Solidão

Existe a solidão que se vive acompanhado, a solidão que se experimenta sozinho, a solidão dos pensamentos, a solidão do sucesso, a solidão do fracasso, a solidão do corpo, a solidão do reconhecimento… E por elas vamos transitando, pois eu acredito ser impossível não se sentir só em nenhuma dessas situações que citei. Eu não sei qual solidão dói mais, mas sei que todas trazem seu peso e sua medida.
E você, qual solidão tem te feito companhia?

Raquel Núbia

Foto: @raquel__nubia / Muriaé-MG

Esperar esperando x Esperar fazendo

Como é que funciona mesmo esse negócio de “esperar fazendo e não esperou esperando”?
Sabe? Essa coisa de não ficar parado, mesmo que o que desejamos não esteja já em nossas mãos, mesmo que não saibamos quando vamos ter o que queremos, o que buscamos… Essa máxima de ir se dedicando a outras coisas enquanto as COISAS não acontecem.
Tenho tentado ser bem adepta do “fazer o melhor onde estou, como estou e com o que tenho”, mas sinto que tem hora que não dá, tem hora que a espera, em si, é paralisante, limitante e “esperar fazendo” se torna algo possível.
Há ainda aqueles que dizem que o ideal é simplesmente não esperar nada, pois o que tiver que acontecer, acontece quando for a hora, mas o que houve com aquela história de que “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”?
Eu acredito que só o fato de não esperar nada já é uma espera, afinal, eu espero não esperar mas, no fim, acabo esperando de qualquer forma.
E assim o corpo vai pagando o preço pelas provas que a mente inventa.
Seria simples se não fosse a invenção que fizemos de ter a mania de sentir.

Raquel Núbia

Foto: @eubrunolopez

Abraço de urso

Pensamento recorrente esses dias… Tenho percebido que algumas pessoas preferem um sorriso falso à uma expressão verdadeira: seja simpático, seja agradável, seja leve, ainda que seja mentira – parece que esse é o mantra atual. A falta de honestidade com os sentimentos das pessoas chegou a um nível em que as palavras são ditas sem significar nada. O “conte comigo” se tornou tão banal como o “bom dia”. O “tudo bem?” virou frase automática sem nenhuma intenção de ter resposta. E a gente, que ainda pensa nisso, que ainda dá peso ao que fala, é considerado grosseiro, fechado e etc, apenas pela intenção de respeitar o nosso momento e o momento do outro, pois se eu não puder te ajudar, eu não vou falar “conte comigo”, se eu não puder lidar com sua resposta, eu não vou perguntar se tá tudo bem. Certamente eu vou substituir essas perguntas por outras que não vão criar em você a expectativa de uma presença que não será real. Todo mundo está lutando sua próprias batalhas e cada um sabe o peso de suas vitórias e derrotas. Então tudo bem se voltar pra si mesmo. A falta de honra está na atitude que você toma e que faz parecer que é pelo bem do outro quando, na verdade, é apenas para que você se sinta bem com você mesmo, com a mente tranquila por ter se disponibilizado, quando na verdade você nunca teve a intenção de estar realmente presente.
Você já parou pra pensar nisso? Existem pessoas que nos tem como modelos, como referências e que colocam peso no que dizemos, por isso essa reflexão.
Observe. Observe sempre, pois você pode estar exigindo do outro algo que ele não é capaz de te dar, e essa exigência pode forçar um comportamento mentiroso, apenas para que você fique satisfeito, ainda que às custas do sentimento e fingimento do outro.
Você não precisa ser a salvação do mundo, mas quando se propor a ser o amparo de alguém, SEJA, mas seja genuíno.

Raquel Núbia

Foto: @raquel__nubia

Poema das iniciais

Tô triste num tanto que tudo é tristeza.
Balanço num bote de banal beleza.
Me movo num mundo que manda em mim
e sinto essa sede de sentir sem fim

Tô triste num tanto que tudo é tinhoso.
Recolho risos rápidos num ritmo horroroso.
Vejo vindo vagando um vislumbre viril,
Dos dias de dor deixados, um ardil.

Tô triste num tanto que tudo é trabalho.
Cansaço, carência, coração em cangalhos.
Navegando na nuvem de névoa e negação.
Deixando as dores da dura decepção.

Tô triste num tanto que tudo é torpor.
Pesando no peito um pesadelo, um pavor.
Fazendo folia pra se fazer de forte.
Sabendo sutilmente que quem sabe é a sorte.

Tô triste um tanto…

Raquel Núbia

Foto: @eubrunolopez

Seja

Seja gentil.
Seja sempre gentil.
Em suas palavras, seja gentil.
Em suas atitudes, seja gentil.
O que vemos no comportamento do outro é apenas uma fração que somos capazes de enxergar, é apenas uma gota ad’ água num oceano inteiro de possibilidades.
O que vemos no comportamento do outro é aquilo que foi escolhido por ele para ser mostrado. O ser humanoé um universo e dele sabemos pouco.
Seja sempre gentil.
Cada pessoa vive suas próprias batalhas, carrega suas próprias mazelas, suas dores, na maioria das vezes, secretas, impensadas aos demais. Por não vermos, nos esquecemos, nos voltamos para nós mesmos e ignoramos o fato de que o sofrimento e as batalhas não são azares só nossos … São comuns a todos.
Seja gentil.
Ao elogiar, ao criticar, ao expor sua opinião.
Muitas pessoas estão dando o melhor de si em sacrifícios incontáveis, em duras batalhas, silenciosas.
Não se deixe levar por sensações ou impressões, não seja raso frente a profundidade da complexidade do que é ser humano. Não confunda, não
misterce o que é seu com o que é do outro, mas acima e antes de tudo:
Seja Gentil.

Raquel Núbia

Foto: @eubrunolopez

“Ponto&Vírgula” – Post 11

Conviver com um transtorno mental que envolve a oscilação do humor de forma inesperada numa flutuação que envolve a mania (“felicidade”) e a depressão (“tristeza”) é andar permanentemente numa corda bamba, sujeito à situações e sentimentos que nem sempre fazem sentido. É se questionar o porquê de resultados iguais se as ações são diferentes, o porquê das repetições, o porquê das voltas.
Conviver com transtorno mental é sentir que o controle não está nas suas mãos, que as coisas não dependem de você e que, por mais que façamos a nossa parte, em alguns momentos precisamos soltar os remos e deixar o barco seguir o fluxo das águas.
Tudo isso pode soar comum, pode soar cliché e ordinário, as situações assim são conhecidas por tantos, afinal todos na vida desfrutam dos dias de luta e dos dias de glória. A diferença é que o transtorno mental é uma amarra que te torna o responsável pela irresponsabilidade que te assola quando ele te desanima.
E veja só … Eu que sento dos dois lados da cadeira, como paciente, como profissional e me arrisco como escritora, ainda assim me vejo perdido em mais uma tentativa frustrada de relatar o indizível, de expressar em letras e palavras o que é sentir o corpo e o coração pedindo algo e ter que obedecer a mente que incapacita, anula e mantém com ela infinito de culpa, cobrança e punição.
Conviver com um transtorno mental que envolve a oscilação humor de forma inesperada numa flutuação que envolve a mania (“felicidade”) e a depressão ( “tristeza”) é se forçar a entender que num dia somos árvores frondosa, que dá frutos, alimenta, acolhe com sua sombra, dando refrigério aqueles que precisam de abrigo, mas que também podemos ser apenas os galhos secos, que se agarram numa raiz comprometida, sugando o que ainda resta do solo. na esperança de florescer de nova.

Raquel Núbia

Reserva

Quem sou eu senão apenas mais um?
O que sou eu senão um lugar comum?
Como me enxerga aquele que não me vê?
Como me ouve somente quando escuta para esquecer?

Quem sou eu senão quem conserta o futuro?
O que sou eu senão um lugar seguro?
Como me chama quando sou o único nome a dizer?
Como me esquece quando o outro que responder?

Quem sou eu senão o consolo quando há tristeza?
O que sou eu senão os olhos que não veem beleza?
Como me lembra quando a minha voz se cala?
Como me deixa quando a verdade fala?

Quem sou eu quando isso é tudo o que posso ser?
O que sou eu quando sei de tudo o que não vou ter?
Como me afasto do que me mantém vivendo?
Como me impedir se o que me traz vida não sabe que, em vida, estou morrendo?

Raquel Núbia

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Foto: @eubrunolopez

Sobre ser limite

Quantas vezes você já pensou em não ser você mesmo? Já pensou em tudo o que sente vontade e desejo de fazer e que por um motivo ou outro não consegue, não é capaz? Coisas simples, do dia a dia, comuns a tantas pessoas, em tantos lugares, mas que parece sempre tão custoso, tão difícil?
Venho aprendendo e reaprendendo contínuas vezes que a gente só deve depositar nossas expectativas, sentimentos e emoções na gente mesmo. É triste mas necessário lembrar que grande parte das pessoas nos enxergam somente como uma parte de seus jogos e seus interesses, que nos solicitam quando essa conveniência acaba, tudo o que se passou é jogado num limbo até que sejamos necessários novamente.
Às vezes temos sido depósito para que as pessoas despejem sobre nós suas frustrações, preocupações e tristezas se reenergizando para prosseguir com suas vidas junto às pessoas de seu cotidiano, após transferirem suas bagagens.
Mas como culpá-los se as pessoas só depositam em nós aquilo que permitimos?

Raquel Núbia

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Foto: @eubrunolopez

Das mesmices do dia a dia

Sentindo aquela desconfiança que a gente sente quando as coisas estão dando certo, quando a gente pode dizer que está satisfeito, talvez até mesmo chamas de felicidade. Se a felicidade não precisa ser uma ausência de problemas, uma ausência de tristezas, então talvez, apenas talvez, seja isso, talvez seja felicidade. Se deixarmos de lado o que nos atribula, a falta de vontade para coisas do cotidiano, os esforços difíceis demais mas que são necessários apenas para sobreviver, então o que vivemos entre uma coisa e outra, seja realmente felicidade. Felicidade que mascara a procrastinação, a energia insuficiente para reagir ao decorrer do dia, ao senso de responsabilidade até mesmo pelo que não podemos controlar, enquanto vamos vivendo, atravessando os dias como se o anoitecer fosse capaz de expurgar os acontecimentos e presságios sendo que o novo dia trará apenas mais do mesmo.

Raquel Núbia

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Foto: @raquel__nubia – Muriaé/MG

 

Sobre as emoções que nos alimentam

Por alguns momentos conseguimos nos sentir relativamente bem, aliás, bem mesmo, dispostos, animados, “felizes “, esperançosos… mas, quantos de nós, hoje ainda, vemos que alguns gatilhos são poderosos e despertam rapidamente o sentimento de desvalia, de insuficiência?
Por mais que saibamos que é normal nem sempre nós conseguiremos fazer tudo ou manteremos a energia sempre elevada, certamente, em alguns momentos ainda nos sentiremos esmorecer, e quando nos deparamos com o que ainda nos limita e com o que nos sinaliza uma possibilidade de não sermos queridos, de não sermos amados e de não sermos especial. Essas coisas nos gastam, nos desanimam e nos mostram como podemos ser vulneráveis ao que nos prendem.
Ainda que os dias sejam de inverno, os finais de tarde me trazem já a melancolia do verão, que tão conhecidamente me transportam pra lugares e lembranças que me abatem… Talvez o certo a se fazer seja apenas nos permitir sentir o que há pra sentir enquanto reorganizamos os sentimentos e, principalmente, os pensamentos.
Digerir as emoções que nos alimentam e manter dentro de nós somente o que nos dá energia.

Raquel Núbia

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Foto: @juhneri