Dejavu

Hoje acordei com cara e gosto de ontem…
Sabe quando parece que o dia guarda um monte de coisa, mas na verdade essas coisas todas já aconteceram lá no passado? Uma viagem, um passeio, qualquer atividade… Não sei explicar direito, mas estou com essa sensação desde ontem a tardinha e hoje ela permaneceu.
Não sei se é o fato do sol estar entrando frio pela varanda da sala, com esse ventinho que lembra a gente que apesar do céu azul, o que domina é o tempo frio e tempo frio já sabe, né?
Dias claros me transportam, pequenos momentos me transportam… Conversas…
Realmente creio que não estou sabendo me fazer entender, mas precisava dizer, depois de meses sem escrever por aqui (e em qualquer outro lugar), hoje até essa vontade apareceu latente.
Enfim.
Acho que é comum esse tipo de sentimento. Não chega a ser uma nostalgia, é apenas como se o dia estivesse se repetindo, mas não está. É como se você acordasse em um dia do passado, com as mesmas características de outra época que você viveu, só que ao invés de fazer o que você fazia, você fará novas coisas, bem diferentes do que te trouxe a memória.
A vida passa. Muita coisa muda. As pessoas seguem seus caminhos de acordo com suas prioridades e não é preciso se comparar para saber se está bem ou satisfeito com o que se tem, pois cada um busca aquilo que acredita ser melhor para si e nem sempre esses interesses colidem entre as pessoas. Talvez por isso mudamos nossas companhias e quem queremos do nosso lado, pois buscamos aqueles que compartilham dos nossos desejos e nos ajudam a alcançá-los.
O dia pode ter acordado com sensação de passado, mas é o presente e o futuro que me guarda os maiores e melhores dias.

Raquel Núbia

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Foto. Raquel Núbia. Tiradentes/MG
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Dos sentimentos que voltam

Eu não sei.
Tem momentos em que a gente parece que entra num túnel do tempo e volta lá para aqueles dias frios e estranhos que já viveu. Para as horas incertas que passavam de maneira tão inesperada.
Eu não sei.
Tem momentos em que parece que a gente sente falta da falta de sossego e caça com as próprias mãos um motivo para não descansar, para “desaquietar” o coração.
Quando as noites ficam frias e os fins de tarde são banhados pela chuva, parece tão fácil voltar a tantas outras noites gélidas em que a música embalava o caminho e tantas pessoas se misturavam, dificultando o sentir verdadeiro e colocando em cheque os sentimentos mais certeiros.
Eu não sei.
Hoje sinto que preciso recorrer a metáforas e analogias, pois a vontade de falar pra fora apareceu, mas nem sempre querer é poder e, por mais que o desejo seja despejar tantas coisas guardadas, não me permite o coração.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia

 

Suspiro

Para ler ouvindo a música “Holding back the fire – Bittencourt Project” – video no final do post

Tem coisas que marcam a gente de um jeito que impressiona…
ÀS vezes é um cheiro, uma cor, uma música, um dia frio ou nublado… Pode ser tudo e nada, qualquer coisa.
Algumas coisas funcionam como um portal na vida da gente e assim que chegamos perto deles, entramos num caminho que nos leva direto pra muito longe ou até mesmo pra perto, não importa. O que importa é que esse portal nos transporta pra onde mora uma lembrança.
Uma lembrança viva ou guardada mas que se recupera assim que temos contato com esse estímulo.
Vez ou outra eu me pego vagando fora de mim quando me deparo com essas saudades que a gente desconhece. Em alguns momentos, nem mesmo se pode nomear como saudade, pois existem sentimentos e sensações que a gente não sabe definir.
Repentinamente a gente se preenche de um vazio, uma falta sem identificação, advinda de uma necessidade sem justificativa, sem necessariamente ser uma queixa do presente ou uma insatisfação sentida plenamente.
Se angústia é aquele sentimento que não pode ser nomeado, talvez então seja isso.
Apenas a percepção da sensação de estarmos perdidos dentro da própria vida, num mundo tão grande e num tempo tão extenso em que não conseguimos enxergar a finitude do que já vivemos e, ao mesmo tempo, sentimos latente a certeza de que sermos findos é a única e total certeza.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Muriaé/MG

Vamos falar sobre o amor?

Quando a gente vai falar de amor recorre a vários clichês e, por estar amando, a gente nem se importa de cair nessa armadilha.
Entre tantas formas de amar e tantos tipos de romance, fica difícil acreditar no certo e no errado, pois o sentimento verdadeiro é infinito por si só e na sua imensidão o livro de “regras” pode não ter fim.
E para que ama, pouca coisa importa quando se refere ao sentir. Quando se está preenchido dessa forma, gozando da completude de uma companhia desejada e que também te deseja, tudo mais é alheio.
Seja qual a forma de demonstração, intensidade… Seja qual for o tempo passado… O amor reserva para si o direito de ser enorme mesmo quando pequeno, de ser delicado mesmo quando forte, de ser pra sempre mesmo quando efêmero.
“Que seja eterno enquanto dure”?
Que dure enquanto for amor.

Raquel Núbia

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Foto: Leandro Oliveira – São João da Barra/RJ

 

Sobre a liberdade de não se importar

“A gente sabe que superou quando lembra e não sente mais dor”.
Já li e ouvi isso algumas vezes… Tenho certeza de que vocês, leitores, também já devem conhecer essas palavras e hoje elas vieram soprar nos meus ouvidos.
Eu faria uma pequena modificação:
“A gente sabe que superou quando lembra e não sente mais”.
Sim, porque às vezes o que sentimos antes da superação não é dor. Pode ser muito mais e muito menos do que isso. Pode ser pena, raiva, decepção, remorso, ódio, saudade… E, ao meu ver, quando não sentimos mais nada, aí sim está a conclusão.
Isso se aplica a qualquer coisa e não somente a relacionamentos amorosos. Acho curioso como algumas pessoas tendem a reduzir tudo ao amor romântico em detrimento de tantas outras formas de relação, profundas ou não.
Minhas superações mais significantes nos últimos tempos em nada tem a ver com romance, mas sim com amizades e projeções de terceiros sobre mim.
Quantas vezes já cuspi palavras na folha de papel por não poder cuspir em quem me despertava tanta ira! E hoje, depois do tempo passado, me sinto confortável e em paz por não me deixar provocar mais esse tipo de reação.
Isso não significa que retomei laços, fiz as pazes ou esqueci o que me fizeram. De forma alguma.
Isso significa que hoje não me importo mais. Significa que as ações dessas pessoas no passado e no presente não me dizem mais nenhum respeito e não me despertam nem mais curiosidade.
Então você pode se questionar “mas porque ainda fala sobre isso?” e eu respondo: Porque sou livre. E essa liberdade vem justamente de não me sentir dominar por nenhuma dessas experiências que citei acima. Sendo livre, eu domino e escolho como reagir. Livre, verbalizo o que quiser sem ser influenciada por isso. Essa liberdade me trouxe a irrelevância dos fatos e meu tamanho frente a eles.
Sendo assim, não há porque evitar, esconder, silenciar, pois guardo meu silêncio para o que ainda tem espaço dentro de mim e que me requer reflexão e elaboração.
Sim… Ainda existem itens não superados e tudo bem!
O que aprendi com as vivências passadas já me auxilia muito nos dias de hoje.
Eu não visto mais a carapuça que fizeram pra mim e não caio mais nas armadilhas daqueles que conheceram minhas fraquezas para tentarem ser mais fortes do que eu.
Sinto muito em dizer, vocês fracassaram.
E hoje não preciso mais afundar a caneta nas linhas brancas do caderno para liberar a poluição de sentimentos que me fizeram experimentar.
Não.
Hoje são palavras pensadas, palavras calmas… Daquela calma que somente a falta do sentimento pode nos dar.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Muriaé/MG

Empatia

É incômodo perceber como algumas coisas óbvias não são consideradas no nosso cotidiano, como conseguimos nos esquecer de princípios básicos que facilitam e guiam a convivência com nosso pares sendo amigos próximos ou não.
Já fazem algumas semanas em que eu me peguei pensando nisso e hoje, novamente, isso me veio à cabeça quase como um grito de revolta. Por isso me senti compelida a rascunhar pretensamente as orações que se seguem e espero, de verdade, que elas levem as pessoas, uma que seja, à reflexão:
– Ao abrir uma porta, peça licença.
Seja uma porta física ou simbólica. Não invada o espaço do outro, qualquer que seja, sem antes pedir autorização para entrar.
– Ao se queixar, seja assertivo.
Quando for relatar um problema alguém, vá direto ao ponto, critique a situação em si e busque melhorias. Não procure culpa ou culpados. E, principalmente, não desmereça um histórico de trabalho e ações por um tropeço.
– Ao se colocar, pense no outro.
Defendo sempre a necessidade de nos colocarmos como prioridade, mas isso não implica em desconsiderar o outro, quem nos cerca. Pense! Se você está triste, cansado, estressado, nervoso, angustiado, o outro também pode estar, no mesmo momento. O fato desse outro não falar nada ou não demonstrar, não significa que ele não sente, apenas que sente e demonstra de maneira diferente da sua. E quem disse que há maneira certa?
– Ao pedir atenção, tenha moderação.
Você pode sim deixar claro para quem te importa que gosta e aprecia companhia e que a atenção é importante. Mas tenha cautela para não se tornar um fardo que o outro carrega, uma obrigação a ser cumprida, pois laços forçados não são laços, são nós.
Certamente poderia continuar listando inúmeros outros itens, mas esse não é o intuito, não há necessidade de me prolongar, pois acho que todos já compreenderam aonde quero chegar. A empatia precisa deixar de ser uma palavra vazia ou um conceito utilizado somente com estranhos em situações extremas.
Se coloque sim em primeiro lugar, mas lembre-se que você não está sozinho e sim cercado por uma multidão que não tem a menor obrigação de pensar, ser e sentir como você.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia

Sobre a realidade

Tem dia em que a gente acorda querendo ser e fazer tudo… E num mesmo instante se questiona o quanto mais deveria seguir.
Porque também há momentos em que a gente não quer ser nem fazer nada, apenas viver toda a realidade que há pra se viver, sem se ater a todas essas realidades fantasiadas que criaram pra nós e que nós, de bom grado, aceitamos.
Eu não sei mais se quero continuar com essas minhas realidades virtuais… Às vezes parece que elas me absorvem tanto que perco um pouco da motivação.
Na verdade esse é um quesitonamento recorrente pra mim e toda vez que ela aparece o que me segura são os resultados que conquistei até aqui: Será que consigo mesmo deixar tudo pra trás? Tudo o que me levou tanto tempo e dedicação para conseguir?
E deixar pra trás justamente quando está dando tudo tão certo?
Será essa a sensação de chegar ao final do arco íris e não saber o que fazer com o pote de outro?
E será que esse é mesmo o final do arco íris?
Eu não sei.
Mas sabe o que sei?
Sei que, se é para sofrer de ansiedade, que seja por motivos reais e não por posts e números.
Mas então entra outra questão: O que é e o que não é real?
Acho que a pergunta correta é “o quão relevante são essas realidades”.
Eu não sei se foi o que pensei antes de dormir ou se foi o que sonhei… Mas hoje eu acordei no dia em que não quero ter a necessidade de ser algo ou alguém, nem ter nada nem ninguém.
Apenas ser alguém que tem a si mesmo.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira

Ressentido

Sabe o que machuca mesmo?
Sorrir querendo chorar.
Ouvir querendo falar.
Usar ponto de exclamação quando o coração quer usar o ponto final.
O que machuca mesmo é guardar a tristeza no bolso e ouvir os lamentos do outro quando são esses lamentos que estão machucando…
Machuca mesmo é acordar de madrugada e não conseguir mais dormir pensando em possibilidades que estão fora de controle.
O que machuca é o sentimento de que, não importa o quanto você seja boa, presente, incrível e perfeita, nunca será o suficiente, porque sempre haverá alguém melhor do que você.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia