Descanse em paz

Um dia seremos lembrança na memória de alguém e, talvez, nem isso seremos. Um dia, quando menos esperarmos, sem mesmo perceber, perderemos pessoas e pessoas nos perderão.
Tantas coisas pra fazer, tanto com o que se preocupar, tanto sentimento pra nutrir.
Quantas mágoas guardamos à espera de uma resolução no futuro? Quanto orgulho nos impede de darmos os passos necessários para um reencontro, uma reconciliação? Simplesmente porque acreditamos que sempre teremos uma outra oportunidade.
Quantas vezes nos dedicamos às nossas prioridades, conquistamos objetivos, vivemos cada dia intensamente, imersos em nossa rotina, correndo o risco de abdicarmos de um momento para refletirmos sobre o que deixamos pelo caminho, inacabado, sem conclusão ou fechamento.
É tanto tempo que gastamos nutrindo sentimentos passados, imaginando como as coisas seriam, mas ainda assim sem coragem de agirmos para corrigir os erros e tropeços vividos.
Não, nós não temos todo o tempo do mundo. Somos eternos apenas nos corações daqueles que verdadeiramente nos amam, mas não somos infinitos na vida. A vida acaba e, num piscar de olhos, não teremos mais amanhã, não teremos mais novas chances, não teremos mais um novo dia para recomeçar.
O amanhã nem sempre chega, o dia de hoje nem sempre termina. O agora é tudo o que temos.

Raquel Núbia

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Imagem retirada da internet 

 

Alvorecer

A manhã, em suas primeiras horas, quando o céu ainda se colore com os primeiros raios de sol, com aquele vento fresco e com o silêncio que domina as ruas, antes de ser invadido por carros, motos, pessoas perambulando e tantos compromissos, guarda em sua quietude uma infinidade de momentos dentro de poucos instantes.
Observar toda a calma e sincronia do que nos cerca, nos minutos que temos antes de embarcar em mais uma aventura que é viver o dia a dia, pode nos permitir um breve momento de paz, onde podemos nos reconectar com o que deixamos pra trás na noite anterior ou, num relance, podemos nos reconectar com o que deixamos pra trás dentro de nós mesmos, há tanto tempo.
Há tanta beleza nesse breve momento, onde podemos ver o novo dia se iluminando em frente aos nossos olhos e, mesmo que tenhamos uma agenda cheia, muitas vezes com coisas que não gostaríamos de fazer e pessoas que gostaríamos de não encontrar, ainda assim, esse simples colorir amarelo alaranjado do céu nos promete tanto e coloca em nossas mãos a sagrada chance de recomeçar.
Nada é garantido. Nunca sabemos se teremos a nova oportunidade de presenciar esse renascimento. Então, por esse breve instante, ao olhar para as ruas vazias, o céu desbotado e sentir a brisa fresca do raiar do dia, somente por esse momento, serei feliz.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – Cabo Frio/RJ

Sobre as canções dos dias de sempre

Os dias continuam passando no mesmo turbilhão de sempre e, ultimamente tenho gostado porque esse turbilhão é o que tem envolvido planejamentos importantes que colocam todo o restante das atividades sob perspectiva e definem o tamanho real do que realmente importa.
E a gente vai vivendo e, como escreveu Mário Quintana: “Tão bom viver dia a dia… A vida assim, jamais cansa… Viver tão só de momentos, como estas nuvens no céu…”, e sentir realmente que estamos priorizando o que tem importância verdadeira pra nós. Você tem feito isso?
Nem sempre é tarefa fácil, porque são tantos estímulos jogados sobre nós o tempo todo, tantos deveres e expectativas que nos rondam a todo momento que nem sempre conseguimos refletir sobre nossas ações e sobre nossos planos. Mas se não somos capazes de pensar sobre nossos desejos e nossos objetivos, jamais seremos senhores do nosso tempo, de nossos resultados e a vida se tornará uma grande engrenagem da qual seremos apenas mais uma peça e não o protagonista da nossa história, seja ela qual for.
O tempo é como a água quente que alcança o corpo cansado no fim do dia. Aos poucos desata os nós, desfaz a tensão carregada nos ombros, alivia a mente pesada e transforma o cansaço e o estresse em renovação e preparo para novos desafios.
A água quente que caiu sobre mim, lavou minhas angústias outrora sentidas, levou a falta de crença na eternidade dos sentimentos e limpou os sentimentos anuviados que habitavam meu coração. O tempo faz milagres quando estamos dispostos a colaborar.
Não é lindo viver assim? Sem dar nomes aos rios justamente por saber que será outro rio a passar? Com a tranquilidade de que nada acaba para sempre e também não continua, pois, o ciclo correto é recomeçar?!
“E sem nenhuma lembrança das outras vezes perdidas”, carrego a rosa dos ventos em minhas mãos distraídas…

Raquel Núbia
(para ler a poesia completa de Mário Quintana, clique aqui)

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Foto: Raquel Núbia – Rio das Ostras/RJ

 

“Ponto&Vírgula” – Post 07

Sobre aquela que um dia tirou o meu sorriso

Dia desses estava lendo meus textos “antigos”, desde o início do Blog… Não consegui ler todos, mas passei por muitos. Curioso como cada um deles me trouxe uma memória, alguns me levaram exatamente para o momento de sua criação, reacenderam sentimentos, alegrias, perdas mas, acima de tudo me mostraram que consegui sair do lugar. Consegui me mover.
Em algumas passagens me via tão absorvida pelas questões que me cercavam, lutando contra um sentimento ruim que brotava dentro de mim, direcionado a pessoas que eu nem conhecia tão bem, mas que, com seus atos odiosos, despertavam em mim meu pior lado.
Hoje não mais.
Na verdade, hoje penso em como teria sido se eu tivesse tido a oportunidade de tratar todas aquelas coisas de modo mais direto, falando diretamente com quem me direcionava tanta ira, falando abertamente. Mas essa oportunidade me foi negada e nem posso culpá-la por isso, pois quem me pediu cautela na tratativa de tanto alvoroço nem foi ela…
Quantas vezes a odiei sem fim!
E sim, era ódio mesmo! Naquele nível que nos transforma e revela o pior de nós. Quando reflito, nem sem porque senti tanto, com tamanha proporção, pois as ações dela contra mim se resumiram em um amontoado de palavras amargas que projetavam em mim seus próprios medos e suas próprias frustrações, afinal o objeto real de seu ódio lhe foi tirado repentinamente e como, provavelmente odiar quem um dia se amou tanto pode ser muito difícil, inconscientemente ela decidiu odiar o que mais personificava sua dor: alguém melhor e mais feliz.
Não é curioso como personificamos em algumas pessoas os nossos piores sentimentos? E, em algumas vezes, essas pessoas são apenas um estandarte, uma representação que carregam características que nós colocamos nelas e que, nem sempre elas realmente tem.
Claro que ninguém fica satisfeito recebendo ataques, sendo assediada e tendo pessoas queridas sendo assediadas também a troco de nada. Talvez meu advogado tenha ficado satisfeito quando o procurei com provas suficientes para uma causa ganha! Mas logo ficou insatisfeito quando eu desisti de acionar a justiça. Não valeria a pena. Nada que tira a minha paz, vale.
Hoje me sinto melhor por conseguir revisitar esse recorte do meu passado sem sentir tanta coisa ruim. Às vezes sinto, ainda mais quando penso em tudo o que não foi dito, mas nada que me impeça de seguir com coração mais tranquilo.
Não sei se um dia a gente ainda vai se esbarrar por aí… Impressionante como cidades tão pequenas ficam tão grandes quando nossos ciclos se encerram. São as mesmas ruas, pessoas e lugares, mas alguns rostos nunca mais aparecem! E, se um dia chegar esse momento de, novamente estarmos no mesmo lugar ao mesmo tempo, não sei qual será a minha reação.
A única certeza que tenho é que, independente do que aconteça, de qual comportamento e sentimento será despertado, sei que sua origem será o meu lugar seguro de sempre, que me guiou naqueles tempos e que me guia ainda hoje, ao qual recorro sem medo de errar: meu coração.
Um coração que ainda que remendado, empoeirado e tantas vezes descompassado, não deixa de bater pelos meus passos certos.

Raquel Núbia

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Para um amigo

Quando alguém que conhecemos morre, não se acaba somente o corpo.
Quando alguém que conhecemos morre, leva consigo um pedaço da gente, um pedaço da nossa história, das nossas memórias, um pedaço do caminho que nos fez chegar onde estamos.
Quando alguém que conhecemos morre, parte de nós também morre junto. Conversas, momentos, brincadeiras, sonhos que compartilhamos somente com aquela pessoa, tudo se vai também.
É como se uma parte importante da nossa vida fosse recortada… Recortada mas não apagada.
A gente fica triste pela saudade que sente, mas se entristece também por pensar quanta vida ainda existia naquela pessoa que se foi… Quantas coisas ainda pra fazer, quantos planos pra colocar em prática, quanto amor…
A gente chora por saber que não vai mais se esbarrar ou esbarrar sem querer nas notícias que sempre chegam das realizações que aconteciam… Carreira, projetos malucos, aventuras, o nascimento do filho…
Que loucura imaginar que alguém que mudou tanta coisa no passado de tanta gente, não vai mais existir no nosso futuro.
Mesmo que a companhia não seja constante nos dias de hoje, a companhia vivida nos dias de ontem não será esquecida.
Não será substituída.
Na vida a gente nasce e morre várias vezes, talvez com a morte de alguém querido, seja hora de morrermos juntos para nascer novamente.

Raquel Núbia

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Na foto: Pedro Gabriel Borba Dorigo (a foto não é minha e eu não sei que a tirou para dar os créditos).

Findo

Eu sei que o caminho é certo,
E não guarda passos no escuro.
Confio que a vida me trará,
O que há tanto tempo procuro.

Eu firmo um compromisso,
Um acordo com a felicidade.
Eu prometo cuidar dela,
Pra que ela não me maltrate.

Eu dou a minha palavra
E eu tenho o que a vida me diz.
Eu dou tudo o que tenho,
Em busca de ser feliz.

Hoje encontro com meu futuro
Deixo o passado em seu lugar.
Abro as portas pro que é novo,
E espero novo dia chegar.

Não há nada do que eu duvide,
Não há motivo pra me arrepender.
Não há dúvidas no caminho,
Há um caminho pra conhecer.

Mas por favor compreenda
Se eu parar um momento e chorar.
Quem confia que será pra sempre,
Nunca espera o fim chegar.
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Raquel Núbia

Recomeço

Quantas oportunidades ainda teremos para recomeçar?
Quantas chances ainda nos serão dadas?
Quantas vezes mais poderemos decidir continuar?
O futuro só é incerto para aqueles que não cultivam no presente o que querem colher. Semeando todos os dias as sementes da dedicação e do comprometimento o resultado não será outro que não o êxito de nossas ações.
Ao mesmo tempo devemos saber que por mais que outras pessoas influenciem nosso caminho, nosso sucesso depende quase que totalmente apenas de nós mesmos, da maneira como encaramos os desafios, as conquistas e as derrotas.
Mais importante do que desejar algo, são as atitudes que tomamos em nosso dia a dia para efetivamente alcançar o que desejamos, mas desejar sem agir, é apenas sonhar em vão. Então aproveite o hoje, aproveite o agora e recomece, não perca tempo: mãos à obra.

Raquel Núbia

Conto

“Não sei há quanto tempo estou correndo quando paro e olho para trás. A adrenalina corre imponente pelo meu corpo e eu descanso as mãos nos joelhos tentando recuperar o fôlego e controlar minha respiração. Sinto cada parte do meu corpo formigando, exclamando por mais oxigênio para que possa recuperar o domínio sob suas funções.
Continuo o caminho, desta vez com passos mais calmos e lentos afinal, já não faz sentido correr tanto, pois quero acreditar que estou segura, mas como posso estar segura se não há ninguém por perto?
Desvio meu pensamento e tento me convencer de que corri o mais rápido e para o mais distante possível e que nada poderia me alcançar ali senão eu mesmo. Subitamente percebo que a única coisa que tenho feito nos últimos tempos é correr…
Correr dos planos traçados, das pessoas, das oportunidades, de mim, da verdade.
Como não percebi isso antes?
Fecho os olhos e tento imaginar um lugar bonito e calmo, com águas claras e o silêncio de que preciso para escutar minha própria voz, de repente minha música favorita me vem à cabeça e cantando mentalmente percebo como cada verso me dá um tapa na cara me lembrando das verdades em que eu acreditei e hoje finjo acreditar.
Me sinto como se estivesse completamente nua e o fôlego me falta novamente, dessa vez não por causa de um corrida intensa, mas devido a velocidade dos meus pensamentos que agora me sufocam.
Novamente sinto a adrenalina realizando seu trabalho e não evito uma olhada por cima dos ombros, estou com medo. De que? De quem? Será que vão me alcançar?
Me dou conta de que preciso continuar correndo, talvez encontrar alguém, mas quem?
Me questiono quase sem querer se vale a pena tanto esforço quando seria tão mais fácil apenas continuar caminhando já que sempre sou encontrada, até quando não quero. Quem sabe o melhor não seria mesmo continuar com meus passos calmos fingindo que não sei o perigo que corro até que sinta aquele velho toque batendo no meu ombro, me pegando pela mão e me guiando de volta pelos velhos caminhos que eu nunca quis conhecer…
Estou parada sem conseguir chegar a lugar algum.”
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Raquel Núbia

Noites de domingo

Ninguém gosta de noites de domingo…
Pergunte a quem quer que seja todos responderão o mesmo.
Sendo o início de uma nova semana, não era para pensarmos em recomeço? Em novas oportunidades de fazer o que ainda não fizemos e, quem sabe, concertar o que fizemos de errado?
Mas não é assim.
Porque junto com a noite aparecem também as angústias das obrigações do dia a dia, dos afazeres que por vezes procrastinamos por motivos vários… junto com a noite vem a sensação de estarmos reiniciando um ciclo que parece não acabar nunca, onde corremos, corremos mas não saímos do lugar… onde não chegamos a lugar algum.
Talvez, as noites de domingo apenas deixem aflorar o que repreendemos durante todos os dias e noites do restante da semana, simplesmente por estarmos ocupados demais com tudo o que nos é exigido, com tudo o que exigimos de nós mesmos.
A correria da semana, muitas vezes nos impede de pensar claramente, e até mesmo de reavaliar o que temos feito dos nossos dias e qual a importância das nossas “realizações”, acredito até que culpar a correria é um dos artifícios que usamos para não olharmos para nós mesmos afinal, quem gosta de enfrentar a realidade daqueles pensamentos que aparecem sorrateiramente nas noites de domingo?
Fazer essa leitura de quem somos não é uma obrigação, se olharmos a nossa volta, veremos que muitas pessoas vivem seus dias em paz, gozando de um ignorância que os protege desses questionamentos e por consequência, da necessidade de se repensar. Não é difícil reconhecer essas pessoas, geralmente são elas que se ocupam dos detalhes mais fúteis e triviais de nossas rotinas, são aquelas que quando cruzam nosso caminho não tem muito que acrescentar, e por vezes deslocam suas angústias, direcionando suas frustrações nos outros…
Já as pessoas que não gostam das noites de domingo, não são tão fáceis de identificar… Por serem diferentes, e por isso conscientes do que não satisfaz em suas vidas, sabem que esses medos e essas angústias não são bem aceitas na sociedade em que vivemos. Dessa maneira se escondem sob uma de suas máscaras sociais mostrando ao mundo somente o que ele quer ver e deixam para “encarar” a outra face de si mesmo, em uma outra noite de domingo.

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Raquel Núbia