Relembrando: Das dores que só a gente sente

Empatia seria a palavra… De tanto pronunciada, tão pouco compreendida ou vivida na prática. Será que ainda dá tempo? Vamos tentar?

das dores que só a gente sente

Das dores que só a gente sente

Em 15 dias tive dois processos inflamatórios na garganta. Em 17 dias foram 13 dias de antibióticos e ainda faltam 7. Tudo isso porque parece que a primeira leva de medicação não foi forte o suficiente para combater a infecção e isso só fez com que a recidiva esteja sendo ainda mais forte do que a primeira vez.
Enfim. Esse resumo todo apenas para chegar no ponto da questão.
Quem convive próximo a mim tem ouvido algumas reclamações e, dependendo do dia, muitas reclamações sobre as dores que tenho sentido devido às febres que vão e vem e devido a própria inflamação que dói o tempo todo.
Algumas escutam, outras não.
Algumas se importam, outras não.
Algumas acreditam, outras não.
E tudo isso simplesmente porque por mais que eu fale e explique a dor que tenho sentido, quem escuta apenas escuta, mas quem sente sou eu.
E não é assim como todas as nossas outras dores?
Por mais que possamos detalhar aonde, porque e o quanto doi, a sensação é exclusiva de quem sente e cabe ao outro somente acolher ou não. Apoiar ou não. Cuidar ou não. Acreditar ou não.
Desejo que sejamos sensíveis as dores alheias pois, chega uma hora que quem sofre se cansa de repetir o motivo e de lembrar ao outro constantemente o motivo de se sentir limitado, desanimado, cansado e até mesmo mal humorado…
Desejo que sejamos sensíveis às dores alheias assim como esperamos que sejam com as nossas.”

Raquel Núbia

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Proelium

Viver. Verbo intransitivo: ter vida, estar com vida.
Viver. Transitivo direto e intransitivo: aproveitar (a vida) no que ela tem de melhor”.
É muito errado querer viver?
Pois sinto que, na maioria do tempo, apenas existimos e às vezes, somente existir não é o bastante.
Talvez existam níveis de “viver” em que algumas poucas pessoas vivem o tempo todo, outro grupo viva de vez em quando e uma outra parte apenas exista sem direito a vida.
Talvez apenas existimos por tanto tempo que, quando nos é dada a oportunidade de viver, simplesmente não conseguimos descobrir como fazer para aproveitá-la ao máximo e, nessa busca por desfrutar desses raros momentos de vida, a pressa é tanta que o tempo escorre entre os ponteiros do relógio.
Quem escolhe quem vive e quem existe?
A quem devemos recorrer para trocar de grupo?
O peso dessa herança é tão descomunal para aqueles que percebem o abismo que há entre viver e existir que, frente a impossibilidade de viver plenamente, nem sempre há desejo de se manter existindo.
Talvez viver não seja um privilégio de todos, mas sim um prêmio dado a poucos. Um prêmio que não está ligado à merecimento, mérito ou recompensa, mas apenas a uma divisão aleatória da qual se encarrega o universo.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Barra de São João/RJ

 

 

 

Antecipação

Um dos melhores sentimentos que se pode ter é aquele que vem da vontade simples e despretensiosa de aproveitar o dia e tudo o que ele nos trouxer. Aquele desejo de cumprir com o que há para fazer, da melhor forma possível, buscando melhorias e tentando satisfazer plenamente os objetivos que estão traçados, dos menores aos maiores.
E faço questão de frisar a palavra “tentando” para que possamos nos lembrar de que todo esforço é válido na busca das nossas realizações e, mesmo quando não há o sucesso integral, saber que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance pode ser reconfortante e uma fonte importante de energia para tentar novamente.
Há de se considerar sempre a intenção com a qual realizamos as coisas e nos comportamos. Mas é preciso ter cautela para não nos escondermos por trás disso, principalmente quando cometemos algum erro ou prejudicamos alguém, pois a intenção das nossas ações tem muito poder.
Sendo assim, vamos tentar fazer sempre o nosso melhor, nos colocarmos em paz conosco e com as decisões que tomamos. Desejar o que os dias nos trazem e nos adaptarmos, lidando prontamente com o que não desejamos, mas temos que lidar.
Vamos cultivar esse sentimento, essa sensação de estar de peito aberto para desfrutar da vida com seus dias de sol e com seus dias de chuva.
Estar bem com e gente mesmo nos permite isso.
Vamos tentar?

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

Reflexões de domingo

Quando se derrama por inteiro,
E vive a vida plenamente,
Não há comparações, compromissos
Ou limites pra mente.
A caneta escreve o que quer dizer,
Não há censura alguma quando se ocupa de viver.

O que o peito segura,
A vida se encarrega de soltar.
O que a boca cala,
A vida trata de falar.
O que o coração esconde,
A vida aguarda pra mostrar.

A forma genuína de felicidade
Me esconde na vida vivida.
O que me preenche são experiências e pessoas.
E não uma foto colorida.
Me reservo o alívio,
Para a alegria de quem já passou.
Quem é feliz se ocupa com seus sorrisos,
Segue em frente com o que a vida agraciou.

Hoje meu coração bate mais forte
Com os beijos e aconchego do meu amor.
Que ri comigo das mazelas da vida
E, principalmente, me leva pra onde for.

Chamem do que quiser…
Hipocrisia, exposição, tristeza, troféu.
A verdade é que quando se é de carne e osso,
Não se aceita ou da espaço pra quem é de papel.

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Raquel Núbia

Indizível

Velha e boa amiga angústia
Que insiste em não me deixar.
Tristeza companheira
Que gosta de me abraçar.

Esse é o caminho
Que eu não consigo aprender.
Essa vida que eu não quero,
É a única pra viver.

Vendo as pessoas e suas personas
Subindo cada degrau.
Me olhando lá de cima
Enquanto eu aqui me sinto tão mal.

Me importando com coisas e gente
Que não queria me importar.
Mas essa é minha essência,
Não posso simplesmente ignorar.

Eu já aprendi quem é bem me quer,
E quem não me quer de jeito nenhum.
Aprendi quem vale a pena
E quem não vale tostão algum.

Mas mesmo frente a tudo isso
Sinto impossível não questionar.
O que faz os outros se moverem
Mas me mantem no mesmo lugar?

Em alguns momentos
Tudo volta ao antigo normal.
Mas basta um olhar em volta
Pra realidade habitual.

O normal agora é passado
E de passado não se vive mais.
O que resta é o presente
Porque o passado ficou pra trás.

E pra trás também fica a memória,
Fica o sentimento e toda lembrança.
E pra frente é a resistência,
Caminhando lado a lado com a esperança.

Esperança, sentimento bobo,
Inútil, sem serventia.
Aliás, serve pra uma coisa,
Serve pro banho de água fria.

Aquele que aparece
Todas as vezes que os olhos brilham.
Por ouvir palavras que encobrem a verdade
Do que sentiam.

Indizível

Uma coisa é dita
Mas outra coisa se quer dizer.
A mão que afaga
É a mesma que quer bater.

O “bom dia” vem do mesmo lugar
Do sussurro contido.
O sorriso vem da mesma boca
Que fala escondido.

Olhos e ouvidos
Já não sabem como ver e ouvir.
E decifrar mentiras que vem
De onde não deveriam vir.

É infinito o poder
De paralisar.
Quando, na verdade,
O certo seria ensinar a andar.

Vejo com pesar que existem coisas
Que valem a pena a insistência.
Com tristeza, à conclusão
Chega à minha consciência.

O que uma vez foi forte
Hoje está quebrado.
Os pedaços se espalharam
por todo lado.

De tanto remendo
Ficou tudo cheio de marcas.
E agora é tarde,
Muito tarde para apaga-las.

Existem coisas que realmente
Não se recupera.
Por mais que seja o que
O coração espera.

O jeito agora é lamber as feridas
E seguir em frente.
Até porque pra ocupar o lugar,
Tá cheio de gente.

Fica a mágoa do que
Poderia ter sido.
Fica o suspense de tudo
O que foi vivido.

Fecha o ciclo, fecha os olhos
E segue o caminho.
O caminho segue, parado ou andando,
Com gente ou sozinho.

Raquel Núbia

Pressa

today is lifeSempre tive a sensação de que a vida acontecia fora de mim. De que tudo ocorre nos lugares onde não estou, com pessoas que não conheço, em lugares que nunca vi. Sinto constantemente que perco tempo. Que a vida passa sem que eu me dê conta.
Foi tão longo e penoso o período que vivi no escuro que hoje me sinto viciada na luz e não quero deixar que a vida passe pelos meus olhos, não quero apenas observa-la.
Não!
Eu quero tocá-la, senti-la, cheirá-la! Eu quero come-la inteira! Eu quero tudo! E agora eu sinto que devo querer! Eu sinto que posso! Então, como abrir os ouvidos e aquietar o peito quando me dizem que “pra tudo tem hora”?
Minha hora é agora!
Não sei até quando meus ouvidos terão o som de uma risada e a cor de um sorriso… Como posso dizer até quando as manhãs serão recomeços e não castigos? Quem vai me assegurar de que viver o presente continuará me parecendo uma dádiva e não uma punição? Quem?
Tenho aprendido tanto nos últimos meses que me surpreendo a cada dia com novos pensamentos e, principalmente, novas atitudes. Dando pra vida aquilo que eu quero receber dela.
Por que então parar? Por que manter essa energia voltada apenas para um local quando eu sinto que devo espalhar tudo por aí?
Hoje eu sei o significado da frase que diz que um dia as coisas melhoram, que a dor não dura pra sempre. A vida pulsa no meu peito AGORA. Que sentido há em esperar pra viver o agora depois?
A vida é hoje!
E hoje o que eu preciso é viver.

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Imagem: favim.com

Raquel Núbia