Penso, logo…

Às vezes nos preenchemos de um vazio tão grande que nos faltam os movimentos…

Isso nos paralisa… E apenas pensamos…

Afinal, o que mais resta senão o pensamento? Único capaz de libertar nossos sonhos, realizar nossos planos… Pensamentos que são confidentes, são o segredo e o que os fazem secretos. Por meio deles realizamos os desejos mais impossíveis: amamos, odiamos, conquistamos, derrotamos… São esses pensamentos que nos trazem o cheiro que tanto queremos sentir… eles nos trazem o arrepio, o calor e o frio.

Que outra opção escolher a não ser deixar que nossos pensamentos nos levem para onde a realidade não nos deixa estar?

Penso, logo

Raquel Núbia

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Sou eu

SOU EU2

Sou eu quem domina seu riso,
o seu pensamento.
Sou eu quem invade o seu sonho,
o seu sofrimento.
Sou eu quem na sua memória
fá faz morada.
Sou eu quem te grita a realidade,
mesmo calada.

Sou eu quem você busca
por sentir sua exclusão.
Sou eu o caminho que trilha
por não ter atenção.
Sou eu a quem recorre
para se afirmar.
Sou eu quem você encontra
quando quer se espelhar.

Sou eu quem você culpa
por todo o seu fracasso.
Sou eu quem te deixa pra trás
quando aperta o passo.
Sou eu que te levanto
e que te faço cair.
Sou eu que te dou a migalha
que te faz sorrir.

Sou eu que a cada minuto
seco suas gotas de esperança.
Sou eu que te faz gritar
toda sua “confiança”.
Sou eu quem te faz pensar
que ainda é alguém.
Sou eu quem te responde
quando não te responde, você sabe bem.

Sou eu quem a vida te deu
embrulhada pra presente.
Sou eu a bebida indigesta
que deixa o seu peito quente.
Sou eu indigesta surpresa
que você precisa engolir.
Sou eu que os seus medos de criança
não permitem deixar ir.

E ao chegar a madrugada da noite escura,
você irá se perder e te fará exausta a procura.
Seu sono irá fugir e a insegurança te emaranhar,
Minha voz vívida em sua cabeça irá sussurrar:

“sou eu”

Raquel Núbia

Seguindo

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Mais uma vez não sei ao certo (nem ao errado) o que tô aprontando da minha vida. Acho que me acostumei a ser assim, desse jeito, perfeitamente inconstante, realisticamente sonhadora, excitantemente preguiçosa.
Por tantas, tantas vezes desejei ser diferente, ou melhor, ser apenas igual. E por tantas, tantas vezes o que foi comum pra mim foi justamente a diferença.
Desde que me lembro sempre fui assim.
De querer casa, querer silêncio, me acostumando com os momentos variados de ficar só.
E, desde que me lembro, isso sempre criou um lugar só meu.
Eu não sei seguir esse maldito contrato social e sou sempre empurrada (por mim mesmo) pra esse canto onde quase ninguém vai.
Não me entenda mal. Porque eu não me entendi. Não somos únicos. Não somos especiais (eu não sou, você que lê também não é – não se engane), não penso nisso. Mas se não falar por mim, quem falar?
Às vezes me questionou se todo mundo se sente assim…
Essa inquietação de sensação de fora do lugar, esse embaralho constante não só de palavras, mas de pensamento e comportamento.
Será que isso tudo ė mesmo anseio em aceitar a felicidade?
Ou será que isso tudo ė mesmo receio em aceitar a realidade?

Raquel Núbia

Sonhos

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Corremos tanto atrás dos nossos sonhos… Mesmo os mais bobos, mesmo os mais impossíveis… Se sabemos que não podemos alcança-los porque são simplesmente sonhos… então apenas sonhamos…
Dizem que “sonhar não custa nada”…Será?
Sonhar às vezes pode custar caro, principalmente quando sonhamos o sonho dos outros ou quando não sabemos ou temos certeza dos nossos… Eu não sei ao certo o que sonho, mas sei que a minha realidade não é exatamente a que eu queria.
Às vezes perseguir sonhos é como correr atrás do vento que carrega uma bolha de sabão, quando você chega perto e toca, ela estoura…
Algumas vezes nos sentimos assim, como se os sonhos que achávamos estar sonhando juntos fossem só nossos… Ou nem fossem sonhos… Apenas a realidade que alguém nos disse pra viver…

Raquel Núbia

Pedras no caminho

Pedras no caminho

A decepção só nos acerta quando nos deixamos enganar. Quando em algum momento, fechamos os olhos para o óbvio, fingindo não ver uma realidade que se apresenta nua e crua a nossa frente.
A decepção só nos acerta quando nos recusamos a encarar os fatos e mascaramos a verdade insistente com ações e razões de desespero, tentando recuperar algo ou alguém que já não nos pertence mais.
A decepção só nos acerta quando não percebemos a nossa responsabilidade diante daquilo ou de quem nos decepcionou, culpando o outro que não nós, por uma situação impossível de criar sozinho.
De que adianta atribuir a razão da dor ao outro e agradecer a vida pelo aprendizado se ainda não aprendemos que temos parte nas decepções que encontramos por aí…
Tire a bagagem das costas do outro.
Pare de se lamentar pelo que foi e não deveria ter sido.
Seja grande.
A decepção só nos acerta quando nós não acertamos.
A decepção só te acertou porque quem não acertou foi você.

Raquel Núbia
13/12/2015

Vivo na terra, mas às vezes…

Nunca fui de ter muitos amigos, nem nunca fui de ser o centro das atenções. Nunca fiz questão de reconhecimento público ou demonstrações públicas de afeto. Não gosto de muita “invenção de moda”, nem gosto de gente que faz muito rodeio. Não gosto de pessoas medrosas e muito menos das que colocam medo nos outros. Nunca fui daquelas que usam o amigo para aparecer. Nem conheço as pessoas pelo sobrenome, por sua filiação ou conta bancária. Nunca fui de tirar fotos para mostrar como sou feliz, nem faço questão de ser convidada para ir onde todos estão. Nunca me endividei para poder vestir grife e nem “pendurei” a conta no salão. Nunca viajei para fora do país, e foram poucas as vezes que saí do estado. Mas…
Os poucos amigos que conto em uma mão são aqueles para todas as horas e para a vida toda, para eles sou o mundo assim como eles são para mim. Os carinhos que recebo não precisam de testemunhas porque sinto sua verdade nos gestos do dia a dia. Quando falo é porque tenho certeza e principalmente quando a pessoa que pergunta vale o esforço de verbalizar… e se não quer me ouvir falar, não pergunte minha opinião. Minha presença não é imposta, meu sobrenome é apenas herança da minha família e não um marca que tento impor. Minhas memórias são guardadas no coração e nas palavras que escrevo. Minhas roupas são as que gosto e meu cabelo está ótimo de coque com grampo. Minhas viagens são para os destinos mais maravilhosos do mundo porque não me importa o lugar e sim as pessoas.
Vivo na terra, mas às vezes parece que sou de outro planeta.
Porque para suportar algumas coisas que nos cercam, só mesmo apelando para nosso próprio mundo.

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Raquel Núbia