Perspectiva

Engraçado como sempre colocamos nossa vida em perspectiva. Inevitável a tal da comparação do que vivemos com as pessoas que estão a volta, sejam elas reais ou irreais, próximas ou distantes, amadas ou não. Mesmo que seja sem querer, inesperadamente caímos nesse tal limbo.
Algumas vezes isso serve como um estímulo para seguirmos em frente, conquistar o que ainda não conquistamos, investir novamente no que havíamos deixado parado.
Outras vezes serve exatamente para o contrário… Como desânimo, desalento de uma possível realização ou situação que nunca chegará.
Mais intrigante mesmo é que quando olhamos para fora, não costumamos nos comparar de uma forma que nos permite enxergar o quanto já caminhamos, o quanto já conseguimos. Pelo, contrário. Geralmente é para vermos o quanto ainda achamos que precisamos correr, andar, dedicar, sofrer e lutar para conseguir algo mais.
Pessoalmente eu tento me policiar constantemente porque sei que sou minha pior inimiga nesse sentido. Posso me cobrar de maneiras impensáveis e por isso vigio para que não atropele meus próprios sonhos, para que possa desfrutá-l0s verdadeiramente e não apenas para somar mais um resultado, mais um êxito.
Sugiro, se é que posso, que façam isso também.
Cuidem de suas vidas e de seus projetos como eles realmente são: somente seus.
Fiquem atentos para que, ao se colocarem em perspectiva, não se enganem, usando lentes de aumento para o que veem lá fora e lentes embaçadas para o que veem por dentro.
Sejamos reais por nós mesmos. Afinal, nós não precisamos provar nada para ninguém.

Raquel Núbia

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Foto: Leandro Oliveira – São João Del Rei/MG

Dos motivos errados

Tem dia que parece que foi feito para mostrar pra gente que não é permitido sonhar. Na verdade, não são dias inteiros (às vezes são), mas alguns momentos que trazem a realidade socando a porta no intuito de lançá-la ao chão e escancarar a verdade com ou sem a nossa permissão.
Quando é assim, me questiono a real motivação do “sonho”: “Por que estou fazendo isso? Por que quero aquilo? Por que tenho pressa?”
Às vezes me flagro no ímpeto de realizar coisas, somente (quase somente) para provar um ponto de vista e isso me incomoda.
Não há nada de errado em se espelhar em alguém, em ter um modelo, até mesmo uma inspiração, mas não é disso que estou falando.
Estou falando de um sentimento mesquinho de validação, direcionado a pessoas que não tem valor (em qualquer sentido) e, portanto jamais poderiam validar a mim ou a outras pessoas de qualquer forma.
Já faz bem tempo que deixei de viver conforme o desejo do outro e me policio constantemente para fazer as coisas pelos motivos certos, e não esperando um retorno de outras pessoas, ainda mais de pessoas que não me acrescentam nada, muito pelo contrário.
Acho que a vida é assim mesmo e vez ou outra exige um esforço danado para que a gente se lembre de lutar, seguir e persistir pelos motivos certos.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – Alto Caparaó/MG

Hoje acordei

Hoje acordei no tempo errado…
querendo ter nascido no século passado.
Onde os dias me parecem mais brilhantes,
Onde o tempo correria ao meu lado.

Hoje eu acordei sem céu azul,
Me sentindo uma pessoa tão comum…
No pensamento meus sonhos tão distantes,
E dentre eles houve espaço pra mais um.

Um sonho onde o tempo fica frio,
Mas não carrega o ar sombrio
que hoje enfrento tão presente.

Onde em uma fotografia desbotada,
eu teria ali guardada,
essa memória tão pungente.

Hoje acordei

Imaginando que no século seguinte,
eu estaria com requinte
ocupando meu lugar.

Onde as manhãs fossem mais claras,
as pessoas fossem raras,
não se importando em se importar.

Hoje eu acordei no tempo errado,
caminhei de lado a lado
tentando me convencer…

De que hoje é o momento certo
pra fazer chegar mais perto,
a pessoa que quero ser.

Raquel Núbia

Sonhos

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Corremos tanto atrás dos nossos sonhos… Mesmo os mais bobos, mesmo os mais impossíveis… Se sabemos que não podemos alcança-los porque são simplesmente sonhos… então apenas sonhamos…
Dizem que “sonhar não custa nada”…Será?
Sonhar às vezes pode custar caro, principalmente quando sonhamos o sonho dos outros ou quando não sabemos ou temos certeza dos nossos… Eu não sei ao certo o que sonho, mas sei que a minha realidade não é exatamente a que eu queria.
Às vezes perseguir sonhos é como correr atrás do vento que carrega uma bolha de sabão, quando você chega perto e toca, ela estoura…
Algumas vezes nos sentimos assim, como se os sonhos que achávamos estar sonhando juntos fossem só nossos… Ou nem fossem sonhos… Apenas a realidade que alguém nos disse pra viver…

Raquel Núbia

Sonhos

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Corremos tanto atrás dos nossos sonhos… Mesmo os mais bobos, mesmo os mais impossíveis … Se sabemos que não podemos alcança-los porque são simplesmente sonhos… então apenas sonhamos…
Dizem que “sonhar não custa nada”…Será?
Sonhar às vezes pode custar caro, principalmente quando sonhamos o sonho dos outros ou quando não sabemos ou temos certeza dos nossos… Eu não sei ao certo o que sonho, mas sei que a minha realidade não é exatamente a que eu queria.
Às vezes perseguir sonhos é como correr atrás do vento que carrega uma bolha de sabão, quando você chega perto e toca, ela estoura…
Algumas vezes nos sentimos assim, como se os sonhos que achávamos estar sonhando juntos fossem só nossos… Ou nem fossem sonhos… Apenas a realidade que alguém nos disse pra viver…

Raquel Núbia

Eu quero

Eu quero paredes brancas, eu quero janelas abertas…
Eu quero varanda molhada, eu quero uma vista discreta.
Eu quero vidros limpos e uma vegetação lá fora…
Eu quero uma escrivaninha sem compromisso com a hora.
Eu quero café para dois, com xícaras sobre a mesa.
Eu quero meias nos pés e sonho de sobremesa.
Eu quero o silêncio da chuva…
Quero o prazer da solidão.
Eu quero uma folha em branco e uma caneta na mão.
Eu quero um mural de fotos, com fotos de gente comum.
Eu quero poltronas e mantas.
Eu quero lugar para mais um.
Eu quero um tempo pra mim.
Eu quero chorar e sorrir.
Eu quero encontrar uma forma,
De querer e também conseguir.

Eu quero

Raquel Núbia

Ser feliz ou ter dinheiro?

No momento social que vivemos hoje, a questão me parece ser somente essa: ser feliz ou ter dinheiro?
Trabalhamos dia após dia para garantirmos o suprimento de nossas necessidades básicas e trabalhamos mais um pouco buscando suprir outras necessidades nem tão básicas assim… Entretanto, nisso tudo há uma situação contraditória e mais comum do que deveria.
Passamos a maior parte dos nossos dias no trabalho, e quando temos tempo livre para desfrutarmos do que conseguimos com ele, estamos tão exaustos – física e psicologicamente – que não encontramos energia para fazer o que tínhamos planejado enquanto trabalhávamos…
Algumas vezes nos questionamos, outras temos certeza de que o melhor a fazer seria diminuir o ritmo, mudar de área, parar um pouco, mesmo que isso signifique que perderemos o poder de realização de algumas daquelas necessidades supérfulas que falei anteriormente… Mas o medo parece paralisante ao pensarmos nisso:
“E se eu precisar do dinheiro que ganho? E se houver uma emergência? E se eu conseguir um tempinho extra? Daqui uns meses eu tiro férias… Vou tirar uns dias de folga depois que entregar aquele trabalho importante”.
Será que realmente levamos a sério os nossos desejos?
Tudo passa e, por mais que soe clichê, ninguém é insubstituível…
Dessa forma nossos dias estão passando enquanto nos ocupamos cada vez mais hoje, planejando um futuro que não chega nunca. Nos entregamos às rotinas acreditando que somos vitais quando na verdade deixamos de lado coisas e pessoas que jamais nos substituiriam…

Ser feliz ou ter dinheiro
imagem encontrada na internet

Raquel Núbia