Vasca*

O sofrer da impaciência,
que aflige o pensamento.
Apreensão. Inquietude,
que acompanha a todo tempo.

Aflição e agonia.
Tormento e estertor.
É o mal da mente em chamas,
que se tortura com o calor.

Desassossego do poeta
que, no caos, encontra a rima.
Angústia e apreensão.
Ladrão de autoestima.

Receio, estresse, vasca.
O corpo em ebulição.
Escravo do futuro,
Com o presente em sua mão.

Contido ou generalizado,
o transtorno de ser perfeito.
É o remédio que mata
de efeito contrafeito.

Aspiração, avidez.
Esse inimigo interno.
Sofreguidão que acompanha,
até o descansar eterno.

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Foto: Raquel Núbia – Ouro Preto/MG

Raquel Núbia
*Vasca: Ânsia que precede os últimos momentos. Agonia. Momento extremo. Limite.

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Estouro

Quem, por vontade própria, deseja se apaixonar?
Entregar o peito aberto para outra mão cuidar.
Colocar o coração pulsando sem nada a proteger
E esperar que nada de mal irá lhe acontecer.

Quem, em consciência, opta por essa insanidade?
De se deixar exposto em toda sua fragilidade.
Revelar profundamente o que sempre foi guardado,
Se mostrar inteiramente, de um modo inesperado.

Qual o tamanho dessa loucura?
Que tantos outros estão a procura.
Entregar a arma que pode tirar a vida
E confiar que quem a guarda é uma mão amiga.

Qual o sentido desse sentimento?
Que de tanto senti-lo se faz tormento.
É estar nua de todas as defesas.
Deixar n’outro domínio, alegria, tristezas.

Quem por vontade própria, deseja se apaixonar?
E se já entrelaçado, como se desvencilhar?
O peito que pulsa, insano, sem proteção.
Esperando cuidado do outro… Pobre coração.

Estouro

Raquel Núbia

A volta

O sol escurece,
A noite enegrece,
E a madrugada fica mais fria.

Os segundos se tornam minutos,
Os minutos se tornam horas
E as horas se tornam dias.

Sem ao menos perceber,
É criado um casulo,
De onde não se consegue sair.

Já não há mais amigos,
Família ou inimigos.
Já não há mais querer,
Vontade ou fazer.

Há apenas um vácuo,
Um calor tão frio,
Que preenche de nada
Esse enorme vazio.

Uma luz se ilumina
No inesperado.
Após tantos pedidos,
O resgate é chegado.

E em meio a trevas,
Tormentas e escuridão,
Encontra-se uma boia,
A salvação.

Um cobertor começa a aquecer,
Aos poucos o sangue volta a correr.
Os olhos retomam um fio de brilhar,
A vontade aparece, também o desejar.

As águas revoltas ficam na lembrança,
Se tornam bagagem, memórias, distância.

Passo por passo os laços voltam,
A cada vez sentimentos retornam.
Passo por passo o caminho é refeito.
Bons e ruins, perfeitos, imperfeitos.

A cada dia uma nova chance,
E a decisão de continuar,
Mesmo que a ida seja involuntária,
A melhor parte de ir é voltar…

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Raquel Núbia