Para um amigo

Quando alguém que conhecemos morre, não se acaba somente o corpo.
Quando alguém que conhecemos morre, leva consigo um pedaço da gente, um pedaço da nossa história, das nossas memórias, um pedaço do caminho que nos fez chegar onde estamos.
Quando alguém que conhecemos morre, parte de nós também morre junto. Conversas, momentos, brincadeiras, sonhos que compartilhamos somente com aquela pessoa, tudo se vai também.
É como se uma parte importante da nossa vida fosse recortada… Recortada mas não apagada.
A gente fica triste pela saudade que sente, mas se entristece também por pensar quanta vida ainda existia naquela pessoa que se foi… Quantas coisas ainda pra fazer, quantos planos pra colocar em prática, quanto amor…
A gente chora por saber que não vai mais se esbarrar ou esbarrar sem querer nas notícias que sempre chegam das realizações que aconteciam… Carreira, projetos malucos, aventuras, o nascimento do filho…
Que loucura imaginar que alguém que mudou tanta coisa no passado de tanta gente, não vai mais existir no nosso futuro.
Mesmo que a companhia não seja constante nos dias de hoje, a companhia vivida nos dias de ontem não será esquecida.
Não será substituída.
Na vida a gente nasce e morre várias vezes, talvez com a morte de alguém querido, seja hora de morrermos juntos para nascer novamente.

Raquel Núbia

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Na foto: Pedro Gabriel Borba Dorigo (a foto não é minha e eu não sei que a tirou para dar os créditos).
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Atimia

Tem hora que parece que volto no tempo e me voltam interesses de tanto tempo atrás. Eu começo a querer fazer coisas e ter sentimentos velhos, fico saudosa do que já vivi, as alegrias que tive e das coisas que já senti.
Bate uma nostalgia… uma falta de algumas pessoas, das histórias ligadas a elas, das situações, até dos cheiros, sensações, das roupas, dos planos e dos sonhos.
Quando menos espero, percebo que tudo isso está num passado tão distante, que essas pessoas das quais sinto saudade, aliás, mais nostalgia, estão em outro momento, assim como eu também estou, mas sem nem sequer devem se lembrar desse passado.
Eu tenho sempre saudade do céu azul limpinho e das manhãs frias que o acompanhavam… do sol quentinho das 9h30, do perfume e do cheiro das pessoas. De como costumava achar tudo tão importante e da vontade que tínhamos de resolver tudo de pressa.
Nossos maiores problemas estavam sempre no futuro e agora que o futuro chegou, o presente traz problemas tão maiores… nos quais eu não vejo importância, nem urgência, muito menos vontade.
O futuro chegou e eu acho que meu eu do passado não está nada orgulhoso do eu de hoje e assim eu não vivo nem lá, nem cá.
Por que as manhãs não podem ser sempre frias e de céu azul?

Raquel Núbia

Tiradentes (3)
Foto: Raquel Núbia – Tiradentes/MG