Relembrando: Diminuto

diminuto

Diminuto

Eu queria ser
Tudo o que você precisa.
Tudo o que você merece.
Tudo o que preconiza.

Eu queria ter
Tudo o que você quer.
Tudo que você deseja.
Tudo o que puder.

Eu queria…
Ser uma versão melhor de mim.
Oferecer a você sossego sem fim.
E deixar que você seja o que quiser.

Mas eu sou
Um pedaço estranho de uma pessoa qualquer.
Acumulado de medos, manias, meio mulher.
Que hora é tempestade
e outra hora é serena..
Mas que segue te amando, pequena.”

Raquel Núbia

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Relembrando: Aleivoso

Tem hora que dá vontade de entrar dentro da tela (seja do computador ou do telefone) pra ir viver essa vida que é postada e divulgada… Pular pra dentro das fotos saturadas e dos feeds perfeitos, dos stories “espontâneos” e ser a personificação da plenitude estampada nessas redes que estão mais para teias e nos prendem como uma presa quando menos percebemos…

aleivoso

Aleivoso

Sei lá…
De repente,
todas as pessoas parecem iguais.
Em fotos e sorrisos tão irreais.
Transparecendo tão desbotadas,
em olhos vibrantes o desejo
do que quer ser.

Sei lá…
De repente,
fica tudo sem graça.
E não importa o que eu faça,
transborda um incômodo
dentro do peito e uma vontade
desaparecer.

Sei lá…
De repente
o errado sou eu.
Por me lembrar do que já se perdeu,
transportando o que eu vejo
para um lugar aonde as pessoas
não estão mais.

Sei lá…
De repente
ninguém está errado.
Só está cada um para um lado,
transmitindo o que acham
que sentem ou devem sentir
e isso satisfaz.

Sei lá…
De repente
não saber é o que resta.
E a vida do outro seja somente festa,
transpassando em uma linha de tempo
que é apenas
inacreditável.

Sei lá…
De repente
a cabeça pode não lembrar.
E dará um tempo para descansar.
Transformando todas as imagens,
sorrisos e olhares que vejo,
em um monte de lixo:
irrecuperável.”

Raquel Núbia

Relembrando: Atimia

Se tem um sentimento que se repete corriqueiramente dentro de mim e esse sentimento de um passado agarrado no presente ainda que longínquo…

atimia

Atimia

Tem hora que parece que volto no tempo e me voltam interesses de tanto tempo atrás. Eu começo a querer fazer coisas e ter sentimentos velhos, fico saudosa do que já vivi, as alegrias que tive e das coisas que já senti.
Bate uma nostalgia… uma falta de algumas pessoas, das histórias ligadas a elas, das situações, até dos cheiros, sensações, das roupas, dos planos e dos sonhos.
Quando menos espero, percebo que tudo isso está num passado tão distante, que essas pessoas das quais sinto saudade, aliás, mais nostalgia, estão em outro momento, assim como eu também estou, mas sem nem sequer devem se lembrar desse passado.
Eu tenho sempre saudade do céu azul limpinho e das manhãs frias que o acompanhavam… do sol quentinho das 9h30, do perfume e do cheiro das pessoas. De como costumava achar tudo tão importante e da vontade que tínhamos de resolver tudo de pressa.
Nossos maiores problemas estavam sempre no futuro e agora que o futuro chegou, o presente traz problemas tão maiores… nos quais eu não vejo importância, nem urgência, muito menos vontade.
O futuro chegou e eu acho que meu eu do passado não está nada orgulhoso do eu de hoje e assim eu não vivo nem lá, nem cá.
Por que as manhãs não podem ser sempre frias e de céu azul?”

Raquel Núbia

Relembrando: Os tombos pela estrada da vida

Uma coisa é certa, no caminho que percorremos pela vida, vamos cair. Por isso saber levar esses tombos e tão importante como saber se levantar…

os tombos pela estrada da vida

Os tombos pela estrada da vida

Passa dia, volta dia e vez ou outra o ponteiro cai de novo.
São horas a fio girando os pedais para fazer a roda girar mas depois das descidas à solto e das subidas difíceis as pernas adormecem e pedalar não é mais tão fácil assim.
Os pedais param e a bicicleta cai.
Sabe Deus quantas vezes esfregamos a poeira da roupa, sopramos os joelhos ralados e voltamos a nos equilibrar sabe se lá porque.
Mas em alguns dias os machucados doem mais e as penas simplesmente desobedecem. Não é que o corpo não segue as ordens da mente… É que até a cabeça quer parar.
Nessas horas nos recostamos na calçada e assistimos aos outros passarem, sozinhos, em bandos e imaginamos se vamos encontrar forças para alcança-los.
Assentados ali, num canto de asfalto, não há ninguém que compreenda porque paramos e há aqueles que ao nos verem tombar, optam por não enxergar, por não se envolver.
E então, sem mais nem menos, voltamos a pedalar… Sem vontade, sem esforço, seguindo um caminho que já está traçado. Evitando abrir novas trilhas. Afinal, sem desejo, pouco importa para onde vamos.
Seguimos apenas porque nos disseram que temos que ir”.

Raquel Núbia

Relembrando: Das dores que só a gente sente

Empatia seria a palavra… De tanto pronunciada, tão pouco compreendida ou vivida na prática. Será que ainda dá tempo? Vamos tentar?

das dores que só a gente sente

Das dores que só a gente sente

Em 15 dias tive dois processos inflamatórios na garganta. Em 17 dias foram 13 dias de antibióticos e ainda faltam 7. Tudo isso porque parece que a primeira leva de medicação não foi forte o suficiente para combater a infecção e isso só fez com que a recidiva esteja sendo ainda mais forte do que a primeira vez.
Enfim. Esse resumo todo apenas para chegar no ponto da questão.
Quem convive próximo a mim tem ouvido algumas reclamações e, dependendo do dia, muitas reclamações sobre as dores que tenho sentido devido às febres que vão e vem e devido a própria inflamação que dói o tempo todo.
Algumas escutam, outras não.
Algumas se importam, outras não.
Algumas acreditam, outras não.
E tudo isso simplesmente porque por mais que eu fale e explique a dor que tenho sentido, quem escuta apenas escuta, mas quem sente sou eu.
E não é assim como todas as nossas outras dores?
Por mais que possamos detalhar aonde, porque e o quanto doi, a sensação é exclusiva de quem sente e cabe ao outro somente acolher ou não. Apoiar ou não. Cuidar ou não. Acreditar ou não.
Desejo que sejamos sensíveis as dores alheias pois, chega uma hora que quem sofre se cansa de repetir o motivo e de lembrar ao outro constantemente o motivo de se sentir limitado, desanimado, cansado e até mesmo mal humorado…
Desejo que sejamos sensíveis às dores alheias assim como esperamos que sejam com as nossas.”

Raquel Núbia

Relembrando: Perspectiva

perspectiva

Perspectiva

Engraçado como sempre colocamos nossa vida em perspectiva. Inevitável a tal da comparação do que vivemos com as pessoas que estão a volta, sejam elas reais ou irreais, próximas ou distantes, amadas ou não. Mesmo que seja sem querer, inesperadamente caímos nesse tal limbo.
Algumas vezes isso serve como um estímulo para seguirmos em frente, conquistar o que ainda não conquistamos, investir novamente no que havíamos deixado parado.
Outras vezes serve exatamente para o contrário… Como desânimo, desalento de uma possível realização ou situação que nunca chegará.
Mais intrigante mesmo é que quando olhamos para fora, não costumamos nos comparar de uma forma que nos permite enxergar o quanto já caminhamos, o quanto já conseguimos. Pelo, contrário. Geralmente é para vermos o quanto ainda achamos que precisamos correr, andar, dedicar, sofrer e lutar para conseguir algo mais.
Pessoalmente eu tento me policiar constantemente porque sei que sou minha pior inimiga nesse sentido. Posso me cobrar de maneiras impensáveis e por isso vigio para que não atropele meus próprios sonhos, para que possa desfrutá-l0s verdadeiramente e não apenas para somar mais um resultado, mais um êxito.
Sugiro, se é que posso, que façam isso também.
Cuidem de suas vidas e de seus projetos como eles realmente são: somente seus.
Fiquem atentos para que, ao se colocarem em perspectiva, não se enganem, usando lentes de aumento para o que veem lá fora e lentes embaçadas para o que veem por dentro.
Sejamos reais por nós mesmos. Afinal, nós não precisamos provar nada para ninguém.”

Raquel Núbia

Relembrando: Divagando

divagando

Divagando

A vida da umas voltas estranhas, não é mesmo? A gente se pega desejando aquilo que nunca desejou, fazendo coisas que disse que nunca iria fazer e sentindo coisas que jamais achou que ia sentir. 

Talvez o tempo seja o grande responsável por isso, como várias vezes eu já escrevi, ou talvez o grande responsável seja a gente mesmo porque, afinal, o que a gente deseja, faz e sente diz respeito a nós mesmos mesmo quando em relação a outras pessoas.

O que a gente sente e pensa dos outros quase não se relaciona com o que tal pessoa realmente é, mas sim com a nossa forma de vê-la. Nossa visão é sempre impregnada de nós mesmos e, como consequência, nós estamos em tudo o que dizemos e sentimos.

Nao sei se estou conseguindo me fazer entender…

Às vezes a gente pensa que o mundo mudou, que as coisas mudaram quando, na verdade, o que mudou foi a gente mesmo e quando a gente muda, todo o resto muda junto.

A gente redefine prioridades, redefine relacionamentos e, quase sempre, essas redefinições trazem um conforto e uma paz muito grande, pelo menos é o que se espera.

Dia desses tive a oportunidade de reparar arestas. Ainda é cedo pra dizer que retomei laços mas posso dizer que consegui polir alguns espinhos e essas oportunidades são raras. Sempre há muito orgulho a ser combatido e baixar a guarda não deve ser visto como fraqueza, nem grandeza, apenas como algo a se fazer.

Fico pensando… Se houvesse outras oportunidades, certamente eu teria algumas coisas a dizer. Mas, ainda assim, não são coisas que me sufocam, mas sim que existem dentro de mim hoje de uma forma diferente do que existia no passado.

Acho que isso vem com a maturidade que costuma nos libertar, em parte, da preocupação com que os outros vão pensar. As pessoas podem pensar tudo o que quiserem mas, acima de tudo, precisam respeitar. Nós precisamos.

A vida já costuma ser problemática demais e não precisa que a gente complique ainda mais com as nossas próprias mãos. Em certos casos, as pessoas esperam que sintamos raiva, que coloquemos a responsabilidade no outro mas nem sempre isso se aplica.

Se em algum momento você perceber que o que você sentia até ontem mudou  e não corresponde mais ao que você sente hoje, mude! Vá atrás do que você sente e do que te diz sua mente e sua verdade. A gente até constrói muros, mas pode construir pontes… Algumas já estão prontas na nossa frente, basta vontade de atravessa-las.”

Raquel Núbia 

 

Relembrando: Inconstância x Incoerência

Das coisas que não consigo compreender ainda hoje…

incostância x incoerência

Inconstância x Incoerência

Quantas pessoas cabem dentro da gente?
Quantas versões de nós mesmos podemos ser?
Quantas vezes ainda vamos mudar de ideia?
Quantas vezes ainda vamos nos surpreender?

Que se afaste de mim o desejo de me manter sempre na normalidade, estagnada, sem jamais passar por nenhuma alteração! A cada vez que o novo se apresenta, há uma nova chance de aprendizado, de amadurecimento e de mudança. E a cada vez que a repetição se apresenta, há uma chance de olhar de novo com um outro olhar… Reparar em detalhes que não havíamos percebido antes.
A mudança, às vezes, causa medo, mas até mesmo o enfrentar desse medo nos modifica. Acreditar que somos imutáveis é desacreditar na natureza humana. Jamais hei de pedir, exigir ou crer que as pessoas não mudam. Que sejam mudanças positivas ou negativas, elas acontecem.

Mas, cabe aqui um parêntese ou um parágrafo.

Mudança não implica em incoerência.
Ser incoerente é perder a harmonia entre os fatos e as ideias.
Posso deixar de gostar de lilás e me apaixonar pelo verde! Mas não posso amar o verde e reclamar da cor das florestas!

Mude sempre que quiser!
Mas mantenha a coerência nas suas escolhas, principalmente na relação entre o que você diz e o que faz, ainda que ninguém veja.
Faz bem ser singular e muitas vezes contraditório, mas não se perca no caminho – seja fiel a você mesma.”

Raquel Núbia

Relembrando Pueril

Ah… A gente só cresce porque é obrigado, não é? Porque é o curso natural da vida… Mas não dá pra negar que a gente sente aquela falta das tardes infinitas de brincadeiras e irresponsabilidades…

pueril

Pueril

Por que a gente tem que crescer?
Eu não me lembro de, quando ainda criança, querer ser adulta… Já adolescente eu fazei muita coisa que queria fazer. Não esperada “crescer” para alcançar nada em especial e hoje, já mulher feita, sinto alguns dias a vontade e a saudade da tranquilidade de outrora.
Do sábado de manhã na cama, ouvindo a máquina de lavar roupa rodando lá na área. Da lasanha de domingo ficando pronta sempre na mesma hora. Da sopa de macarrão pra curar gripe…
Hoje, se o corpo doi com resfriado, é esse mesmo corpo que tem que ir atrás do remédio e do copo de água… E a sopinha vai ficando pra outra hora…
Eu sei que por um período de tempo fui mal acostumada, eu confesso, mas quem é que não gosta de uma mordomia, não é?
Hoje eu tento não esperar esse cuidado de outros… Ninguém cuida da gente como a nossa mãe e às vezes esse cuidado não cabe mais.
Mas tem aquele dia que a gente tá com aquela vontade de que alguém apareça e resolva nossas dores e decida nossas indecisões, como se voltássemos a ser um neném que é levado pra lá e pra cá conforme a necessidade dos pais.
Só que de neném aqui não tem nada. E se a gente mesmo não se levante e vai, ninguém se levanta e vai por nós”.

Raquel Núbia

Relembrando: Dos motivos errados

Um lembrete constante para não deixarmos nos confundir por tantas influências e pensamentos externos que podem nos impactar e nos desviar de nossos verdadeiros objetivos e de nossa verdadeira essência.

dos motivos errados

Dos motivos errados

Tem dia que parece que foi feito para mostrar pra gente que não é permitido sonhar. Na verdade, não são dias inteiros (às vezes são), mas alguns momentos que trazem a realidade socando a porta no intuito de lançá-la ao chão e escancarar a verdade com ou sem a nossa permissão.
Quando é assim, me questiono a real motivação do “sonho”: “Por que estou fazendo isso? Por que quero aquilo? Por que tenho pressa?”
Às vezes me flagro no ímpeto de realizar coisas, somente (quase somente) para provar um ponto de vista e isso me incomoda.
Não há nada de errado em se espelhar em alguém, em ter um modelo, até mesmo uma inspiração, mas não é disso que estou falando.
Estou falando de um sentimento mesquinho de validação, direcionado a pessoas que não tem valor (em qualquer sentido) e, portanto jamais poderiam validar a mim ou a outras pessoas de qualquer forma.
Já faz bem tempo que deixei de viver conforme o desejo do outro e me policio constantemente para fazer as coisas pelos motivos certos, e não esperando um retorno de outras pessoas, ainda mais de pessoas que não me acrescentam nada, muito pelo contrário.
Acho que a vida é assim mesmo e vez ou outra exige um esforço danado para que a gente se lembre de lutar, seguir e persistir pelos motivos certos.”

Raquel Núbia