Relembrando: Atimia

Se tem um sentimento que se repete corriqueiramente dentro de mim e esse sentimento de um passado agarrado no presente ainda que longínquo…

atimia

Atimia

Tem hora que parece que volto no tempo e me voltam interesses de tanto tempo atrás. Eu começo a querer fazer coisas e ter sentimentos velhos, fico saudosa do que já vivi, as alegrias que tive e das coisas que já senti.
Bate uma nostalgia… uma falta de algumas pessoas, das histórias ligadas a elas, das situações, até dos cheiros, sensações, das roupas, dos planos e dos sonhos.
Quando menos espero, percebo que tudo isso está num passado tão distante, que essas pessoas das quais sinto saudade, aliás, mais nostalgia, estão em outro momento, assim como eu também estou, mas sem nem sequer devem se lembrar desse passado.
Eu tenho sempre saudade do céu azul limpinho e das manhãs frias que o acompanhavam… do sol quentinho das 9h30, do perfume e do cheiro das pessoas. De como costumava achar tudo tão importante e da vontade que tínhamos de resolver tudo de pressa.
Nossos maiores problemas estavam sempre no futuro e agora que o futuro chegou, o presente traz problemas tão maiores… nos quais eu não vejo importância, nem urgência, muito menos vontade.
O futuro chegou e eu acho que meu eu do passado não está nada orgulhoso do eu de hoje e assim eu não vivo nem lá, nem cá.
Por que as manhãs não podem ser sempre frias e de céu azul?”

Raquel Núbia

Dádiva

O vento sopra leve
Uma brisa inesperada.
Que espalha o cheiro doce
De folha e terra molhada.
Num sentimento simples
Vejo raiar um novo dia.
Com gosto de futuro
Com sabor de alegria.
Tamanha a estranheza
De um sentimento raro.
Tão bom e espontâneo
Quase nunca me deparo.
Não sei se é o mundo,
Se sou eu ou se é a vida,
Mas hoje o riso é solto
E a gargalhada é ouvida.
Não sei por quanto tempo,
Qual será a duração,
Então eu regozijo
Do que traz o coração.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

Dejavu

Hoje acordei com cara e gosto de ontem…
Sabe quando parece que o dia guarda um monte de coisa, mas na verdade essas coisas todas já aconteceram lá no passado? Uma viagem, um passeio, qualquer atividade… Não sei explicar direito, mas estou com essa sensação desde ontem a tardinha e hoje ela permaneceu.
Não sei se é o fato do sol estar entrando frio pela varanda da sala, com esse ventinho que lembra a gente que apesar do céu azul, o que domina é o tempo frio e tempo frio já sabe, né?
Dias claros me transportam, pequenos momentos me transportam… Conversas…
Realmente creio que não estou sabendo me fazer entender, mas precisava dizer, depois de meses sem escrever por aqui (e em qualquer outro lugar), hoje até essa vontade apareceu latente.
Enfim.
Acho que é comum esse tipo de sentimento. Não chega a ser uma nostalgia, é apenas como se o dia estivesse se repetindo, mas não está. É como se você acordasse em um dia do passado, com as mesmas características de outra época que você viveu, só que ao invés de fazer o que você fazia, você fará novas coisas, bem diferentes do que te trouxe a memória.
A vida passa. Muita coisa muda. As pessoas seguem seus caminhos de acordo com suas prioridades e não é preciso se comparar para saber se está bem ou satisfeito com o que se tem, pois cada um busca aquilo que acredita ser melhor para si e nem sempre esses interesses colidem entre as pessoas. Talvez por isso mudamos nossas companhias e quem queremos do nosso lado, pois buscamos aqueles que compartilham dos nossos desejos e nos ajudam a alcançá-los.
O dia pode ter acordado com sensação de passado, mas é o presente e o futuro que me guarda os maiores e melhores dias.

Raquel Núbia

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Foto. Raquel Núbia. Tiradentes/MG

Déjà Vu

Tem dia que parece que nasce com cara de passado.
Com cheiro de ontem
e com passarinho cantarolando música repetida…

Tem dia que nasce com cara de lembrança.
Com cores de outra hora
e com parágrafos e pontos de história vivida.

Tem dia que nasce com vento soprando o céu frio.
Com jeito de câmera lenta
e com sons que despertam de dentro da cabeça.

Tem dia que parece reviver de outro tempo.
Com reprises da vida
e com memórias despertas até que adormeça.

Tem dia que nasce turrão e antigo.
Com o rosto conhecido
e com o elo forte que mostra passado e presente unidos.

Tem dia que começa com jeito de monotonia.
Com a mão estendida
e com os braços abertos para melancolia.

Tem dia.

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Foto: Raquel Núbia – São Paulo/SP

Alice

Já fiz algumas poesias dedicadas a pessoas, mas é a primeira vez que utilizo o nome do corpo da produção. Poesia singela, espero que gostem:

“Quem é a menina
Que o tempo todo sorri,
Que fala sozinha,
Quando não há ninguém a ouvir?

Quem é a menina
Que aos poucos se revela,
Se ordena: “Fecha a boca”
Já diria a mãe dela…

Quem é a menina
De fala suave e mansa,
Que quando eu era já moça,
Ainda era criança?

Quem é a menina
Sempre carinhosa,
Que traz doces e bolos,
Sempre cuidadosa.

Já falei várias vezes,
Várias vezes já disse.
A menina que cresce dentro dos meus dias:
Alice!”

Raquel Núbia

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Foto: Leandro Oliveira – Tiradentes/MG

Você não sabe

Ei!
Você não sabe rimar!
Você não sabe escrever,
não sabe se expressar!

Ei!
Você não sabe falar!
não sabe o que esconder,
não sabe o que mostrar!

Ei!
Você não é de verdade!
Você não sabe seguir,
não sabe o que liberdade!

Ei!
Você não sabe de nada!
Você não sabe do ontem,
e no passado é piada!

Ei!
Você não sabe…
E jamais saberá ao certo!
Não sabe que quem te entrega,
É quem você leva por perto!

Ei!
Você não sabe…

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia

 

 

Dia #10 – 30 DAY BLOG CHALLENGE

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Respondendo a um outro item do desafio, disse que queria ter uma vida mais tranquila no que se refere a tempo para dedicar a projetos pessoais e acredito que a resposta para esse item não fuja muito deste contexto.
Espero que meus dias no futuro não sejam tão corridos, nem tão milimetricamente planejados como precisam ser atualmente e que, assim, eu consiga mais tempo para mim e, além de tempo, consiga também mais energia que, confesso, tem me faltado ultimamente.
Tomo, no presente, as decisões que acredito serem as melhores para minha vida agora, ciente das consequências que terei lá na frente. Muitas vezes já tomei decisões que aos olhos dos outros eram malucas, mas só eu sabia o que aquela escolha traria e como impactaria em mim, por isso nem sempre há compreensão.
Quem sofre de ansiedade certamente já ouviu que isso é excesso de futuro e eu concordo em parte, por isso procuro não planejar demais nem pensar demais sobre isso, senão acabo perdendo a vida de agora sem nem ter certeza que chegarei no depois.

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Abraços,

Raquel Núbia

Choveu

Choveu.
Me encolhi.
E recolhi o que mostrava.
Silenciei palavras,
Guardei sorrisos,
Enquanto a água jorrava.

Choveu.
Me escondi.
E reneguei o que guardava.
Deixei lembranças
Na estrada torta
Por onde eu caminhava.

Choveu.
Me entristeci.
E calei o que se passava.
Nem a água,
Nem a chuva.
Sabiam o que eu pensava.

Choveu.
Permaneci.
E por dentro, atormentava.
Passado, presente, futuro
Na luta interna
Que batalhava.

Me encolhi, me escondendo.
Me entristeci, permanecendo.
Guardando pensamento outro que não só meu.

Da melancolia já conhecida.
Que vem de onde não há saída.
Que ninguém percebe senão eu:

Choveu.

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Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

Raquel Núbia

Vasca*

O sofrer da impaciência,
que aflige o pensamento.
Apreensão. Inquietude,
que acompanha a todo tempo.

Aflição e agonia.
Tormento e estertor.
É o mal da mente em chamas,
que se tortura com o calor.

Desassossego do poeta
que, no caos, encontra a rima.
Angústia e apreensão.
Ladrão de autoestima.

Receio, estresse, vasca.
O corpo em ebulição.
Escravo do futuro,
Com o presente em sua mão.

Contido ou generalizado,
o transtorno de ser perfeito.
É o remédio que mata
de efeito contrafeito.

Aspiração, avidez.
Esse inimigo interno.
Sofreguidão que acompanha,
até o descansar eterno.

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Foto: Raquel Núbia – Ouro Preto/MG

Raquel Núbia
*Vasca: Ânsia que precede os últimos momentos. Agonia. Momento extremo. Limite.