Indiferença

Um dos sentimentos que mais me aborrecem e que menos gosto de ter é aquela sensação de deixar de admirar alguém… Quando algo se quebra, se apaga. Você olha a pessoa e simplesmente não consegue mais sentir aquele encantamento anterior. Ela simplesmente não te diz mais nada. Saiu do patamar e pessoas especiais e caiu naquele de mais uma pessoa do seu cotidiano.
Eu tento respeitar todos ao meu redor, mesmo que sejam pessoas das quais eu não goste pessoalmente, porque não conheço todas as suas lutas mas sei que estas lutas existem, assim como existem pra mim. Mas admirar, são poucas, não é mesmo?
Alumas por sua postura, outras por seu empenho, inteligência… Admiro pessoas nas quais me espelho…
E, de repetente, sentir que aquela ou aquelas pessoas que você admirava não são dignas do seu sentimento deixa a gente um pouco vazio por dentro. Faz a gente repensar em quem devemos colocar nossos esforços e quem realmente vale nossa atenção. É um eterno recomeço e aprendizado. Colocar nossa energia somente onde ela é necessário e não perder nosso tempo e sentimento com pessoas tão voltadas a si mesmo.
Isso é uma coisa que a gente precisa ter em mente. Não se trata de dosar expectativas, se trata de saber que se não te atribuem o valor que você merece, também não são dignos de serem valorizados por você.
Precisamos saber nosso lugar, ao que pertencemos e aí sim dosar o que oferecemos a quem não compartilha disso tudo com a gente.

Raquel Núbia

original
Imagem: tumblr
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Suspiro

Para ler ouvindo a música “Holding back the fire – Bittencourt Project” – video no final do post

Tem coisas que marcam a gente de um jeito que impressiona…
ÀS vezes é um cheiro, uma cor, uma música, um dia frio ou nublado… Pode ser tudo e nada, qualquer coisa.
Algumas coisas funcionam como um portal na vida da gente e assim que chegamos perto deles, entramos num caminho que nos leva direto pra muito longe ou até mesmo pra perto, não importa. O que importa é que esse portal nos transporta pra onde mora uma lembrança.
Uma lembrança viva ou guardada mas que se recupera assim que temos contato com esse estímulo.
Vez ou outra eu me pego vagando fora de mim quando me deparo com essas saudades que a gente desconhece. Em alguns momentos, nem mesmo se pode nomear como saudade, pois existem sentimentos e sensações que a gente não sabe definir.
Repentinamente a gente se preenche de um vazio, uma falta sem identificação, advinda de uma necessidade sem justificativa, sem necessariamente ser uma queixa do presente ou uma insatisfação sentida plenamente.
Se angústia é aquele sentimento que não pode ser nomeado, talvez então seja isso.
Apenas a percepção da sensação de estarmos perdidos dentro da própria vida, num mundo tão grande e num tempo tão extenso em que não conseguimos enxergar a finitude do que já vivemos e, ao mesmo tempo, sentimos latente a certeza de que sermos findos é a única e total certeza.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Muriaé/MG

Lacuna

Há dias, como esse,
em que as horas vão vazias.
E uma hora, vale dias,
Num tempo arrastado,
Sem propósito ou por que.

A mente inquieta,
Se enche de possibilidade,
Que roubam a felicidade,
Que os dias comuns
Conseguem esconder.

Na demora do ponteiro,
Vão chegando uma a uma,
Sem fazer força alguma,
Todas as peripécias
Que a cabeça apronta.

A solidão que não ajuda,
Que na ausência traz, em suma,
E sem culpa nenhuma
O que suprime diariamente
Sem nenhuma afronta.

Sobram ideias e vontades,
Só fazem desorganizar
O que já está fora do lugar,
E que não tenta, nem de longe
Ser bonito.

O céu laranja traz a noite,
com ponteiros pra mostrar,
o relógio só faz marcar,
horas e dias arrastados
e infinitos…

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Raquel Núbiaa

Pensamento

Às vezes me preencho de um vazio tão grande que me faltam os movimentos…
Me paraliso. E penso.
Afinal, o que mais resta senão o pensamento? Único capaz de libertar meus sonhos, realizar meus planos… Que outra opção escolher a não ser deixar que meus pensamentos me levem para onde a realidade não me deixa estar? São esses pensamentos que me trazem o cheiro que tanto quero sentir… eles me trazem o arrepio, o calor e o frio…
Encaro o tempo sem fechar os olhos e sinto o peso de cada parte do meu corpo me julgando por cada sorriso, que perdem a razão de existir quando os mesmos pensamentos que me realizam, me trazem à tona a culpa de sorrir enquanto outros choram…
E nesse momento, os olhos já não teimam em ficar abertos… e dando as mãos à exaustão da espera e à angústia da separação, eles se fecham, e eu me recolho. Penso, e paraliso.
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Raquel Núbia