O que é você

Continuando no intuito no post anterior, compartilho hoje mais um conteúdo antigo que ainda não havia sido postado. Essa é do ano de 2009:

“O que é você

Que abraço é esse?
Que braços são esses que insistem em me envolver?
Que abraço é esse que afasta o que há de ruim?
Que mãos são essas?
Que toque suave e ardente possuem…
Mãos que dizem tudo quando encontram minha pele…
Mãos poderosas que controlam até minha respiração…
Que boca é essa?
Que abriga o mais belo sorriso, que diz os maiores feitiços…
que beija o melhor dos beijos…
Que sonho é esse?
Que sonho é esse que insisto em viver?
Que tira eu sono, me revira na cama…
Que me enche por todos os poros com o sabor da incerteza
com essa dor de não saber…
Esse sonho que estampa no meu rosto o mais lindo sorriso,
que transfere para o papel o mais nobre sentimento…
Esse sonho são seus braços,
seu abraço,
suas mãos e sua boca…
Esse sonho é você.
Que teima em me fazer te querer cada vez mais.
Que faz com que cada dia seja a mais doce e prazerosa tortura,
por te amar tanto,
fazer você sentir esse amor e ainda assim,
não poder te ter, e ainda assim,
não poder dizer…”

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia
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Dia #27 – 30 DAY BLOG CHALLENGE

27

Sou atraída pelo diferente.
Pelo que foge a mim mesmo e me mostra o novo, me proporciona a oportunidade de estar em lugares (objetivos ou subjetivos) que por mim mesmo não estaria.
Sou atraída pelo simples.
Pela falta de esforço no convencimento e pelo que se apresenta sem dificuldades, sem maneirismos ou acordos sociais.
Sou atraída pela autenticidade.
Pela lealdade daqueles que se permitem ser o que são, se encaixando ou não mas se adaptando da melhor maneira possível.
Nesse mundo de gente grande, somos obrigados, forçados, compelidos a conviver com mais um mundo de gente, e gente que nem sempre atrai a gente, muito pelo contrário, gente que repele.
O que me repele é o oposto do que citei acima: gente ordinária, gente apegada às convencionalidades e que coloca o social, o aparente acima da fidedignidade das relações, gente que engole a gargalhada alta para caber o sorriso contido aonde não há espaço.
Me atrai a possibilidade de ser o que sou e, de um dia quem sabe, poder viver inteiramente o que hoje vivo aos poucos. Portanto, quem me atrai é quem compartilha comigo dessa mesma intensão.

Editada no Lumia Selfie
Foto: Raquel Núbia

Abraços,

Raquel Núbia

Desencanto

Hoje, de repente, me bateu aquela saudade de escrever…
Mas não escrever abrindo uma tela em branco e escolhendo teclas e sim escrever com uma velha caneta, num caderno, numa folha, num rascunho, num espaço qualquer. Tecendo as letras uma a uma numa grafia atrapalhada, dispensando no papel tudo o que fica passeando pela cabeça e que fica agarrado no coração e na memória.
Tempo atrás escrevi sobre a importância de conseguir escrever sem rascunhar, mas hoje me pego refletindo o que esse momento do rascunho significa.
O momento vivido no silêncio interrompido somente pelo toque da caneta no papel era aquele só meu, de mais ninguém, e só depois, às vezes bem depois mesmo, é que eu decidia se esse momento seria de mais alguém.
Complicado transformar sonhos em realidade… E hoje me sinto estranhamente lidando com a sensação de que devo satisfação pela ausência ou presença das minhas produções… Uma cobrança que vem justamente daquele conteúdo que fica passeando pela cabeça e que fica agarrado no coração e na memória.
Talvez, ao se tornar realidade, os sonhos percam seu conteúdo de fantasia, e passem a ser só mais alguma coisa do dia. Talvez por isso me venha a saudade de escrever, escrever de verdade, com a minha verdade.

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(Raquel Núbia – Foto: Leandro Oliveira / Petrópolis – RJ)

Raquel Núbia

Sou eu

SOU EU2

Sou eu quem domina seu riso,
o seu pensamento.
Sou eu quem invade o seu sonho,
o seu sofrimento.
Sou eu quem na sua memória
fá faz morada.
Sou eu quem te grita a realidade,
mesmo calada.

Sou eu quem você busca
por sentir sua exclusão.
Sou eu o caminho que trilha
por não ter atenção.
Sou eu a quem recorre
para se afirmar.
Sou eu quem você encontra
quando quer se espelhar.

Sou eu quem você culpa
por todo o seu fracasso.
Sou eu quem te deixa pra trás
quando aperta o passo.
Sou eu que te levanto
e que te faço cair.
Sou eu que te dou a migalha
que te faz sorrir.

Sou eu que a cada minuto
seco suas gotas de esperança.
Sou eu que te faz gritar
toda sua “confiança”.
Sou eu quem te faz pensar
que ainda é alguém.
Sou eu quem te responde
quando não te responde, você sabe bem.

Sou eu quem a vida te deu
embrulhada pra presente.
Sou eu a bebida indigesta
que deixa o seu peito quente.
Sou eu indigesta surpresa
que você precisa engolir.
Sou eu que os seus medos de criança
não permitem deixar ir.

E ao chegar a madrugada da noite escura,
você irá se perder e te fará exausta a procura.
Seu sono irá fugir e a insegurança te emaranhar,
Minha voz vívida em sua cabeça irá sussurrar:

“sou eu”

Raquel Núbia

Verdades

Eu minto pra você
E você mente pra mim.
Você finge que sou eu quem você quer ter,
E eu finjo que está bom assim.

Você mente pra mim
E eu minto pra você.
Eu finjo que sou feliz e forte,
E você finge que não vê.

Eu minto pra você
E você mente pra mim.
Eu digo o que sonhei dizer,
Pra ouvir o que sonhei e seguimos assim.

Você mente pra mim
E eu minto pra você.
Fico na espera de um sim que não vou receber.
E você esperando que chegue enfim.

Eu minto pra você
E você mente pra mim.
Fingimos não entender
A dor que queima em cor carmim.

Bate no meu coração
O que apela em você.
Mentir um pro outro,
Porque é o que há pra fazer.

Se fosse em outro universo
Com toda certeza não seria assim.
Mas sendo tudo como é
Seguimos mentindo até o fim.

Se é que ele virá…

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imagem: favim.com

Raquel Núbia

Conto

“Não sei há quanto tempo estou correndo quando paro e olho para trás. A adrenalina corre imponente pelo meu corpo e eu descanso as mãos nos joelhos tentando recuperar o fôlego e controlar minha respiração. Sinto cada parte do meu corpo formigando, exclamando por mais oxigênio para que possa recuperar o domínio sob suas funções.
Continuo o caminho, desta vez com passos mais calmos e lentos afinal, já não faz sentido correr tanto, pois quero acreditar que estou segura, mas como posso estar segura se não há ninguém por perto?
Desvio meu pensamento e tento me convencer de que corri o mais rápido e para o mais distante possível e que nada poderia me alcançar ali senão eu mesmo. Subitamente percebo que a única coisa que tenho feito nos últimos tempos é correr…
Correr dos planos traçados, das pessoas, das oportunidades, de mim, da verdade.
Como não percebi isso antes?
Fecho os olhos e tento imaginar um lugar bonito e calmo, com águas claras e o silêncio de que preciso para escutar minha própria voz, de repente minha música favorita me vem à cabeça e cantando mentalmente percebo como cada verso me dá um tapa na cara me lembrando das verdades em que eu acreditei e hoje finjo acreditar.
Me sinto como se estivesse completamente nua e o fôlego me falta novamente, dessa vez não por causa de um corrida intensa, mas devido a velocidade dos meus pensamentos que agora me sufocam.
Novamente sinto a adrenalina realizando seu trabalho e não evito uma olhada por cima dos ombros, estou com medo. De que? De quem? Será que vão me alcançar?
Me dou conta de que preciso continuar correndo, talvez encontrar alguém, mas quem?
Me questiono quase sem querer se vale a pena tanto esforço quando seria tão mais fácil apenas continuar caminhando já que sempre sou encontrada, até quando não quero. Quem sabe o melhor não seria mesmo continuar com meus passos calmos fingindo que não sei o perigo que corro até que sinta aquele velho toque batendo no meu ombro, me pegando pela mão e me guiando de volta pelos velhos caminhos que eu nunca quis conhecer…
Estou parada sem conseguir chegar a lugar algum.”
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Raquel Núbia