Alice

Já fiz algumas poesias dedicadas a pessoas, mas é a primeira vez que utilizo o nome do corpo da produção. Poesia singela, espero que gostem:

“Quem é a menina
Que o tempo todo sorri,
Que fala sozinha,
Quando não há ninguém a ouvir?

Quem é a menina
Que aos poucos se revela,
Se ordena: “Fecha a boca”
Já diria a mãe dela…

Quem é a menina
De fala suave e mansa,
Que quando eu era já moça,
Ainda era criança?

Quem é a menina
Sempre carinhosa,
Que traz doces e bolos,
Sempre cuidadosa.

Já falei várias vezes,
Várias vezes já disse.
A menina que cresce dentro dos meus dias:
Alice!”

Raquel Núbia

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Foto: Leandro Oliveira – Tiradentes/MG
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A volta

O sol escurece,
A noite enegrece,
E a madrugada fica mais fria.

Os segundos se tornam minutos,
Os minutos se tornam horas
E as horas se tornam dias.

Sem ao menos perceber,
É criado um casulo,
De onde não se consegue sair.

Já não há mais amigos,
Família ou inimigos.
Já não há mais querer,
Vontade ou fazer.

Há apenas um vácuo,
Um calor tão frio,
Que preenche de nada
Esse enorme vazio.

Uma luz se ilumina
No inesperado.
Após tantos pedidos,
O resgate é chegado.

E em meio a trevas,
Tormentas e escuridão,
Encontra-se uma boia,
A salvação.

Um cobertor começa a aquecer,
Aos poucos o sangue volta a correr.
Os olhos retomam um fio de brilhar,
A vontade aparece, também o desejar.

As águas revoltas ficam na lembrança,
Se tornam bagagem, memórias, distância.

Passo por passo os laços voltam,
A cada vez sentimentos retornam.
Passo por passo o caminho é refeito.
Bons e ruins, perfeitos, imperfeitos.

A cada dia uma nova chance,
E a decisão de continuar,
Mesmo que a ida seja involuntária,
A melhor parte de ir é voltar…

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Raquel Núbia