Divagando

A vida da umas voltas estranhas, não é mesmo? A gente se pega desejando aquilo que nunca desejou, fazendo coisas que disse que nunca iria fazer e sentindo coisas que jamais achou que ia sentir. 

Talvez o tempo seja o grande responsável por isso, como várias vezes eu já escrevi, ou talvez o grande responsável seja a gente mesmo porque, afinal, o que a gente deseja, faz e sente diz respeito a nós mesmos mesmo quando em relação a outras pessoas.

O que a gente sente e pensa dos outros quase não se relaciona com o que tal pessoa realmente é, mas sim com a nossa forma de vê-la. Nossa visão é sempre impregnada de nós mesmos e, como consequência, nós estamos em tudo o que dizemos e sentimos.

Nao sei se estou conseguindo me fazer entender…

Às vezes a gente pensa que o mundo mudou, que as coisas mudaram quando, na verdade, o que mudou foi a gente mesmo e quando a gente muda, todo o resto muda junto.

A gente redefine prioridades, redefine relacionamentos e, quase sempre, essas redefinições trazem um conforto e uma paz muito grande, pelo menos é o que se espera.

Dia desses tive a oportunidade de reparar arestas. Ainda é cedo pra dizer que retomei laços mas posso dizer que consegui polir alguns espinhos e essas oportunidades são raras. Sempre há muito orgulho a ser combatido e baixar a guarda não deve ser visto como fraqueza, nem grandeza, apenas como algo a se fazer.

Fico pensando… Se houvesse outras oportunidades, certamente eu teria algumas coisas a dizer. Mas, ainda assim, não são coisas que me sufocam, mas sim que existem dentro de mim hoje de uma forma diferente do que existia no passado.

Acho que isso vem com a maturidade que costuma nos libertar, em parte, da preocupação com que os outros vão pensar. As pessoas podem pensar tudo o que quiserem mas, acima de tudo, precisam respeitar. Nós precisamos.

A vida já costuma ser problemática demais e não precisa que a gente complique ainda mais com as nossas próprias mãos. Em certos casos, as pessoas esperam que sintamos raiva, que coloquemos a responsabilidade no outro mas nem sempre isso se aplica.

Se em algum momento você perceber que o que você sentia até ontem mudou  e não corresponde mais ao que você sente hoje, mude! Vá atrás do que você sente e do que te diz sua mente e sua verdade. A gente até constrói muros, mas pode construir pontes… Algumas já estão prontas na nossa frente, basta vontade de atravessa-las.

Raquel Núbia 

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Foto: Raquel Núbia. Niterói/RJ
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O que é você

Continuando no intuito no post anterior, compartilho hoje mais um conteúdo antigo que ainda não havia sido postado. Essa é do ano de 2009:

“O que é você

Que abraço é esse?
Que braços são esses que insistem em me envolver?
Que abraço é esse que afasta o que há de ruim?
Que mãos são essas?
Que toque suave e ardente possuem…
Mãos que dizem tudo quando encontram minha pele…
Mãos poderosas que controlam até minha respiração…
Que boca é essa?
Que abriga o mais belo sorriso, que diz os maiores feitiços…
que beija o melhor dos beijos…
Que sonho é esse?
Que sonho é esse que insisto em viver?
Que tira eu sono, me revira na cama…
Que me enche por todos os poros com o sabor da incerteza
com essa dor de não saber…
Esse sonho que estampa no meu rosto o mais lindo sorriso,
que transfere para o papel o mais nobre sentimento…
Esse sonho são seus braços,
seu abraço,
suas mãos e sua boca…
Esse sonho é você.
Que teima em me fazer te querer cada vez mais.
Que faz com que cada dia seja a mais doce e prazerosa tortura,
por te amar tanto,
fazer você sentir esse amor e ainda assim,
não poder te ter, e ainda assim,
não poder dizer…”

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia

Poema da Ausência

E gentilmente, não olhou pra trás.
E foi embora andando devagar.
E num repente a sua imagem eu perdi.
E o coração seguiu pulsando a lamentar.

A falta quando é sentida faz sofrer.
E a ausência percebida faz sentir,
Mesmo que sofrendo devagarzinho
Em silêncio escondendo o choro de cair.

Por se separar de uma parte tão latente,
O tempo contado não diminui a estranheza
E o dia segue cheio de vazio.
E o céu de chuva também mostra sua tristeza.

Fica tudo com um tom acizentado.
É um pesar que chega quando se permite,
Ausência que me faz tão pequenina.
Que torna até minha felicidade, triste.
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Raquel Núbia

O que seria de nós

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O que seria de nós se não tivéssemos ao nosso lado aquela pessoa que faz tudo se modificar pelo simples fato de estar ali?
Aquela pessoa que, quando tudo está bom, torna tudo ainda melhor e que quando as coisas estão ruins deixa escapar um feixe de luz que norteia nossos pensamentos mantendo nossa sanidade mesmo que por um fio.
Quase sempre tenho a sensação de que temos tantas pessoas más ao nosso redor… que é difícil percebermos as que são boas e as que são imprescindíveis… Mas acho que é porque essas pessoas não se esforçam para serem assim, simplesmente são e não precisam de grandes ações para marcar sua presença e importância.
Não me deixo pensar nem por um segundo como seriam meus dias se não as tivesse, se deixasse tenho certeza de que seria tomada por uma desesperança enlouquecedora.
Mas sabendo quem temos ao nosso lado sabemos também que não estamos sozinhos, pois por mais que outros nos decepcionem, precisamos acreditar que há um porto seguro que não vai nos abandonar e para onde nem precisaremos correr porque não haverá distância que nos separará.

17/12/2012
Raquel Núbia