Pressa

today is lifeSempre tive a sensação de que a vida acontecia fora de mim. De que tudo ocorre nos lugares onde não estou, com pessoas que não conheço, em lugares que nunca vi. Sinto constantemente que perco tempo. Que a vida passa sem que eu me dê conta.
Foi tão longo e penoso o período que vivi no escuro que hoje me sinto viciada na luz e não quero deixar que a vida passe pelos meus olhos, não quero apenas observa-la.
Não!
Eu quero tocá-la, senti-la, cheirá-la! Eu quero come-la inteira! Eu quero tudo! E agora eu sinto que devo querer! Eu sinto que posso! Então, como abrir os ouvidos e aquietar o peito quando me dizem que “pra tudo tem hora”?
Minha hora é agora!
Não sei até quando meus ouvidos terão o som de uma risada e a cor de um sorriso… Como posso dizer até quando as manhãs serão recomeços e não castigos? Quem vai me assegurar de que viver o presente continuará me parecendo uma dádiva e não uma punição? Quem?
Tenho aprendido tanto nos últimos meses que me surpreendo a cada dia com novos pensamentos e, principalmente, novas atitudes. Dando pra vida aquilo que eu quero receber dela.
Por que então parar? Por que manter essa energia voltada apenas para um local quando eu sinto que devo espalhar tudo por aí?
Hoje eu sei o significado da frase que diz que um dia as coisas melhoram, que a dor não dura pra sempre. A vida pulsa no meu peito AGORA. Que sentido há em esperar pra viver o agora depois?
A vida é hoje!
E hoje o que eu preciso é viver.

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Imagem: favim.com

Raquel Núbia

 

Correr

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Correr passos fortes
correr para vida.
Correr pela morte,
Correr perdida.

Correr sozinho,
correr acompanhado.
Correr na frente,
correr lado a lado.

Correr com vontade,
correr sem destino.
Correr sem idade,
correr sem caminho.

Correr no espaço,
espaço tão grande,
tão grande é o laço
e assim mesmo se esconde.

Correr mais depressa,
depressa seguir.
Seguir para frente,
pra frente fluir.

Correr sem saber,
saber não interessa.
Interessa a chegada,
e ao chegar, recomeça.

Rápido,
em frente.
Não pensa,
não sente.
Faça.
Sorria.
É a graça
do dia.

Não olhe nos olhos
ou o profundo se vê.
Se vê o profundo
não há como esconder.

Escolha as perguntas,
perguntas sem ponto.
Sem ponto as pessoas
que aumentam o conto.

O relógio marcando,
apontando a hora.
Não há o que escolher,
a escolha é agora.

Passa o dia
e já nem se vê.
Nem se vê a rotina,
rotina de viver.

Correr de novo.
De novo há direção.
Direção escolhida,
não é opção.

A mente pensa…
E pensa em parar.
Parar já não pode,
pode continuar.

O corpo exclama
e clama a calma.
A calma da mente
que mente pra alma.

Mentira tão clara,
claro que o olho vê.
Olho que finge de bobo
“pro” bobo coração não saber.

E na rapidez
dessa vida diária,
se deixa pra traz
coisas tão necessárias.

A vontade aparece,
parece despertar.
Mas há vozes falando,
falando pra se calar.

Na camisa de força,
da força do pensamento.
Mas não há saída,
não há um alento.

O sol nasce de novo
e de novo espera.
A saída do dia
e de novo uma regra:

Correr.

Raquel Núbia