erguer algo novo, novamente) e alinhar a terapia, já em curso.
Meses passaram e novamente saí da crise depressiva, a segunda pior de todas (sim, houve uma ainda pior e a falta de conhecimento e diagnóstico correto contribuíram para um período de quase 12 meses em fase depressiva profunda, acompanhada por uma síndrome do pânico incapacitante que congelaram quase totalmente minha vida por um ano). E todo o processo, desmame da medicação -> abstinência -> volta com a medicação -> redução de medicação -> desmame -> volta dos sintomas -> medicação -> desmame, se fez necessário. Três tentativas antes de conseguir o desmame total dos remédios e mais alguns meses de terapia.
Tive alta. Aleluia!
Apesar de ser uma alta relativa, pois o transtorno ciclotímico não tem cura, mas tem controle e, nesse cenário, a terapia tem um papel determinante na minha saúde mental e física, afinal, saber quais são meus sintomas e quais são seus gatilhos, é fundamental para identificar situações de risco e agir preventivamente. Me conhecer melhor foi, sem sombra de dúvidas, meu melhor remédio.
Sobretudo porque nossa mente é potente e, quando negamos sua fala, ela encontra um jeito de gritar. Seja por uma alergia, prurido constante nos olhos, infecções constantes, dores musculares, a somatização cumpre seu papel com excelência!
Já tentei mapear as oscilações de humor para tentar identificar um padrão, até mesmo suspendi o uso da pílula anticoncepcional para levar o mínimo a interferência hormonal nessas variações (frisando que não há comprovação da eficácia dessa decisão e que ela foi totalmente individual). Mesmo com as tentativas, foi em vão.
Obviamente, hoje já consigo saber claramente quais as situações tiram minha paz interior e para a grande maioria delas, tenho ferramentas muito eficientes para usar.
Para as situações com as quais ainda não tenho o que é necessário para transpor, me afasto. Saber a hora de se afastar do que ou quem tira sua energia não é egoísmo, é amor próprio. A gente precisa ser prioridade na nossa própria vida.
Foi necessária uma grande mudança na minha percepção do que ocorre ao meu redor (mudança que recomendo a todos!), pois o meu foco precisa ser mantido no que é positivo, em toda e qualquer situação.
Não posso me dar à chance de me apegar ao que é negativo, pois esse caminho, que para tantos é simples de trilhar, pra mim pode ser uma nova estrada sem volta. Não ficar nesse lugar comum da depressão não é fácil, acreditem, ela existe, é real e poderosa e por mais que nos faça sofrer e desejar não mais existir, ela me prende como uma área movediça, quanto mais me mexo, mais me afundo. É uma luta diária. Sem folga. Sem descanso. Basta uma pequena abertura e, pronto! Tchau bom humor, oi desânimo.
E não se enganem, é questão de pouco pra que isso aconteça, infelizmente.
Nisso tudo, sempre que acordo com o humor elevado, que consigo vencer o dia mantendo um fluxo normal e que, no próximo dia, consigo repetir tudo de novo, me lembro de ficar feliz por estar alegre.
Nessas interseções, onde um sintoma se cruza com outro, é necessário ser grata quando, apesar de estarem tão perto, o lado que puxa pra baixo, deixa de fazer tanta força e permite ao lado que puxa pra cima vencer, ainda que temporariamente. É necessário empregar toda a energia momentânea nos projetos e desejos que ficaram dormentes, a fim de realizar o máximo que puder, pois é sabido que esse sintoma disfarçado de alegria, vai passar. E vai voltar… E vai passar novamente.
O ser humano é um infinito. E como na Teoria do Iceberg, de Ernest Hemingway, o que absorvemos de uma pessoa, é apenas uma pequena parte que podemos observar, que está na superfície, o restante absorvemos de forma inconsciente, “sem perceber”. Nunca conseguimos ter acesso a um indivíduo em sua totalidade e precisamos ter sempre isso em mente antes de esboçar alguma “opinião” ou julgamento sobre quem quer que seja.
É o famoso quem vê cara não vê coração.
Quem vê sorriso, não vê as lutas diárias.
Quem vê produtividade, não vê o esforço que às vezes se emprega.
Quem vê realizações, não vê a insônia e as urticárias, e por aí vai.
Hoje, em um momento controlado, onde sei que é possível seguir o dia a dia de maneira mais sutil, me persegue a sensação de algumas pessoas buscam o contrário, ainda que não percebam.
Pessoas que, quando caem no buraco, praticamente pedem uma pá para continuar cavando, ao invés de olhar pra cima e buscar uma saída. Eu também não consigo ver o indivíduo total, mas sei que a tal mudança de percepção é um dos caminhos:

– Nós não somos as únicas pessoas do mundo. O mundo não gira ao nosso bel prazer ou desprazer;
– Algumas coisas ruins simplesmente acontecem;
– O que não depende de nós e do nosso esforço não deve nos tirar a paz. Faça tudo o que estiver ao seu alcance e, quando acabar, descanse.
– O hábito da especulação pode ser uma grande fonte de ansiedade. Trabalhe com as informações que você tem e assim vai evitar muito sofrimento desnecessário por coisas que talvez nem aconteçam. Deixe para atravessar a ponte, quando chegar nela.
– É necessário ser criterioso na escolha das pessoas que dividem nosso cotidiano conosco. Você pode até gostar e amar muitas pessoas, mas nem todas elas cabem na sua vida.

Diagnósticos e jargões à parte, é preciso aproveitar as oportunidades. Quem vive numa montanha russa, deve encontrar formas de se manter são nos altos e baixos, nos sacolejos, para que quando chegar a hora da pequena parada, esteja pronto para gozar dos momentos de paz, até que tudo comece novamente.
Não há linha definitiva de chegada e o caminho guarda curvas tortuosas, em meio a subidas e descidas do que é inevitável, é preciso saber encontrar maneiras de aproveitar a jornada.

Raquel Núbia

(Gostaria de ler mais textos assim? Deixe nos comentários!)

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Divagando

A vida da umas voltas estranhas, não é mesmo? A gente se pega desejando aquilo que nunca desejou, fazendo coisas que disse que nunca iria fazer e sentindo coisas que jamais achou que ia sentir. 

Talvez o tempo seja o grande responsável por isso, como várias vezes eu já escrevi, ou talvez o grande responsável seja a gente mesmo porque, afinal, o que a gente deseja, faz e sente diz respeito a nós mesmos mesmo quando em relação a outras pessoas.

O que a gente sente e pensa dos outros quase não se relaciona com o que tal pessoa realmente é, mas sim com a nossa forma de vê-la. Nossa visão é sempre impregnada de nós mesmos e, como consequência, nós estamos em tudo o que dizemos e sentimos.

Nao sei se estou conseguindo me fazer entender…

Às vezes a gente pensa que o mundo mudou, que as coisas mudaram quando, na verdade, o que mudou foi a gente mesmo e quando a gente muda, todo o resto muda junto.

A gente redefine prioridades, redefine relacionamentos e, quase sempre, essas redefinições trazem um conforto e uma paz muito grande, pelo menos é o que se espera.

Dia desses tive a oportunidade de reparar arestas. Ainda é cedo pra dizer que retomei laços mas posso dizer que consegui polir alguns espinhos e essas oportunidades são raras. Sempre há muito orgulho a ser combatido e baixar a guarda não deve ser visto como fraqueza, nem grandeza, apenas como algo a se fazer.

Fico pensando… Se houvesse outras oportunidades, certamente eu teria algumas coisas a dizer. Mas, ainda assim, não são coisas que me sufocam, mas sim que existem dentro de mim hoje de uma forma diferente do que existia no passado.

Acho que isso vem com a maturidade que costuma nos libertar, em parte, da preocupação com que os outros vão pensar. As pessoas podem pensar tudo o que quiserem mas, acima de tudo, precisam respeitar. Nós precisamos.

A vida já costuma ser problemática demais e não precisa que a gente complique ainda mais com as nossas próprias mãos. Em certos casos, as pessoas esperam que sintamos raiva, que coloquemos a responsabilidade no outro mas nem sempre isso se aplica.

Se em algum momento você perceber que o que você sentia até ontem mudou  e não corresponde mais ao que você sente hoje, mude! Vá atrás do que você sente e do que te diz sua mente e sua verdade. A gente até constrói muros, mas pode construir pontes… Algumas já estão prontas na nossa frente, basta vontade de atravessa-las.

Raquel Núbia 

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Foto: Raquel Núbia. Niterói/RJ

Sobre as canções dos dias de sempre

Os dias continuam passando no mesmo turbilhão de sempre e, ultimamente tenho gostado porque esse turbilhão é o que tem envolvido planejamentos importantes que colocam todo o restante das atividades sob perspectiva e definem o tamanho real do que realmente importa.
E a gente vai vivendo e, como escreveu Mário Quintana: “Tão bom viver dia a dia… A vida assim, jamais cansa… Viver tão só de momentos, como estas nuvens no céu…”, e sentir realmente que estamos priorizando o que tem importância verdadeira pra nós. Você tem feito isso?
Nem sempre é tarefa fácil, porque são tantos estímulos jogados sobre nós o tempo todo, tantos deveres e expectativas que nos rondam a todo momento que nem sempre conseguimos refletir sobre nossas ações e sobre nossos planos. Mas se não somos capazes de pensar sobre nossos desejos e nossos objetivos, jamais seremos senhores do nosso tempo, de nossos resultados e a vida se tornará uma grande engrenagem da qual seremos apenas mais uma peça e não o protagonista da nossa história, seja ela qual for.
O tempo é como a água quente que alcança o corpo cansado no fim do dia. Aos poucos desata os nós, desfaz a tensão carregada nos ombros, alivia a mente pesada e transforma o cansaço e o estresse em renovação e preparo para novos desafios.
A água quente que caiu sobre mim, lavou minhas angústias outrora sentidas, levou a falta de crença na eternidade dos sentimentos e limpou os sentimentos anuviados que habitavam meu coração. O tempo faz milagres quando estamos dispostos a colaborar.
Não é lindo viver assim? Sem dar nomes aos rios justamente por saber que será outro rio a passar? Com a tranquilidade de que nada acaba para sempre e também não continua, pois, o ciclo correto é recomeçar?!
“E sem nenhuma lembrança das outras vezes perdidas”, carrego a rosa dos ventos em minhas mãos distraídas…

Raquel Núbia
(para ler a poesia completa de Mário Quintana, clique aqui)

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Foto: Raquel Núbia – Rio das Ostras/RJ

 

“Ponto&Vírgula” – Post 08

Sobre a ausência da escrita e as certezas da vida

Domingo a noite e começou a cair uma chuvinha cheirosa por aqui.
Dias e dias que eu entro no Verba Volant, olho, respondo aos comentários e saio sem atualizar ou compartilhar nada. Houve um tempo em que eu me sentia culpada por deixar o blog às moscas e isso era baseado na expectativa do que os outros diriam sobre essa ausência.
Será que pensariam que não sei mais escrever? Que não tenho mais propósito ou inspiração?
Essa expectativa vinha muito forte devido ao senso de concorrência que eu tinha com algumas pessoas. Um grande despropósito, considerando que desde o início meu intuito sempre foi apenas compartilhar o que escrevo. Anteriormente nem sabia como interagir com outros bloggers, como escolher tags ou atrair novos seguidores… Aliás, só descobri os seguidores depois que algumas pessoas começaram a seguir o Verba Volant de forma espontânea.
Saber que existem pessoas por todos os lados que tem acesso ao que escrevo me traz uma sensação muito boa, um sentimento de reconhecimento que nem sempre tenho no meu trabalho ou em outras áreas da minha vida. É reconfortante saber que somos apreciados e que alguém é tocado de forma positiva pelo que fazemos.
Quem me acompanha aqui há tempo, sabe que em 2016 eu divulguei aqui o projeto de lançar um livro. Hoje esse livro está pronto, com as poesias escolhidas, diagramado, salvo no meu notebook e no meu e-mail, o registro na biblioteca nacional já foi feito… Para ser sincera, falta a produção da capa.
Esse assunto é algo que vive voltando à minha cabeça: “O que as pessoas que leram essa divulgação estão pensando? Que desisti?”
Não. Eu não desisti. Eu apenas repensei.
Quem escreve sabe que o investimento no lançamento de um livro de forma independente não é baixo e as propostas que eu tive de editoras excluíam quase toda minha participação no que o livro produzisse.
Fora isso, todo o engajamento emocional e planejamento.
Quando me peguei em meio a tantas decisões a tomar, percebi que minha motivação não estava correta. A materialização de algo tão importante pra mim estava escondida por traz do sentimento errado. Eu iniciei todo o projeto apenas baseada no desejo de cumprir essa meta antes que outra pessoa cumprisse… (para entender melhor, basta ir até o post “Calmaria” publicado em Setembro de 2016 e ler os comentários).
Quão mesquinho isso poderia ser?
Jogar algo desejado e esperado para o mundo apenas para tirar o prazer de que outra pessoa possa chegar a linha final antes de você?
Certamente se meus desejos estivessem cobertos pelos sentimentos do meu coração, meu livro já estaria impresso e distribuído. Mas sabe, os meus desejos estavam sim cobertos pelos sentimentos do meu coração, mas os sentimentos errados, pela raiva, pelo ódio, pelo sentimento de injustiça…
Pouco tempo atrás publiquei aqui sobre a leveza de conseguir falar das experiências passadas sem sentirmos as mesmas coisas ruins e isso culminou na minha vinda aqui essa noite para contar tudo isso que estou contando.
Curioso que o propósito dessa texto não era esse, não foi pensado.
Era para ser somente um “olá” de uma escritora cansada, consumida pelos afazeres de uma vida real que tem exigido bastante e tirado um pouco a energia para a vida virtual, incluindo a escrita.
E tudo bem.
Porque nem todas as tarefas cansativas são ruins, algumas delas exigem esforço justamente para que possam dar certo. Ser feliz dá trabalho e eu espero que, em breve eu possa vir aqui, novamente para contar o resultado desse esforço atual. Esforço mental e sentimental.
Alguns curativos foram removidos recentemente e olhar algumas cicatrizes foi doloroso, mas serviu como impulso para que eu pudesse ver que elas estão fechadas e que não vão doer novamente.
Se ainda pretendo lançar meu livro?
De verdade, não sei.
À você que tanto usou isso como forma de ameça, boa sorte.
Espero mesmo que você cumpra suas metas e objetivos e que seja feliz e realizada como sempre me disse que seria e é com o coração limpo que desejo isso. Levou um certo tempo, mas eu desaprendi a odiar. Eu fico aliviada por sentir e saber que se um dia eu quiser retomar tudo isso, será por mim e não por ninguém mais. 
Independente de colocar minhas produções no papel, eu afirmo que grandes coisas estão por vir. Coisas maiores do que qualquer disputa, qualquer concorrência, qualquer mágoa.

A árvore eu já plantei, o livro já está escrito…

Com a graça de Deus, em breve estarei comemorando essa chegada!

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