Sobre o cultivo dos sentimentos

Definitivamente eu acredito que o pior sentimento que alguém com quem você se importa pode sentir por você é a indiferença. Aquele sentimento morno, do tanto faz, onde se arruma justificativa para a ausência e para todos os erros torpes e onde nunca há um desejo real. A falta da questão da presença, da companhia e o pior, o costume com tudo isso… O costume com a presença, o costume com a companhia e com a falta dela.
Sempre digo que o tempo rouba muita coisa da gente. Rouba o encantamento, a curiosidade pelas coisas e pelas pessoas e é uma escolha, um esforço diário manter tudo isso seja pelo que for, amigos, trabalho, relacionamentos… É sempre uma escolha e quando escolhemos não fazê-la ou quando nos omitimos, abrimos caminho para outras escolhas.
Esse tanto faz adormece o sentimento no outro, pois todo sentimento deve ser cultivado.
Obviamente há tempo e hora pra tudo. Tempo para se estar com amigos, tempo para se estar acompanhado, tempo para se estar sozinho… O que não há é tempo a perder quando se trata de demonstrar ao outro o que ele significa pra gente.
O reconhecimento é importante. Dizer e demonstrar o que se pensa ser óbvio também é. Nunca podemos estar tão certos do que o outro sente pela gente ou do que sentimos pelo outro a ponto de deixar subentendido.
Não são necessárias grandes demonstrações… Valem mais os gestos contínuos que reforçam que estamos ali, que admiramos, sentimos falta. Que mostram que a presença faz diferença e que a ausência é sentida.
Que coisa mais triste se sentir invisível, se sentir o “tanto faz”… Sentimentos não mudam de uma hora pra outra, eles agonizam e se transformam aos poucos. Então se você sente algo, mostre e se não sente mais nada, liberte e deixe ir.

Raquel Núbia 

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Foto: Raquel Núbia. Cataguases/MG
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