Divagando

A vida da umas voltas estranhas, não é mesmo? A gente se pega desejando aquilo que nunca desejou, fazendo coisas que disse que nunca iria fazer e sentindo coisas que jamais achou que ia sentir. 

Talvez o tempo seja o grande responsável por isso, como várias vezes eu já escrevi, ou talvez o grande responsável seja a gente mesmo porque, afinal, o que a gente deseja, faz e sente diz respeito a nós mesmos mesmo quando em relação a outras pessoas.

O que a gente sente e pensa dos outros quase não se relaciona com o que tal pessoa realmente é, mas sim com a nossa forma de vê-la. Nossa visão é sempre impregnada de nós mesmos e, como consequência, nós estamos em tudo o que dizemos e sentimos.

Nao sei se estou conseguindo me fazer entender…

Às vezes a gente pensa que o mundo mudou, que as coisas mudaram quando, na verdade, o que mudou foi a gente mesmo e quando a gente muda, todo o resto muda junto.

A gente redefine prioridades, redefine relacionamentos e, quase sempre, essas redefinições trazem um conforto e uma paz muito grande, pelo menos é o que se espera.

Dia desses tive a oportunidade de reparar arestas. Ainda é cedo pra dizer que retomei laços mas posso dizer que consegui polir alguns espinhos e essas oportunidades são raras. Sempre há muito orgulho a ser combatido e baixar a guarda não deve ser visto como fraqueza, nem grandeza, apenas como algo a se fazer.

Fico pensando… Se houvesse outras oportunidades, certamente eu teria algumas coisas a dizer. Mas, ainda assim, não são coisas que me sufocam, mas sim que existem dentro de mim hoje de uma forma diferente do que existia no passado.

Acho que isso vem com a maturidade que costuma nos libertar, em parte, da preocupação com que os outros vão pensar. As pessoas podem pensar tudo o que quiserem mas, acima de tudo, precisam respeitar. Nós precisamos.

A vida já costuma ser problemática demais e não precisa que a gente complique ainda mais com as nossas próprias mãos. Em certos casos, as pessoas esperam que sintamos raiva, que coloquemos a responsabilidade no outro mas nem sempre isso se aplica.

Se em algum momento você perceber que o que você sentia até ontem mudou  e não corresponde mais ao que você sente hoje, mude! Vá atrás do que você sente e do que te diz sua mente e sua verdade. A gente até constrói muros, mas pode construir pontes… Algumas já estão prontas na nossa frente, basta vontade de atravessa-las.

Raquel Núbia 

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Foto: Raquel Núbia. Niterói/RJ
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Vida real

Não importa quantos lugares você conheça, quais são os lugares que te recebem, que você vai.
Não importa com quantos compromissos você ocupa o seu dia e quantos planos você faz para a semana, para o mês, para o ano, para a vida.
Não importa quantas mensagens você envia ou quantas mensagens você recebe.
Não importa quantas fotos você posta, quantas legendas você cria, quantas indiretas você manda.
Não importa quantas pessoas te seguem, ou quantas pessoas você segue, ou ainda quantas legendas você acha que são indiretas pra você.
Não importa quantas pessoas dividem com você aquela mesa de bar, aquela história divertida e aquela risada espontânea.
Não importa quantas pessoas te dão bom dia, te chamam de linda, te elogiam e tão pouco importa quantas pessoas te viram a cara, te chamam de feia e falam mal de você.
Não importa quantos torcem pela sua derrota, nem quantas pessoas te estendem a mão.
No fim das contas, quando a porta se fecha e a luz se apaga, depois da despedida, do boa noite, do emoji e dos beijos, só resta você.
Nem que somente por um segundo, um minuto, um piscar de olhos, vem aquele momento em que tudo o que você tem é você mesmo. E então você percebe que a realidade da vida está guardada nesses momentos.
E se ter somente você com a porta fechada e a casa escura não lhe é suficiente, aprenda a se bastar. A vida exige isso de você.

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Raquel Núbia