Relembrando: “Sou eu”

“Sou eu quem a vida te deu
embrulhada pra presente.
Sou eu a bebida indigesta
que deixa o seu peito quente.
Sou eu indigesta surpresa
que você precisa engolir.
Sou eu que os seus medos de criança
não permitem deixar ir.”

Na íntegra:  https://raquelnubia.wordpress.com/?s=sou+eu

Sou eu
Foto: favim.com

Raquel Núbia

Retrato

Um dia fui um retrato na estante,
E quem me olhava se alegrava ao me ver.
E com carinho e ternura acariciava,
Enquanto sorria quase sem querer.

Um dia fui um retrato na estante,
Que de repente se tornou uma dor maior.
E com tristeza e saudade eu fui olhada,
Enquanto alguém ali chorava ao estar só.

Um dia fui um retrato na estante,
Mas no outro dia, fui lembrança pra esquecer.
E com rancor e mágoa fui guardada,
Num canto escuro pra ninguém nunca mais ver.

Um dia fui um retrato na estante,
De quem hoje faz questão de não se lembrar.
Hoje nem rastro nem memória eu sou mais,
Daquele que um dia disse me amar.

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Foto: Raquel Núbia – Ouro Preto/MG

Raquel Núbia

Adverso

Eu não sou uma princesa de contos de fada.
Nem sou a destemida heroína que salva a todos no final.
Eu não sou a inspiração das rimas dos poetas,
Nem guardo um talento, um dom especial.
Não forço a entrada da minha presença pra’s pessoas.
Me dou a oportunidade de, quando quero, dizer não.
Eu tento não impor meus dogmas e verdades,
Tento seguir discreta, mesmo que na contramão.
Eu não sou a delicadeza que se espera das pessoas.
Nem a fortaleza imponente na estrada.
O que constroem a meu respeito, surge do olhar de fora,
E dessa imagem torpe, muitas vezes não tenho nada.
Eu não sou em totalidade a correspondência perfeita,
Das expectativas e projeções dos que julgam sem saída.
Eu sou a imperfeição em forma de gente,
Nesse vai e vem de ondas que chamamos de vida.

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Foto: Raquel  Núbia – Praia Azeda, Búzios/RJ

Raquel Núbia

Fluência

Quantas vezes já dediquei palavras para o mesmo assunto? Acho que já perdi a conta.
Consigo lembrar de alguns como: MeninaAos amigos que não são, Vamos calarO cansaço e o costumeVida real e Costume
Esses entre tantos outros em que um sentimento recorrente… De que a vida passa, segue e exige cada vez mais de nós. Não sei se é correto culpar a vida pelas situações que suprimem cada pedaço do que queremos ser e espreme de nós a energia e o entusiasmo que não temos para dedicar ao que não desejamos.
De quem realmente será a culpa?
A vida, despretensiosa, vai virando as páginas dos dias e, como num rio que corre, somos levados pela água abaixo. Vez ou outra talvez até nos atrevemos a dar braçadas contra a maré, mas, quem somos nós em nossa finitude frente a uma correnteza que faz de nós o que quer?
A nossa volta todos estão preocupados demais com suas próprias águas revoltas e até mesmo quando se nota uma remota preocupação, geralmente nos envolve porque de alguma forma nós estamos atrelados ao bem estar do outro.
Não basta somente isso… A vida (pobre bode expiatório) por vezes ainda age como um mafioso impiedoso, que além de nos jogar aos tubarões, ainda nos amarra concreto nos pés pra nos ver afundar sem chance de salvação.
Não… Esse aqui não é o muro das lamentações. E não, a vida não é ruim.
“São tempos difíceis para sonhadores” (Amélie Poulain)

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Raquel Núbia

Evento Literatura Avançada

Conforme havia postado aqui no Verba Volant anteriormente, neste sábado participei do I Concurso de Poemas realizado pela ONG Identidade das Ruas. Participaram alunos de várias escolas públicas da cidade de Muriaé-MG, sendo os três primeiros colocados premiados. Todos os poemas serão publicados em um livro, incluindo o poema do Blog que eu escolhi recitar “Reflexões de Domingo”.

Segue abaixo fotos e o vídeo da minha participação – aproveita para entrar no meu canal no Youtube e se inscrever 😉

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Abraços,

Raquel Núbia

Alegria

Não conheço o que te move
Mas sei quem você é.
Vejo os seus sinais.

Eu não te detenho.
Sei como me esconder.
Mas me tira a paz.

Eu não me aproximo.
Confesso um segredo,
Quero que apareça.

Espero a surpresa
De uma visita
Que um dia aconteça.

Assim, frente a frente
Ou pouco distante,
Talvez, eu sorria.

E nesse sorriso,
Escondo que penso
Em seu nome: alegria

Alegria

Raquel Núbia

Poema da Ausência

E gentilmente, não olhou pra trás.
E foi embora andando devagar.
E num repente a sua imagem eu perdi.
E o coração seguiu pulsando a lamentar.

A falta quando é sentida faz sofrer.
E a ausência percebida faz sentir,
Mesmo que sofrendo devagarzinho
Em silêncio escondendo o choro de cair.

Por se separar de uma parte tão latente,
O tempo contado não diminui a estranheza
E o dia segue cheio de vazio.
E o céu de chuva também mostra sua tristeza.

Fica tudo com um tom acizentado.
É um pesar que chega quando se permite,
Ausência que me faz tão pequenina.
Que torna até minha felicidade, triste.
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Raquel Núbia