Choveu

Choveu.
Me encolhi.
E recolhi o que mostrava.
Silenciei palavras,
Guardei sorrisos,
Enquanto a água jorrava.

Choveu.
Me escondi.
E reneguei o que guardava.
Deixei lembranças
Na estrada torta
Por onde eu caminhava.

Choveu.
Me entristeci.
E calei o que se passava.
Nem a água,
Nem a chuva.
Sabiam o que eu pensava.

Choveu.
Permaneci.
E por dentro, atormentava.
Passado, presente, futuro
Na luta interna
Que batalhava.

Me encolhi, me escondendo.
Me entristeci, permanecendo.
Guardando pensamento outro que não só meu.

Da melancolia já conhecida.
Que vem de onde não há saída.
Que ninguém percebe senão eu:

Choveu.

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Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

Raquel Núbia

Pra hoje

Então me desculpe se eu não sei ser assim, como você.
Aprendi faz um tempo que a felicidade se esconde entre uma tristeza e outra e que os sorrisos verdadeiros costumam aparecer entre lágrimas teimosas. No final das contas só a gente sabe o tamanho dos pesos e das conquistas e às vezes fica complicado enxergar a nós mesmos com os olhos dos outros e tentar entender o que esse outro vê quando, na realidade, nem a gente sabe direito o que é e o que sente.

Então, não preciso pedir desculpas por não ser assim, como você. Não preciso me desculpar por ser como sou, nem preciso que você me desculpe.
Não preciso sequer que me aceite.
São tantos os momentos num só dia em que nem eu mesmo sei me acolher…
Se te faz feliz, faça de mim o que precisar para seguir em frente e, caso não precise, apenas me deixe continuar meu caminho.

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Alto Caparaó/MG

Raquel Núbia