Da janela

Tenho visto a vida
Passar pela janela.
Tenho visto a manhã clarear
E tudo o que vem com ela.

Da janela eu vejo gente,
Vejo carros e vida a passar.
Cada um com seu destino,
Na pressa de seu caminhar.

Minhas horas, que hoje eu conto,
Passam de forma diferente.
É da janela que os ponteiros somam,
Ao passar de tanta gente.

Da janela eu vejo a tarde,
Que vira noite, impiedosa.
E depois são madrugadas
Que são sempre melindrosas.

Da janela eu observo,
Pois o que me cabe é solidão.
De acompanhada estar só
E ver bater fora de mim, meu coração.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia

Tácito

Tem dia que o coração fica calado,
E cala também a vontade de querer.
E quando tudo fica assim, silenciado,
Acha difícil achar motivo pra bater.

O tempo pode roubar o que cuidamos,
E maquiar o sentimento tão bonito.
Mesmo calados, seguimos e esperamos,
Um outro dia, com mais palavras, menos aflito.

Uma atitude, derruba tudo em um rompante.
E nem mil palavras poderão recuperar.
Pois o que se perde em um só instante,
Pela mágoa causada, pode nunca mais voltar.

A noite traz o brilho da estrela lá no céu.
Mas em breve o sol é quem vai iluminar.
Então escrevo o meu silêncio no papel,
Para que ele não consiga me sufocar.

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Foto: Raquel Núbia – Rio das Ostras/RJ

Raquel Núbia

Tempo

E quantas vezes mais
ainda vou me sentir calar
quando, por dentro,
um silêncio não demora a me sufocar?

Quantas vezes ainda
vou ficar querendo ir,
sentindo o corpo paralisado,
me sentindo parar de sentir?

Quanto tempo falta
pra poder ir onde e quando quiser?
Pro coração bater aliviado
e não se entristecer com coisa qualquer?

E quanto tempo mais
haverá essa intensa briga,
entre coração e pensamento,
onde a mente teimosa e dura
se sobrepõe ao sentimento?

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Foto: Raquel Núbia

Raquel Núbia