Relembrando: Sobre ser folhas ao vento

sobre ser folha ao vento

Sobre ser folha ao vento

Tem dia que a gente acorda num lugar querendo estar em outro. Sente falta do sol, do tempo, do vento frio e das outras ruas por onde já caminhamos. Das esquinas diferentes, dos bom dias dos estranhos que nunca mais vimos… É uma saudade de algo que nem se tem certeza de que se viveu. Eu gosto de ter raízes, mas também preciso me sentir como a folha solta que o vento leva… “

Raquel Núbia

“Ponto&Vírgula” – Post 05

Em um mundo com tantas inspirações, respirar é preciso

Todo esse discurso de auto aceitação é muito lindo, muito necessário e tem sido muito discutido e divulgado, entretanto há uma grande diferença entre um discurso e sua ação prática.
Existem tantas histórias inspiradoras, de pessoas que lideram mudanças e atuam como multiplicadores de uma nova ideologia. Mas o que é “inspiração”?
Não sei quanto a vocês, mas eu acredito sim no poder do estímulo, entretanto a decisão do quanto esse estímulo ou “inspiração” vai modificar o comportamento ou pensamento do sujeito, está unicamente nas mãos desse indivíduo.
Claro que, quanto mais exposição a fatores de inspiração positiva, maior a probabilidade de que esse fator atue efetivamente para uma mudança positiva, porém se a mudança não ocorrer internamente, não já inspiração que baste e seja suficiente.
Eu, particularmente, tenho um pouco (leia-se muita) dificuldade de “comprar” esse discurso, esse lifestyle.
Geralmente as pessoas recorrem muito a argumentos ligados a “mantras” do tipo: “basta se dedicar”, “quem quer, consegue” e coisas do tipo.
Eu não poderia discordar mais!
Às vezes não basta querer. Às vezes não basta dedicação. Às vezes a vida exige muito mais do que isso! E esse discurso que coloca tanta responsabilidade e poder sobre o sujeito pode ser uma fonte inesgotável de frustração!
A gente costuma aprender muito cedo que a vida não é justa e quase nunca divide as coisas boas que distribui em partes iguais (eu, pelo menos, aprendi isso faz um tempo). Essa divisão nem sempre depende de nós. Algumas sim, mas nem todas.
A gente pode oscilar muito entre os desejos, objetivos e a quantidade de esforço que estamos dispostos a fazer e essa variação está atrelada a uma infinidade de motivos.
As pessoas se motivam de diferentes formas e dispõem de diferentes recursos.
Nem sempre uma foto ou uma história emocionante bastam para causar uma mudança interior. Aliás, “uma história” ou a história de uma minoria (minoria aqui como grupo em menor quantidade, no geral) não deve ser tomada 100% como exemplo, como regra geral.
Se aquela minoria/pessoa conseguiu algo, seja lá o que foi, isso pode significar que, sim, você também pode conseguir ou que talvez você não consiga, ou ainda pode não significar nada! E tudo bem!
T-u-d-o B-e-m!
Eu não tenho que conseguir apenas porque alguém conseguiu, fazer porque alguém fez, buscar superação porque alguém se superou e, principalmente, eu não preciso querer apenas porque o outro quis.
E falo tudo isso na primeira pessoa porque é algo que eu preciso aprender e, talvez, você também.

Vamos parar só um momento para analisar:

De tudo o que nos dedicamos, das nossas metas, do quanto buscamos, quantas coisas condizem com a nossa verdade? O que é real?
De todas as nossas frustrações, chateações, dos desânimos que sentimos, quantos são advindos dessas coisas que não são nossas?
São muitos imperativos usados hoje em dia.
São muitas frases de efeito.
São muitas exceções se tornando regra.
A gente não “tem que” nada!
Você não “tem que” inclusive ler esse texto até o final ou concordar com o que eu escrevo.
A gente deveria mesmo era se comprometer com os nossos desejos originais, estabelecer nossos limites e lembrar sempre que somos nós que fazemos essas definições. E que possamos fazer da melhor forma possível e de maneira responsável.
Mas, voltando no primeiro parágrafo desse texto:

Todo esse discurso de auto aceitação é muito lindo, muito necessário e tem sido muito discutido e divulgado, entretanto há uma grande diferença entre um discurso e sua ação prática.

Sendo assim:
Faça o que você quiser, do jeito que quiser.
No final, a gente é cobrado de qualquer forma e às vezes somos julgados também.
Que, frente a isso, sejamos justos com os outros e com a gente mesmo.
O meu querer não é o seu.
A minha motivação não é a sua.
As minhas dificuldades não são as suas.
A minha vida não é a sua e a sua vida não é de mais ninguém.
Recorrendo ao mesmo imperativo que critiquei ainda agora: Escolha quem VOCÊ quer ser e seja.

Raquel Núbia

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Sobre a realidade

Tem dia em que a gente acorda querendo ser e fazer tudo… E num mesmo instante se questiona o quanto mais deveria seguir.
Porque também há momentos em que a gente não quer ser nem fazer nada, apenas viver toda a realidade que há pra se viver, sem se ater a todas essas realidades fantasiadas que criaram pra nós e que nós, de bom grado, aceitamos.
Eu não sei mais se quero continuar com essas minhas realidades virtuais… Às vezes parece que elas me absorvem tanto que perco um pouco da motivação.
Na verdade esse é um quesitonamento recorrente pra mim e toda vez que ela aparece o que me segura são os resultados que conquistei até aqui: Será que consigo mesmo deixar tudo pra trás? Tudo o que me levou tanto tempo e dedicação para conseguir?
E deixar pra trás justamente quando está dando tudo tão certo?
Será essa a sensação de chegar ao final do arco íris e não saber o que fazer com o pote de outro?
E será que esse é mesmo o final do arco íris?
Eu não sei.
Mas sabe o que sei?
Sei que, se é para sofrer de ansiedade, que seja por motivos reais e não por posts e números.
Mas então entra outra questão: O que é e o que não é real?
Acho que a pergunta correta é “o quão relevante são essas realidades”.
Eu não sei se foi o que pensei antes de dormir ou se foi o que sonhei… Mas hoje eu acordei no dia em que não quero ter a necessidade de ser algo ou alguém, nem ter nada nem ninguém.
Apenas ser alguém que tem a si mesmo.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira