Relembrando: Suspiro

suspiro

Suspiro

Tem coisas que marcam a gente de um jeito que impressiona…
Às vezes é um cheiro, uma cor, uma música, um dia frio ou nublado… Pode ser tudo e nada, qualquer coisa.
Algumas coisas funcionam como um portal na vida da gente e assim que chegamos perto deles, entramos num caminho que nos leva direto pra muito longe ou até mesmo pra perto, não importa. O que importa é que esse portal nos transporta pra onde mora uma lembrança.
Uma lembrança viva ou guardada mas que se recupera assim que temos contato com esse estímulo.
Vez ou outra eu me pego vagando fora de mim quando me deparo com essas saudades que a gente desconhece. Em alguns momentos, nem mesmo se pode nomear como saudade, pois existem sentimentos e sensações que a gente não sabe definir.
Repentinamente a gente se preenche de um vazio, uma falta sem identificação, advinda de uma necessidade sem justificativa, sem necessariamente ser uma queixa do presente ou uma insatisfação sentida plenamente.
Se angústia é aquele sentimento que não pode ser nomeado, talvez então seja isso.
Apenas a percepção da sensação de estarmos perdidos dentro da própria vida, num mundo tão grande e num tempo tão extenso em que não conseguimos enxergar a finitude do que já vivemos e, ao mesmo tempo, sentimos latente a certeza de que sermos findos é a única e total certeza.”

Raquel Núbia

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Relembrando: Vamos falar sobre o amor?

vamos falar sobre o amor

Vamos falar sobre o amor?

Quando a gente vai falar de amor recorre a vários clichês e, por estar amando, a gente nem se importa de cair nessa armadilha.
Entre tantas formas de amar e tantos tipos de romance, fica difícil acreditar no certo e no errado, pois o sentimento verdadeiro é infinito por si só e na sua imensidão o livro de “regras” pode não ter fim.
E para que ama, pouca coisa importa quando se refere ao sentir. Quando se está preenchido dessa forma, gozando da completude de uma companhia desejada e que também te deseja, tudo mais é alheio.
Seja qual a forma de demonstração, intensidade… Seja qual for o tempo passado… O amor reserva para si o direito de ser enorme mesmo quando pequeno, de ser delicado mesmo quando forte, de ser pra sempre mesmo quando efêmero.
“Que seja eterno enquanto dure”?
Que dure enquanto for amor.”

Raquel Núbia

Relembrando: Sobre a liberdade de não se importar

sobre a liberdade de não se importar

Sobre a liberdade de não se importar

“A gente sabe que superou quando lembra e não sente mais dor”.
Já li e ouvi isso algumas vezes… Tenho certeza de que vocês, leitores, também já devem conhecer essas palavras e hoje elas vieram soprar nos meus ouvidos.
Eu faria uma pequena modificação:
“A gente sabe que superou quando lembra e não sente mais”.
Sim, porque às vezes o que sentimos antes da superação não é dor. Pode ser muito mais e muito menos do que isso. Pode ser pena, raiva, decepção, remorso, ódio, saudade… E, ao meu ver, quando não sentimos mais nada, aí sim está a conclusão.
Isso se aplica a qualquer coisa e não somente a relacionamentos amorosos. Acho curioso como algumas pessoas tendem a reduzir tudo ao amor romântico em detrimento de tantas outras formas de relação, profundas ou não.
Minhas superações mais significantes nos últimos tempos em nada tem a ver com romance, mas sim com amizades e projeções de terceiros sobre mim.
Quantas vezes já cuspi palavras na folha de papel por não poder cuspir em quem me despertava tanta ira! E hoje, depois do tempo passado, me sinto confortável e em paz por não me deixar provocar mais esse tipo de reação.
Isso não significa que retomei laços, fiz as pazes ou esqueci o que me fizeram. De forma alguma.
Isso significa que hoje não me importo mais. Significa que as ações dessas pessoas no passado e no presente não me dizem mais nenhum respeito e não me despertam nem mais curiosidade.
Então você pode se questionar “mas porque ainda fala sobre isso?” e eu respondo: Porque sou livre. E essa liberdade vem justamente de não me sentir dominar por nenhuma dessas experiências que citei acima. Sendo livre, eu domino e escolho como reagir. Livre, verbalizo o que quiser sem ser influenciada por isso. Essa liberdade me trouxe a irrelevância dos fatos e meu tamanho frente a eles.
Sendo assim, não há porque evitar, esconder, silenciar, pois guardo meu silêncio para o que ainda tem espaço dentro de mim e que me requer reflexão e elaboração.
Sim… Ainda existem itens não superados e tudo bem!
O que aprendi com as vivências passadas já me auxilia muito nos dias de hoje.
Eu não visto mais a carapuça que fizeram pra mim e não caio mais nas armadilhas daqueles que conheceram minhas fraquezas para tentarem ser mais fortes do que eu.
Sinto muito em dizer, vocês fracassaram.
E hoje não preciso mais afundar a caneta nas linhas brancas do caderno para liberar a poluição de sentimentos que me fizeram experimentar.
Não.
Hoje são palavras pensadas, palavras calmas… Daquela calma que somente a falta do sentimento pode nos dar.”

Raquel Núbia

Relembrando: Lassidão

lassidão

Lassidão

Eu queria voar bem alto
e ir pra onde o sol se esconde.
Voar além das nuvens
onde ninguém jamais me encontre.

Eu queria correr pra longe
e ir depois daquele horizonte.
Seguir até o fim da estrada
Onde ninguém jamais me encontre.

Eu queria mergulhar fundo
e ser água que vem da fonte.
Submergir no silêncio do mar
onde ninguém jamais me encontre.

Eu queria queimar o fogo
e ver a chama arder, aos montes.
Ser a brasa que se apaga
onde ninguém jamais me encontre.

Eu queria transcender o mundo
Ser luz da vida, que o outro aponte.
Mas, sigo num mundo de faz de conta
onde, quem sabe, eu me encontre…”

Raquel Núbia

Stories da Semana (16 a 23/04)

Com apenas uma semana de atraso… Postei na página do Verba Volant e me esqueci de postar aqui! Sabe como é… A vida real está tomando bastante o meu tempo 😉 Resumo dos stories publicados no meu perfil no Instagram. Para saber mais, basta seguir: @raquelnubiaofficial.

Relembrando: Sobre as incoerências do cotidiano

Sem sombra de dúvidas, uma das crônicas favoritas que já escrevi e postei aqui no Verba Volant. Apesar de já ter um tempo que a publiquei, ela continua e sempre continuará atual, pois os exemplos citados na produção, podemos encontrar a todo o tempo.

Sobre as incoerências do cotidiano
Foto: Raquel Núbia – Rio das Ostras / RJ

“Sobre as incoerências do cotidiano

Engraçado (só que não) como a gente às vezes (quase sempre) cala um tanto de coisas e sai carregando conosco uma bagagem de frases não ditas, discussões não finalizadas, problemas e assuntos não resolvidos.
Já perdi a conta de quantas vezes testemunhei a incoerência acontecendo bem diante de mim e nem sempre pude me expressar, quase engasgando. Veja só:
De pessoas que se martirizavam por não poder amar, ouvi que meus olhos são vazios assim como meu coração.
De quem deixa em branco as páginas do que diz amar, ouvi que meus textos também são vazios (reflexo dos meus olhos e coração? Não sei…).
De pessoas que nem sabem o que faço e quais são meus resultados, ouvi que não sou boa profissional.
De pessoas que me cercavam com comentários e elogios enquanto eu me reservava o silêncio simplesmente por não ter nada de verdade a dizer, ouvi que sou traidora.
De pessoas que propagam o amo próprio, auto aceitação, autoestima e que lutam contra sua própria imagem no espelho por motivos alheios a sua própria vontade, já ouvi que pareço velha, feia e gorda (quão baixo o “ser humano” vai não é?).
De pessoas que se inteiram das minhas produções e não olham ao redor exatamente por se acharem o centro de tudo, ouvi que meus escritos e inspirações se baseiam num único tema/pessoa.
E já ouvi também que minha consciência pesada (a que julgam que eu tenho) um dia me adoecerá e cobrará um preço. Recebi esse comentário vindo de pessoas que são capazes de fazer justamente esse tipo de “acusação” (que está mais para um praga…) que não lhe deve sair da memória.
Dentro da cabeça todas essas conversas, discussões e resoluções existem e enquanto não verbalizamos (pela voz ou papel), pelo menos pra mim, continuam lá. Vamos deixando passar uma coisa ou outra, por um motivo ou outro e vamos seguindo e nos submetemos a esse tipo de experiência.
Sigo no aguardo de quantas incoerências mais ainda vão ser jogadas ao vento que me cerca, jogando malabares com o que tenho recebido equilibrando o meu desejo, a satisfação do outro e a loucura alheia.”

Raquel Núbia

Relembrando: Meu coração

Confira a poesia e o post original clicando aqui:

Meu coração
Foto: Raquel Núbia – Alto Caparaó/MG

“Meu coração

Meu coração já bate apertado
Chorando os dias que estão por vir.
Você longe e não do meu lado,
Eu distante e sozinha aqui.

Meu coração bate ciumento
Por saber que há outro alguém
Que vai dividir cada momento,
Enquanto eu fico sem ninguém.

Meu coração bate angustiado
E pulsando o que não quer pulsar.
Por saber que o meu menino amado
Em outros braços vai se aconchegar.

Meu coração bate de teimoso
Porque motivo não há pra bater.
Se quem ele guarda, tão precioso,
Quando mais precisa, não pode ter.”

Raquel Núbia

Relembrando: Dia 03

Alguns momentos da vida da gente são mesmo mais cansativos do que outros, não é? Costumam exigir tanto de nós que, por vezes, não sabemos como conseguiremos prosseguir. Nesta crônica, publicada no ano passado, meus pensamentos estavam assim, um pouco sobrecarregados. Mas acho que todos passam por isso. O importante é respirar, descansar, se recuperar e seguir em frente.

Dia 03
Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

“Dia 03

Depois de tantos dias carregando essa caderneta na bolsa, junto com a minha caneta roxa, enfim senti a urgência de preencher suas páginas. Todo dia olhando pra ela ocupando um espaço na minha bolsa e pensando que deveria liberar um canto deixando-a sobre a mesa do escritório em casa mas, ao mesmo tempo, com aquela vozinha: “deixa ela aí, vai que você precisa”.
E não é que essa vozinha estava mesmo certa?
Hoje falou mais alto a necessidade de dedilhar palavras desenhadas a mão e descarregar o que quer que seja que ajude de alguma forma a aliviar o peito. Ainda é tão cedo e eu já falei com Deus tantas vezes hoje… Chamando em segredo e em silêncio pelo amparo nos assuntos mais guardados que se pode ter.
Vez ou outra vem de dentro um sentimento em ebulição que ás vezes esfria e outrora transborda. São tantos os pensamentos recorrentes que, de repente, eles acorrentam e levam para o fundo de um oceano turvo.
Quando menos se espera o toque do telefone me desperta e me devolve à superfície.
E então, outro problema… O que essa superfície traz? O que guarda e o que proporciona?
Sinto falta de ficar quieta, de não ouvir o telefone tocar, de não ter que escolher tantas coisas, tantas pessoas. Falta de não ter que saber de tudo ou de planejar, ainda no dia 03, o que acontecerá no dia 25.
Tem hora que parece…”

Raquel Núbia