Relembrando: Simples (?)

Você pode ver a crônica original, postada em Agosto de 2015, clicando aqui.

Simples

Abraço,

Raquel  Núbia

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Olhos Pequenos

Lendo meus cadernos antigos encontrei algumas produções e vou compartilha-las aqui nos próximos dias, começando com essa poesia de 2004. Curioso ver como a forma de escrever mudou… Nem melhor, nem pior, apenas diferente. Espero que gostem!

“Olhos pequenos

São pequenos os olhos que me olham.
São suaves as mãos que acariciam.
Presente intenso,
amor do dia.
Ao lado certo.
Nesses olhos de anjo,
refletem a beleza de um alguém
que sabe olhar com distinção
e ternura
ao mesmo tempo que olha
amando e com calor.
Envolve nos braços
um mundo de sentimentos
que confundem a cabeça e a alma.
Induz a pensamentos
coloca caminhos e imagens
perto de onde tudo se perde.
Causa sentimentos Inversos.
Faz brotar a fúria
banhada no ciúme,
tomada pela dor de ficar longe,
de sentir a dor de perder
todo o encanto pra outra…
São pequenos os olhos que me olham,
olhos que me mostram o mundo
mas que cercam o tudo
e é um prazer só meu
te ter, uma anjo ao meu lado.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia

Dia #2 – 30 DAY BLOG CHALLENGE

2

Estou namorando há pouco mais de um ano com um turismólogo, estudante de administração e baixista de bandas de rock. Isso mesmo, são duas porque, aparentemente, uma só não bastaria.
Nós já éramos amigos antes de sermos namorados e isso definitivamente contribui diariamente para nossa relação de parceria. Gostamos quase das mesmas coisas e no que não combinamos, nos completamos e pra mim é isso o que importa.
Os obstáculos que enfrentamos no início do nosso namoro apenas nos uniram ainda mais, fortaleceu o que já era grande, nos aproximou, afastou qualquer tipo de lixo tóxico que tentava se aproximar e validou também nossa amizade.
Passamos muito tempo juntos, mesmo que fazendo coisas diferentes e ele é com certeza a minha melhor companhia.

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Abraços,

Raquel Núbia

Destempero

No equilíbrio há um lugar sempre vazio.
Que quem escolhe e consegue faz morada.
Se manter lá é quase sempre um desafio,
Para uma vida que segue descontrolada.

Quem nunca chega a encontrar esse lugar,
Na corda bamba leva os dias se apoiando.
De extremo ao outro vai e se deixa levar,
E quando pensa estar indo, vem voltando.

E tão distante desse lugar tão perfeito,
O meio termo passa longe de existir.
É destempero o nome dado a esse jeito,
De quem não coloca limites ao sentir.

E qualquer ser seguindo na destemperança,
Hora ou outra esbarra em quem está ao redor.
Da explosão, logo volta a bonança,
Mas os estilhaços causam dano maior.

Qual a sorte daquele que vive desesperado,
Por não possuir o controle em sua mão?
Que quando nota já se perdeu descontrolado,
Causa mal ao corpo, alma e coração…

Quem dera houvesse um escudo a proteger,
Do destempero dos aflitos, o feliz.
Pois nem sempre há como se proteger,
De toda explosão que sempre deixa cicatriz.

São Tomé das Letras (8)
Foto: Raquel Núbia – São Tomé das Letras/MG

Raquel Núbia

Aqueles que são por nós

Gostamos de algumas pessoas que não conhecemos bem e com elas nos preocupamos… nos importamos com o que vão pensar, o que vão falar, se estão satisfeitas, se podemos fazer algo para ajudá-las… Algumas pessoas que não nos conhecem tão bem também costumam se preocupar da mesma forma, mas só algumas.

Enquanto isso, o que fazemos com aqueles que nos conhecem bem e se importam por saberem verdadeiramente quais as nossas necessidades, nossos medos e nossos sonhos?

Quantas vezes descontamos toda a nossa ira e nossa frustração justamente nos que estão mais próximos?

Isso é até comum, mas não pode ser considerado normal… os que estão mais perto certamente sofrerão mais as consequências quando nossa bombas explodirem e os maiores estilhaços os atingirão primeiro, sobrando para os demais somente o vendo forte da explosão.

Acredito que se gostam realmente, saberão nos ajudar a limpar a bagunça e começar novamente, entretanto se nós gostamos realmente também vamos aprender…

Aprender que uma hora as pessoas se cansam de fazer o trabalho dos outros e pelos outros… se cansam de aparar as arestas, de ser o ponto forte e o porto seguro, não porque deixaram de nos gostar, mas porque também precisam de referências como estas.

Não podemos deixar de reconhecer aqueles que nos dão a chance e o motivo para tentar de novo, que compreendem nosso lado mais sombrio e, para ele, tentam trazer um pouco de luz afinal.

aqueles que são

Raquel Núbia

Surpresa?

Não sei mais se consigo me impressionar com as pessoas.
Parece um tanto quanto categórico e extremo, mas sinto dizer que é verdade. Aliás, meia verdade… me impressiono sim, com a capacidade que tantas pessoas tem de manipular, mentir e enganar.
Não, não estou “amargurada”, nem sofri nenhuma decepção ou situação recente que estimulasse esse desapontamento. Apenas percebi mais uma vez que isso acontece.
Mas como pode acontecer?
Sempre que percebo esses comportamentos tento me convencer de que as coisas são assim. Algumas pessoas simplesmente não se importam, não tem caráter, não tem escrúpulos. Mas passado um tempo, esqueço tudo e volto a acreditar na bondade… e é sempre nessa hora que sou pega de surpresa novamente.
Tenho levado cada vez mais tempo para voltar a crer que as pessoas valem a pena… mas o que mais me aborrece é o fato de que essa espécie de “gente” se reproduz aos montes e com suas mentiras se unem de forma inabalável, se disseminando por todos os lados como uma praga enquanto as pessoas realmente boas são pressionadas a sucumbir a isso ou a se tornar uma minoria sem voz.
Sem falar naqueles que são cegos para o mundo externo e não conseguem ver como são marionetes…
Hoje não consigo encontrar palavras bonitas e esperançosas para encerrar meu pensamento, tomara que amanhã eu possa. Agora, tudo o que eu consigo pensar é que se o ser humano for bom e o ambiente for o responsável por corrompê-lo, estou/estamos perdidos!

Surpresa
Raquel Núbia

A grama do vizinho

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Existe aquele famoso ditado que diz que “a grama do vizinho é sempre mais verde”…
Temos uma certa tendência em valorizar muito mais o que não nos pertence do que o que realmente possuímos. Comparamos nossas fotos, nossas viagens, nossas amizades, nossas conquistas, nossas rotinas, e tudo do outro é sempre melhor. Quando contamos uma história, enfeitamos os detalhes na esperança de que um simples rascunho se torne um belo quadro, tudo isso para que outros admirem, enquanto isso, deixamos de ver nossos rabiscos e aperfeiçoá-los para nos mesmos…
Quando planejamos algo, comprar algo, criar algo, seja o que for, sempre planejamos para o outro… Quantas vezes já não nos vestimos para uma festa pensando na reação de quem vamos encontrar? Mesmo que não seja alguém com quem realmente nos importamos, ou pior, alguém que realmente se importe conosco.
De todos os males, este é o pior…
Quantas vezes já não ignoramos a opinião ou sentimento de quem nos conhece como a palma da mão e nos quer bem como a si mesmo, apenas para seguir o conceito que vemos quando olhamos para a grama do vizinho, esperando que as nossas fotos, viagens, amizades, conquistas e rotinas, sejam tão brilhantes quanto às dele?
Essa tendência de valorizar o que não temos, nos impede de olhar para o lado e de olhar para dentro. Corremos atrás do vento, buscando sorrisos e a felicidade que vemos estampada nos outros sem jamais nos questionarmos se esse sentimento consegue ir mais fundo do que um flash. Enquanto isso, deixamos de sorrir e amar pelo que vale a pena.
Sempre buscamos o reconhecimento no outro: FATO.
Mas enquanto não nos reconhecermos e sermos fiéis a quem somos, jamais seremos vistos como merecemos. Acredito que é por isso que a grama do vizinho é sempre mais verde… porque estamos ocupados demais para tirar a poeira de nossa própria janela…

Raquel Núbia

O escudo e a escada

O escudo e a escada

Em uma classificação de um teste psicólogo que fiz, havia a seguinte frase: “Contatos pessoais mais profundos que numerosos”.
Concordei 100% não somente porque acredito na ferramenta, mas também porque essa frase define muita coisa pra mim…
Em uma sala com tantas pessoas, com tantos sorrisos, comentários, contatos, sinto que não me ocuparia os dedos de uma mão para contar quantos representam uma relação verdadeira… Se me importo?
Não sei o quanto…
Não podemos simplesmente tratar as pessoas de forma cordial, de uma maneira que realmente represente nossos sentimentos?
Me parece que há um exagero infindável de amizade, parceria e amor entre pessoas que utilizam toda a nobreza destes sentimentos como escada e escudo…
As pessoas se deixam usar porque também precisam desse impulso e dessa proteção…
Nesse meio, quem valoriza a qualidade das relações, muitas vezes em detrimento da quantidade, se sente cercado e por consequência, estagnado e desprotegido.
Se considerarmos que em algumas culturas a normalidade está ligada aos comportamentos que ocorrem com maior frequência, o normal então é criar laços que não existem para crescer e permanecer seguro em um ambiente que não é real e ao qual não se pertence?
Ficar são em uma sociedade assim é muito difícil, e ser o louco que se nega a esse esquema de relações vazias e prefere as doçuras e dores dos relacionamentos reais gera a infeliz consequência do isolamento e exclusão.
Mas pra mim, vale mais a pena estar “sozinha” em uma bolha de contatos profundos do que SOZINHA em um mundo de contatos numerosos.

Raquel Núbia