Empatia

É incômodo perceber como algumas coisas óbvias não são consideradas no nosso cotidiano, como conseguimos nos esquecer de princípios básicos que facilitam e guiam a convivência com nosso pares sendo amigos próximos ou não.
Já fazem algumas semanas em que eu me peguei pensando nisso e hoje, novamente, isso me veio à cabeça quase como um grito de revolta. Por isso me senti compelida a rascunhar pretensamente as orações que se seguem e espero, de verdade, que elas levem as pessoas, uma que seja, à reflexão:
– Ao abrir uma porta, peça licença.
Seja uma porta física ou simbólica. Não invada o espaço do outro, qualquer que seja, sem antes pedir autorização para entrar.
– Ao se queixar, seja assertivo.
Quando for relatar um problema alguém, vá direto ao ponto, critique a situação em si e busque melhorias. Não procure culpa ou culpados. E, principalmente, não desmereça um histórico de trabalho e ações por um tropeço.
– Ao se colocar, pense no outro.
Defendo sempre a necessidade de nos colocarmos como prioridade, mas isso não implica em desconsiderar o outro, quem nos cerca. Pense! Se você está triste, cansado, estressado, nervoso, angustiado, o outro também pode estar, no mesmo momento. O fato desse outro não falar nada ou não demonstrar, não significa que ele não sente, apenas que sente e demonstra de maneira diferente da sua. E quem disse que há maneira certa?
– Ao pedir atenção, tenha moderação.
Você pode sim deixar claro para quem te importa que gosta e aprecia companhia e que a atenção é importante. Mas tenha cautela para não se tornar um fardo que o outro carrega, uma obrigação a ser cumprida, pois laços forçados não são laços, são nós.
Certamente poderia continuar listando inúmeros outros itens, mas esse não é o intuito, não há necessidade de me prolongar, pois acho que todos já compreenderam aonde quero chegar. A empatia precisa deixar de ser uma palavra vazia ou um conceito utilizado somente com estranhos em situações extremas.
Se coloque sim em primeiro lugar, mas lembre-se que você não está sozinho e sim cercado por uma multidão que não tem a menor obrigação de pensar, ser e sentir como você.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia
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DIA #24 – 30 DAY CELEBRATION

24

Águas que levam as dores e trazem lembranças.
Lavam o cansaço, mostra esperança.
Cheiro de brisa que invade a alma,
sons naturais que devolvem a calma.
Nas sensações do corpo na água pura
onde somente o sal guarda amargura,
sente a leveza de estar entregue,
e deixa que a água do mar te carregue.
No ceú azul, poucas nuvens se atrevem,
Mas não apagam o sol, não conseguem.
Sempre o lugar que me acolhe a esperar,
que não encontro em nenhum outro lugar:
ah… mar…

Raquel Núbia

Editada no Lumia Selfie
Foto: Raquel Núbia – Rio das Ostras/RJ

 

Tempo

E quantas vezes mais
ainda vou me sentir calar
quando, por dentro,
um silêncio não demora a me sufocar?

Quantas vezes ainda
vou ficar querendo ir,
sentindo o corpo paralisado,
me sentindo parar de sentir?

Quanto tempo falta
pra poder ir onde e quando quiser?
Pro coração bater aliviado
e não se entristecer com coisa qualquer?

E quanto tempo mais
haverá essa intensa briga,
entre coração e pensamento,
onde a mente teimosa e dura
se sobrepõe ao sentimento?

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Foto: Raquel Núbia

Raquel Núbia

Ciclo

 

A vida é feito de ciclos.
Nada dura para sempre, pois tudo se transforma.
O que era bom pode ficar ainda melhor.
O que era ruim pode piorar ou melhorar, por que não?
Os sentimentos mudam, e se não mudam os sentimentos, o que pode mudar é a forma de sentir.
Seja o que ou quem for o objeto da mudança que traz o encerramento de um ciclo, é necessário desapegar para que outras coisas e pessoas possam chegar…

Deixe ir.

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Foto: Leandro Oliveira / Petrópolis – RJ

Raquel Núbia

Sobre o que deixamos de falar

São muitas as frases atribuídas à Freud (médico neurologista, criador da Psicanálise), mas de todas elas, verdadeiras ou não, existe uma que ao meu ver é imbatível e inegável: “Cala-se a boca, falam as pontas dos dedos”.
Podemos sim fechar nossa boca, calar tudo o que sentimos, não responder a provocações, não revidar agressões… Podemos não responder a sentimentos, não corresponder à investidas alheias, tudo isso podemos.
Mas quando a demanda é grande, quando as coisas transbordam dentro de nós, de uma forma ou de outra, nos manifestamos. E nesse momento não são somente os dedos que falam… Falam também as unhas roídas, a mordida no canto da boca, a insônia, a falta de apetite, a dificuldade de concentração, a falta de vontade e o excesso de pensamentos. Tudo isso fala.
Quando se cala com o coração em paz, tudo se acalma.
Mas quando o silêncio vem da impossibilidade de ação, a calma é capa para páginas rabiscadas…
Observe.
Observe quem se cala a sua volta, mas observe acima de tudo você.
Saiba ler além das palavras.
Não se negue a oportunidade de ouvir o que seus dedos lhe dizem.

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Raquel Núbia

Penso, logo…

Às vezes nos preenchemos de um vazio tão grande que nos faltam os movimentos…

Isso nos paralisa… E apenas pensamos…

Afinal, o que mais resta senão o pensamento? Único capaz de libertar nossos sonhos, realizar nossos planos… Pensamentos que são confidentes, são o segredo e o que os fazem secretos. Por meio deles realizamos os desejos mais impossíveis: amamos, odiamos, conquistamos, derrotamos… São esses pensamentos que nos trazem o cheiro que tanto queremos sentir… eles nos trazem o arrepio, o calor e o frio.

Que outra opção escolher a não ser deixar que nossos pensamentos nos levem para onde a realidade não nos deixa estar?

Penso, logo

Raquel Núbia

50°

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Eu não gosto de dias cheios,
dias corridos…
Eu não gosto do pouco tempo,
tempo perdido…
Eu gosto dos dias vividos
com amor e alma.
Eu gosto do carinho
sentido com calma.
Eu preciso sentir o tempo
caminhando comigo,
de mãos dadas como
um velho amigo.
Eu queria para um pouco
pra pouco sentir.
E depois de sentir o tempo
parado:
Seguir.

Raquel Núbia

Anseio

Ah…
Não é só vontade da gente…
é desejo de sentir seu corpo quente,
e o perfume da sua pele inebriar…

Não é só desejo carnal,
é necessidade, é anseio vital,
dentro de você me perder, me encontrar.

Ah…
Não é só vontade ver você sorrindo
enquanto sente aos poucos a força se esvaindo
e tem a certeza de que é por você…

É a tranquilidade de me dar sem fingir,
de ser tudo o que quero sem me trair,
atender seus desejos em tom natural.

Não é só carência de corpo e prazer,
é necessidade de amar você,
ser inteira sua em entrega total.

dfg
Imagem: favim.com

Raquel Núbia