Sobre cactos e pessoas

Meses atrás ganhei dois vasinhos de cactos como lembrança de um aniversário que fui. Me disseram que só precisava aguar uma vez por semana, que não eram necessários muitos cuidados. Ok.
Meses passando e os cactos lá nos vasinhos, um cresceu mais e o outro continuava do mesmo tamanho. Continuei cuidando dos dois e eles foram perseverando, o que pra mim foi uma vitória visto que todas as plantas que eu havia tido até então morriam rapidamente.
Dia desses minha mãe foi aguar os cactos e disse algo mais ou menos assim: “esse aqui cresceu, mas esse outro não. Achei que estavam vivos, mas quando cheguei perto vi que estavam mortinhos”.
A poesia dessa frase é tão triste quando verdadeira e não pude deixar de pensar nisso depois… Afinal quantas vezes não é exatamente essa a sensação que temos, de que o que parecia vivo de longe, de perto está morto?
Óbvio que é uma analogia, mas ao meu ver se aplica a tantas coisas… Dia a dia convivendo com pessoas, comparando-as as outras, como ao cacto que cresceu, inferindo que os cuidados iguais satisfazem a todos da mesma forma, que suprem necessidades, lamentando pelo que vemos de ruim (que pena que esse outro cacto não cresceu), mas sem chegarmos perto o suficiente pra vermos o que realmente está acontecendo – o cacto morreu.
Sentimentos estão morrendo todos os dias, esperanças morrendo, sonhos morrendo, expectativas morrendo, alegrias morrendo todos os dias e, nós de longe, nem sequer notamos até que seja tarde demais. Até que as raízes estejam tão secas que a água não consiga mais penetrar levando a vida.
Não é porque um cacto cresceu que o outro tem que crescer. Não é porque um cacto se satisfez com pouca água que o outro tem que se satisfazer. Nem o mesmo solo, nem as mesmas condições climáticas garantiram o mesmo destino à essas duas plantinhas, o que dirá a nós mesmos.
Olhe à sua volta.
Encontre os cactos que merecem sua admiração, mas se esforce para encontrar aqueles que apenas aparentam viver enquanto morrem por dentro.
Seja água.

Raquel Núbia

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O cacto sobrevivente. Foto: Raquel Núbia
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Segredo

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Sempre tive facilidade para guardar segredos…

Depois de concluir minha graduação pude compreender que devia guardar os segredos não somente pela facilidade que tenho, mas, principalmente por sua importância para quem os contam.

Quando compartilhamos um segredo, precisamos ter cuidado… Não apenas para garantir que nosso “fiel do segredo” assim o será, mas para que não deleguemos a outro a responsabilidade que é nossa… Quantas vezes nos contaram segredos apenas para que nos tornássemos cúmplices?

Compartilhar um segredo é revelar um pedaço da alma… Pobre daquele que não sabe acolher uma confissão…

Um segredo – bom ou ruim – é por si só, uma espécie de tesouro que guardamos onde ninguém poderá encontrá-lo e se o confiamos a alguém é para dividir com esta pessoa nossa riqueza ou para que tenhamos ajuda para carregá-lo e deixar em um lugar onde não o encontraremos mais.

Raquel Núbia

A falta

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Imagem: favim.com

Tenho mil poesias prontas guardadas num gaveta.
Tenho mil boas ideias, guardadas na minha cabeça.
Tenho mil planos feitos, aguardando para realizar.
Tenho destinos marcados num mapa, prontos para explorar.

Tenho arte e criatividade ao alcance das mãos.
Tenho voz e melodia para qualquer canção.
Tenho caminhos abertos para ir e vir.
Tenho uma estrada pronta para poder seguir.

Guardo fotos de momentos que nunca vivi.
Guardo sentimentos que nunca senti.
Guardo ideias e destinos quem sabe para outro dia.
Faço o mesmo com os planos caminhos e poesias.

Mas me falta uma coisa que há um tempo perdi.
Por ser acostumada sequer percebi.
Essa falta que vem do passado do presente.
E que causa um desamor que só sabe quem sente.

Raquel Núbia