Preces

Foram tantas as promessas quebradas,
Tantas as palavras perdidas…
Eu fazia preces por você,
Hoje imploro para que não saia de minha vida.
A dor que fixou raízes no um peito
Tenta, inflamada, me tirar você.
Eu imploro novamente para que não me deixe,
Mesmo essa dor dizendo que não vou te ter.
Nada alivia essa inimiga já conhecida,
Que me toma de uma forma a não ter defesa.
Em minha infinita fragilidade
Com meus passos de criança
Corro em sua direção me fingindo de mulher,
Escondendo o que te assusta,
Me agarrando nos pedaços das promessas.
Procurando as palavras
Que foram perdidas
Com o peso das palavras que já foram ditas,
Colocando minha dor embaixo dos meus sorrisos.
Minhas preces ainda são feitas,
Muitas delas são para você.
Te presenteio o meu corpo com meu mais belo vestido,
Fingindo com maestria que não sei que os dias estão contados,
Que logo você vai seguir seu caminho.
E o que me restará serão as preces
E a amiga dor,
A velha e nova dor de ter perdido.

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Imagem: favim.com

Raquel Núbia

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Efeito

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Foto: favim.com

Parece que estou com um choro preso na garganta…
Alguma emoção está entalada e ameaça ora ser engolida, ora explodir.
Parece que estou com frio na barriga…
Alguma sensação que não decidiu se vai ou se fica, se fica ou se vai sair.
Parece que estou com a cabeça nas nuvens…
Alguns pensamentos vagando sem rumo, que não sabem se me fazem chorar ou sorrir.
Parece que estou com o coração sem controle…
Deixando escapar das minhas mãos todo o poder de poder decidir.
E esse choro preso,
Esse frio constante,
A cabeça nas nuvens,
O coração inconstante,
Me traz o desejo de um lugar isolado,
Onde eu consiga o momento tão aguardado,
Em que a fúria do pensamento fique calada,
E a garganta desfaça esse nó que a mantém sufocada.

Passam minutos, horas, se vai mais um dia.
Mais um turbilhão, não há calmaria.
E em meio a desordem eu faço uma prece,
“que mude o que sinto, ou o que esse sentir me parece”.

Raquel Núbia