Relembrando: Sobre ser folhas ao vento

sobre ser folha ao vento

Sobre ser folha ao vento

Tem dia que a gente acorda num lugar querendo estar em outro. Sente falta do sol, do tempo, do vento frio e das outras ruas por onde já caminhamos. Das esquinas diferentes, dos bom dias dos estranhos que nunca mais vimos… É uma saudade de algo que nem se tem certeza de que se viveu. Eu gosto de ter raízes, mas também preciso me sentir como a folha solta que o vento leva… “

Raquel Núbia

Relembrando: Poema dos 60 versos

Daqueles poemas que a gente escreve sem perceber o tamanho do fluxo de pensamentos, até que se depara com versos intermináveis que poderiam ser ainda mais infinitos frente a enormidade do sentimento.

poema dos 60 versos

Poema dos 60 versos

Não fica assim, tão tristinha
acha que tenho lembranças suas
mas é você que tem lembranças minhas.

E não, você não é mais uma menina
e tão pouco, sou eu!
por que se esconde no presente
do que, no passado, aconteceu?

Cresce! Seja real!
Já não há normalidade
entre o que diz e o que faz,
entre suas mentiras e a verdade

Todo mundo tem seus demônios
Todo mundo guarda feridas…
O que você viveu não é nada demais!
É simples. É apenas a vida.

Você sabia que ela acontece?
e que as pessoas seguem os seus caminhos
e normalmente, deixam pra trás
quem os deixou seguir sozinhos?

Não seria essa a melhor opção?
e, se não for, que pelo menos seja genuína
e não se esconda por trás de sorrisos
e de uma aura que não combina.

Mas não se iluda, não engane a si mesmo
a sua imagem é memória solta que vai e vem, sempre a esmo.

Não se convença de que você
tem residência em outro pensamento,
você força sua presença
mas esvanece num só momento.

E o pensamento que lhe condiz
não é de quem você tanto mendiga
pois a quem, um dia, deu seu amor
tem asco e desdém, é náusea antiga.

Se estivesse perto certamente saberia…
e as gargalhadas e gozo ouviria.

Mas a presunção,
te prende num mundo que gira ao seu bel prazer,
enquanto o mundo de outros gira independente de você.

E sempre que alguém relata sua auto piedade,
a descrença é presente, pois não há sanidade.

Veja só quantos são os versos
e poderia continuar,
num poema que não tem fim,
que diz tudo o que quero falar.

Sei que minhas palavras ao vento são migalhas,
que te alimentam e recompensam a sua loucura.
Mas, sinceramente não me importo.
Se alimente delas e as tempere com sua amargura.

Pra quem tanto falava em consciência pesada,
congratulações pela postura fracassada!
Pois aos meus olhos e aos de quem você chama de amigos,
são os seus pensamentos seus piores inimigos.

Recolhe os pedaços do seu coração,
e tenta andar sem olhar pra trás,
pois a vida que vivem aqueles que odeia,
certamente não lhe trará paz.

Não existe essa história de vida perfeita!
basta saber o que fazer com as decepções
E pode jogar praga e pode agourar,
Jamais vai tocar nesses dois corações.”

Raquel Núbia

Relembrando: Déjà Vu

Dos meu sentimentos, o mais conhecido…

déjà vu

Déjà Vu

Tem dia que parece que nasce com cara de passado.
Com cheiro de ontem
e com passarinho cantarolando música repetida…

Tem dia que nasce com cara de lembrança.
Com cores de outra hora
e com parágrafos e pontos de história vivida.

Tem dia que nasce com vento soprando o céu frio.
Com jeito de câmera lenta
e com sons que despertam de dentro da cabeça.

Tem dia que parece reviver de outro tempo.
Com reprises da vida
e com memórias despertas até que adormeça.

Tem dia que nasce turrão e antigo.
Com o rosto conhecido
e com o elo forte que mostra passado e presente unidos.

Tem dia que começa com jeito de monotonia.
Com a mão estendida
e com os braços abertos para melancolia.

Tem dia.”

Raquel Núbia

Luminoso

Sou tão jovem e nada sei,
Mas sei que guardo em mim
um amor imensurável,
um amor sem fim.

Te olho nos olhos e vejo
a imensidão em um ser tão pequeno.
Que é grande no que faz sentir,
que é tormenta e que é sereno.

Um pedaço de mim que vive.
Que respira e bate coração.
A obra perfeita do Pai
que pedi em oração.

De tudo que eu não conheço,
e das coisas que um dia eu vi,
é o amor mais absoluto
que transborda do peito a sorrir.

Sou tão jovem e pouco sei,
mas sei que tenho em você,
um amor inabalável,
um amor que jamais vai morrer.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia

Avelhantado

De tempo em tempo eu me reconheço como uma alma velha presa num corpo ainda a envelhecer. Às vezes experimento um cansaço das coisas, fatos e pessoas que somente almas velhas poderiam sentir… Ao mesmo tempo cultivo sentimentos velhos, empoeirados, que ficam guardados lá no fundo de uma gaveta tão velha quanto que de vez em quando o inconsciente deixa abrir, trazendo à consciência aquele cheiro de naftalina que conserva o que senti há tanto tempo e que insisto em manter guardado, mesmo sabendo que mantendo-os chegará o momento em que eles serão lembrados, ainda que não por vontade própria.
Tais sentimentos velhos são acordados por cheiros, pelo clima, por palavras, pelos meses que se repetem ano a ano e devolvem as lembranças do passado.
Tem dia que a gente acorda com gosto de ontem, do mês passado, dos anos anteriores, do que vivemos e nos marcou, do que ficou inacabado, do que não foi dito, do que foi pensado e repensado, do que nos disseram e do que nos fizeram silenciar.
Sentimentos velhos não me acrescentam em nada… Acredito que não acrescentam nada a ninguém, mas nem sempre disponho da energia de uma alma jovem para lembrar de esquecer.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia

Sobre as mudanças do clima

Amanheceu chovendo e eu achei que ia ficar assim o dia todo, mas o sol abriu, só continua chovendo aqui dentro.
Aqui eu continuo com aquela sensação de encolhimento, de reserva, de querer morar dentro de uma foto da janela que emoldura a vegetação molhada, com gotas de chuva no vidro.
Mas aqui fora o tempo é outro. Chove mas faz calor, a calma de uma agenda parcialmente vazia é enganada por uma mente cheia, mas essa mente cheia não é suficiente para mover o corpo à ação.
A gente recorre à lembranças de outrora quando sempre se sabia para onde correr e hoje tudo parece tão dividido, compartimentado.
Talvez as memórias sejam boas justamente porque são apenas lembranças e, pro que passou, a gente sempre inventa uma moldura bonita que justifique a nostalgia ou um filtro desbotado que justifique a aversão…

Raquel Núbia

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Imagem: Pinterest

Relembrando: Vamos falar sobre o amor?

vamos falar sobre o amor

Vamos falar sobre o amor?

Quando a gente vai falar de amor recorre a vários clichês e, por estar amando, a gente nem se importa de cair nessa armadilha.
Entre tantas formas de amar e tantos tipos de romance, fica difícil acreditar no certo e no errado, pois o sentimento verdadeiro é infinito por si só e na sua imensidão o livro de “regras” pode não ter fim.
E para que ama, pouca coisa importa quando se refere ao sentir. Quando se está preenchido dessa forma, gozando da completude de uma companhia desejada e que também te deseja, tudo mais é alheio.
Seja qual a forma de demonstração, intensidade… Seja qual for o tempo passado… O amor reserva para si o direito de ser enorme mesmo quando pequeno, de ser delicado mesmo quando forte, de ser pra sempre mesmo quando efêmero.
“Que seja eterno enquanto dure”?
Que dure enquanto for amor.”

Raquel Núbia

Dejavu

Hoje acordei com cara e gosto de ontem…
Sabe quando parece que o dia guarda um monte de coisa, mas na verdade essas coisas todas já aconteceram lá no passado? Uma viagem, um passeio, qualquer atividade… Não sei explicar direito, mas estou com essa sensação desde ontem a tardinha e hoje ela permaneceu.
Não sei se é o fato do sol estar entrando frio pela varanda da sala, com esse ventinho que lembra a gente que apesar do céu azul, o que domina é o tempo frio e tempo frio já sabe, né?
Dias claros me transportam, pequenos momentos me transportam… Conversas…
Realmente creio que não estou sabendo me fazer entender, mas precisava dizer, depois de meses sem escrever por aqui (e em qualquer outro lugar), hoje até essa vontade apareceu latente.
Enfim.
Acho que é comum esse tipo de sentimento. Não chega a ser uma nostalgia, é apenas como se o dia estivesse se repetindo, mas não está. É como se você acordasse em um dia do passado, com as mesmas características de outra época que você viveu, só que ao invés de fazer o que você fazia, você fará novas coisas, bem diferentes do que te trouxe a memória.
A vida passa. Muita coisa muda. As pessoas seguem seus caminhos de acordo com suas prioridades e não é preciso se comparar para saber se está bem ou satisfeito com o que se tem, pois cada um busca aquilo que acredita ser melhor para si e nem sempre esses interesses colidem entre as pessoas. Talvez por isso mudamos nossas companhias e quem queremos do nosso lado, pois buscamos aqueles que compartilham dos nossos desejos e nos ajudam a alcançá-los.
O dia pode ter acordado com sensação de passado, mas é o presente e o futuro que me guarda os maiores e melhores dias.

Raquel Núbia

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Foto. Raquel Núbia. Tiradentes/MG

Dos sentimentos que voltam

Eu não sei.
Tem momentos em que a gente parece que entra num túnel do tempo e volta lá para aqueles dias frios e estranhos que já viveu. Para as horas incertas que passavam de maneira tão inesperada.
Eu não sei.
Tem momentos em que parece que a gente sente falta da falta de sossego e caça com as próprias mãos um motivo para não descansar, para “desaquietar” o coração.
Quando as noites ficam frias e os fins de tarde são banhados pela chuva, parece tão fácil voltar a tantas outras noites gélidas em que a música embalava o caminho e tantas pessoas se misturavam, dificultando o sentir verdadeiro e colocando em cheque os sentimentos mais certeiros.
Eu não sei.
Hoje sinto que preciso recorrer a metáforas e analogias, pois a vontade de falar pra fora apareceu, mas nem sempre querer é poder e, por mais que o desejo seja despejar tantas coisas guardadas, não me permite o coração.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia

 

Suspiro

Para ler ouvindo a música “Holding back the fire – Bittencourt Project” – video no final do post

Tem coisas que marcam a gente de um jeito que impressiona…
ÀS vezes é um cheiro, uma cor, uma música, um dia frio ou nublado… Pode ser tudo e nada, qualquer coisa.
Algumas coisas funcionam como um portal na vida da gente e assim que chegamos perto deles, entramos num caminho que nos leva direto pra muito longe ou até mesmo pra perto, não importa. O que importa é que esse portal nos transporta pra onde mora uma lembrança.
Uma lembrança viva ou guardada mas que se recupera assim que temos contato com esse estímulo.
Vez ou outra eu me pego vagando fora de mim quando me deparo com essas saudades que a gente desconhece. Em alguns momentos, nem mesmo se pode nomear como saudade, pois existem sentimentos e sensações que a gente não sabe definir.
Repentinamente a gente se preenche de um vazio, uma falta sem identificação, advinda de uma necessidade sem justificativa, sem necessariamente ser uma queixa do presente ou uma insatisfação sentida plenamente.
Se angústia é aquele sentimento que não pode ser nomeado, talvez então seja isso.
Apenas a percepção da sensação de estarmos perdidos dentro da própria vida, num mundo tão grande e num tempo tão extenso em que não conseguimos enxergar a finitude do que já vivemos e, ao mesmo tempo, sentimos latente a certeza de que sermos findos é a única e total certeza.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Muriaé/MG