Sobre ser forte e se sentir sozinho

Quando a gente cuida de todo mundo, quem é que cuida da gente?
Quando é a nós que as pessoas recorrem e de nós que se espera que a solução apareça, quem soluciona as nossas questões e a quem podemos recorrer?
Quando nosso trabalho é ser a referência e nortear as pessoas nos momentos em que elas estão perdidas, quem é a referência que nos mostra o caminho e nos ajuda a nos reencontrarmos?
Tem hora que as pessoas ao redor parecem se esquecer de que, assim como elas precisam de alguém, nós também precisamos. Às vezes com menos frequência, menos urgência, mas com igual importância. A falta de suporte, de reconhecimento, esgota e pode exaustiva e nem mesmo o mais motivado dos sujeitos consegue suportar a solidão das lutas diárias.
Em alguns momentos parece que nos tornamos invisíveis enquanto pessoas e o que é visto são somente nossos resultados sem conhecimento de todo o resto. O que é visto é somente a persona e não interesse na pessoa em si.
Espera-se que sejamos, que façamos, que superemos, que consigamos dar conta de tudo, mas não vem ao caso o que sentimos, o que pensamos e como reagimos, aos olhos dos demais isso não é interessante. Freud nunca esteve tão certo… “somos de carne, mas temos que viver como se fôssemos de ferro”.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG
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Meu coração

Meu coração já bate apertado
Chorando os dias que estão por vir.
Você longe e não do meu lado,
Eu distante e sozinha aqui.

Meu coração bate ciumento
Por saber que há outro alguém
Que vai dividir cada momento,
Enquanto eu fico sem ninguém.

Meu coração bate angustiado
E pulsando o que não quer pulsar.
Por saber que o meu menino amado
Em outros braços vai se aconchegar.

Meu coração bate de teimoso
Porque motivo não há pra bater.
Se quem ele guarda, tão precioso,
Quando mais precisa, não pode ter.

Alto Caparaó (10)
Foto: Raquel Núbia – Alto Caparaó/MG

Raquel Núbia

Manuscrito

E olha só pra mim… Que sempre precisei de um rascunho pra escrever, vendo a mão redigir a letra e depois a palavra, pra só então tornar público o que o coração sussurra e a mente fala, aqui catalogando de primeira o batucar do meu peito.
E como batuca esse sujeito…

Pensava antes em dizer como estou reaprendendo, reencontrando, recomeçando… mas agora o que pulsa é que no meio desse monte de segundas, terceiras e infinitas chances disfarçadas de novas oportunidades, eu ainda tenho me reservado o direito de sentir.

Sinto diferente pelas mesmas coisas, sinto diferente pelas mesmas pessoas, sinto diferente até pelos mesmos sentimentos e as vezes não sinto nada… não preciso sentir.

Por hoje guardo o caderno dos manuscritos e liberto os pensamentos no improviso, como tenho me permitido fazer, ainda que poucas vezes, nas últimas semanas.

Quem é de letra no papel tem dificuldade com a tela em branco. Quem é de coração cheio tem dificuldade com coisas vazias.

Mas a tela que era branca agora está cheia de significado e o que é vazio ao meu redor não consegue mais me esbarrar, pois estou preenchida demais, não há espaço para o que não importa.

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Raquel Núbia