Indiferença

Um dos sentimentos que mais me aborrecem e que menos gosto de ter é aquela sensação de deixar de admirar alguém… Quando algo se quebra, se apaga. Você olha a pessoa e simplesmente não consegue mais sentir aquele encantamento anterior. Ela simplesmente não te diz mais nada. Saiu do patamar e pessoas especiais e caiu naquele de mais uma pessoa do seu cotidiano.
Eu tento respeitar todos ao meu redor, mesmo que sejam pessoas das quais eu não goste pessoalmente, porque não conheço todas as suas lutas mas sei que estas lutas existem, assim como existem pra mim. Mas admirar, são poucas, não é mesmo?
Alumas por sua postura, outras por seu empenho, inteligência… Admiro pessoas nas quais me espelho…
E, de repetente, sentir que aquela ou aquelas pessoas que você admirava não são dignas do seu sentimento deixa a gente um pouco vazio por dentro. Faz a gente repensar em quem devemos colocar nossos esforços e quem realmente vale nossa atenção. É um eterno recomeço e aprendizado. Colocar nossa energia somente onde ela é necessário e não perder nosso tempo e sentimento com pessoas tão voltadas a si mesmo.
Isso é uma coisa que a gente precisa ter em mente. Não se trata de dosar expectativas, se trata de saber que se não te atribuem o valor que você merece, também não são dignos de serem valorizados por você.
Precisamos saber nosso lugar, ao que pertencemos e aí sim dosar o que oferecemos a quem não compartilha disso tudo com a gente.

Raquel Núbia

original
Imagem: tumblr
Anúncios

Sobre a realidade das nossas fantasias

Quando a gente tem uma vida muito intensa dentro da gente, dentro da nossa mente, que é sempre tão inquieta, fica difícil estabelecer uma relação saudável com a realidade.
A vida dentro da cabeça da gente pode ser tão mais atraente e incrível. E a vida dentro da cabeça da gente também pode ser tão assustadora e torturante!
Quando essas duas realidades se colidem o choque é inevitável.
Afinal, de tudo o que a mente cria e guarda, nem sempre é possível que se coloque pra viver. Mas tudo o que a mente cria e guarda impacta na forma como vivemos.
A vida interna é tão absoluta, contundente e barulhenta que a calma e a quietude externa não correspodem ao que deveriam. Passam a sensação de torpor ou de desimportância sendo que, na verdade, há um esforço tão grande para controlar o que acontece por dentro, que nem sempre sobra energia para colocar para fora. Ou então, se está tão ocupado vivendo os pensamentos e aventuras imaginárias, que a vida real deixa de ser interessante quase que pode completo e se torna apenas uma grande repetição do mesmo.
Se isso acontece, precisamos ficar alertas pois, uma vez que em nossas mentes arteiras sempre encontraremos soluções até mesmo para os devaneios mais surreais, o real do cotidiano tende a ser deixado em segundo plano, criando o ambiente perfeito para que possamos nos manter isolados e cercados apenas nos nossos pensamentos.
Mas em meio a uma realidade sempre caótica e apenas vez ou outra atraente, como seguir firme quando se há um universo inteiro dentro da gente, esperando para ser vivido?

Raquel  Núbia

São Tomé das Letras (5).JPG
Foto: Raquel Núbia – São Tomé das Letras/MG

Relembrando: Temporal

Nesta crônica que publiquei há 2 anos, faço uma reflexão das possibilidades que cercam nossa vida… Afinal, é muito comum nos questionarmos sobre o que vamos fazer ou sobre o que deveríamos ter feito. Ter dúvidas sobre como prosseguir pode ser algo limitando e incapacitante ao mesmo tempo que pode nos estimular e guiar para o melhor caminho. Tudo vai depender de como vamos lidar com a situação.

Temporal
Imagem retirada da internet

“Às vezes fico pensando…
Será que quando chegamos no futuro e olhamos para trás, as coisas que fazemos hoje fazem sentido ou encontram alguma explicação?
Será qual a sensação de olhar a vida de agora lá do futuro?
Sempre me rodeia um receio de chegar nesse amanhã ainda distante e ao olhar pra trás ter o sentimento de fim de férias… Quando olhamos o tempo que passou e percebemos que não fizemos nem metade do que gostaríamos.
Me aterroriza o fantasma do “e se?”
“E se tivesse saído?
E se tivesse ficado?
E se tivesse terminado?
E se tivesse começado?
E se tivesse mudado?”
O futuro não espera e não se deixa ser previsto, parece nos observar lá da frente rindo dos nossos planos e decisões. Por isso o temor… Não do futuro em si, mas dos dias que até lá se tornarão passado e levarão consigo todas as decisões e caminhos vividos.
Por não se deixar tocar, o futuro não me pertencerá, será mesmo e apenas o resultado do que vivemos hoje.
Mas será mesmo e apenas?
E se não for?”

Raquel Núbia

Déjà Vu

Tem dia que parece que nasce com cara de passado.
Com cheiro de ontem
e com passarinho cantarolando música repetida…

Tem dia que nasce com cara de lembrança.
Com cores de outra hora
e com parágrafos e pontos de história vivida.

Tem dia que nasce com vento soprando o céu frio.
Com jeito de câmera lenta
e com sons que despertam de dentro da cabeça.

Tem dia que parece reviver de outro tempo.
Com reprises da vida
e com memórias despertas até que adormeça.

Tem dia que nasce turrão e antigo.
Com o rosto conhecido
e com o elo forte que mostra passado e presente unidos.

Tem dia que começa com jeito de monotonia.
Com a mão estendida
e com os braços abertos para melancolia.

Tem dia.

IMG_20170814_100650395_HDR-EFFECTS
Foto: Raquel Núbia – São Paulo/SP

Desencanto

Hoje, de repente, me bateu aquela saudade de escrever…
Mas não escrever abrindo uma tela em branco e escolhendo teclas e sim escrever com uma velha caneta, num caderno, numa folha, num rascunho, num espaço qualquer. Tecendo as letras uma a uma numa grafia atrapalhada, dispensando no papel tudo o que fica passeando pela cabeça e que fica agarrado no coração e na memória.
Tempo atrás escrevi sobre a importância de conseguir escrever sem rascunhar, mas hoje me pego refletindo o que esse momento do rascunho significa.
O momento vivido no silêncio interrompido somente pelo toque da caneta no papel era aquele só meu, de mais ninguém, e só depois, às vezes bem depois mesmo, é que eu decidia se esse momento seria de mais alguém.
Complicado transformar sonhos em realidade… E hoje me sinto estranhamente lidando com a sensação de que devo satisfação pela ausência ou presença das minhas produções… Uma cobrança que vem justamente daquele conteúdo que fica passeando pela cabeça e que fica agarrado no coração e na memória.
Talvez, ao se tornar realidade, os sonhos percam seu conteúdo de fantasia, e passem a ser só mais alguma coisa do dia. Talvez por isso me venha a saudade de escrever, escrever de verdade, com a minha verdade.

img_3472
(Raquel Núbia – Foto: Leandro Oliveira / Petrópolis – RJ)

Raquel Núbia

Nem sei

Amedronta sentir o arrepio da dor que massacra o peito quase impedindo por completo de respirar… Amedronta o encontro com esse sentimento já conhecido e antes saudoso por tanto tempo longe. Não há como elaborar uma razão, não há como apenas pensar.
Esta sensação sufoca e as forças se perdem, não há mais pelo que lutar, todas as horas vividas foram transformadas em segundos de pó, colocados em um caixa velha e trancafiados numa gaveta escura de um armário qualquer, de onde nunca mais vão ser retiradas.
Há vergonha no caminho.
E não há como saber no que e em quem acreditar, toda a confiança se foi e agora não há um caminho a seguir… O que existe é cansaço, e ainda será assim quando tudo acabar. São tantas as palavras que não há como selecionar em qual acreditar, não há nem como saber se deve-se acreditar em alguma.
Afinal como identificar as mentiras, das verdades que se quer ouvir?

nem sei

Raquel Núbia

Lembranças

Engraçado como nos lembramos de repente de algumas coisas e de algumas pessoas… Coisas e pessoas que às vezes guardamos tão bem guardadas que esquecemos onde colocamos e que quando menos esperamos, encontramos em algum canto empoeirado da memória.
De repente temos aquela sensação de “é mesmo! Como é que não me lembrava disso…” e nos deixamos transportar por alguns momentos de alegria, saudade ou tristeza.
Engraçado como guardamos cada pedacinho de história em uma gavetinha e às vezes jogamos a chave fora e mesmo assim ela insiste em abrir quando esbarramos de leve nela, sem querer…

Lembranças
De repente nos damos conta de que as pessoas que faziam parte essencial de nossas vidas, agora são só pessoas que costumávamos conhecer e essa sensação perturba, desconcerta e, algumas vezes, deixa triste.

Raquel Núbia

Felicidade, o que é?

E o que é a felicidade senão esse sentimento de inesperado cercando cada momento do dia?
O que é felicidade senão essa sensação de que, apesar de correr sem controle o mundo pára quando estamos juntos?
O que é felicidade senão o conforto dos seus braços depois da espera e da distância?
Toda a angústia traz no final o gozo de deixá-la ir embora… de deixá-la longe quando você está perto.
Todos os medos são porto seguro, quando você me abraça;
Todas as lágrimas tem doce sabor, quando quem acaricia meu rosto é você;
Todas as tristezas tem recompensa na alegria, quando acordo a noite e o rosto que eu vejo é o seu.
Toda a sensação de vazio é preenchida quando ouço o som da sua risada;
Todo sentimento de abandono é suprido quando os braços que me protegem são os seus;
Toda tortura da espera é prazer, quando é seu corpo que toma conta do meu.
Toda dúvida que tenho desaparece quando vejo nos seus olhos o brilho muito mais intenso que eles tem quando você está comigo.
E se não for isso a felicidade pouco me importa…
Porque “felicidade” é o nome que dei à sorte de poder ter você do meu lado.

789654
Raquel Núbia

Efeito

art-background-be-blue-Favim.com-4864309
Foto: favim.com

Parece que estou com um choro preso na garganta…
Alguma emoção está entalada e ameaça ora ser engolida, ora explodir.
Parece que estou com frio na barriga…
Alguma sensação que não decidiu se vai ou se fica, se fica ou se vai sair.
Parece que estou com a cabeça nas nuvens…
Alguns pensamentos vagando sem rumo, que não sabem se me fazem chorar ou sorrir.
Parece que estou com o coração sem controle…
Deixando escapar das minhas mãos todo o poder de poder decidir.
E esse choro preso,
Esse frio constante,
A cabeça nas nuvens,
O coração inconstante,
Me traz o desejo de um lugar isolado,
Onde eu consiga o momento tão aguardado,
Em que a fúria do pensamento fique calada,
E a garganta desfaça esse nó que a mantém sufocada.

Passam minutos, horas, se vai mais um dia.
Mais um turbilhão, não há calmaria.
E em meio a desordem eu faço uma prece,
“que mude o que sinto, ou o que esse sentir me parece”.

Raquel Núbia