Sobre ser folha ao vento

Tem dia que a gente acorda num lugar querendo estar em outro. Sente falta do sol, do tempo, do vento frio e das outras ruas por onde já caminhamos. Das esquinas diferentes, dos bom dias dos estranhos que nunca mais vimos… É uma saudade de algo que nem se tem certeza de que se viveu. Eu gosto de ter raízes, mas também preciso me sentir como a folha solta que o vento leva… 

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Petrópolis/ RJ
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O sorriso da lua

Hoje o céu trouxe uma lua
Que sorriu pra mim…
Lá de longe ela me olhava
No breu de imensidão sem fim.

Essa lua, ali sorrindo
Quase me desafiava,
Pois no dia já vivido
A alegria não estava.

Aquela lua, testemunha…
Entre perdidos e achados.
Viu que quando eu fiz planos,
O universo jogou os dados.

Ela que antes era grande,
Num sorriso se reduziu.
Quase ao mesmo tempo
Em que o meu sorriso sumiu.

Lua de sorriso maroto…
De tamanha ironia,
Mostra sua alegria à noite,
Mas some na realidade do raiar o dia.

Raquel Núbia

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Foto: Arthur Venuto – Instagram @arthur_venuto

Sobre as canções dos dias de sempre

Os dias continuam passando no mesmo turbilhão de sempre e, ultimamente tenho gostado porque esse turbilhão é o que tem envolvido planejamentos importantes que colocam todo o restante das atividades sob perspectiva e definem o tamanho real do que realmente importa.
E a gente vai vivendo e, como escreveu Mário Quintana: “Tão bom viver dia a dia… A vida assim, jamais cansa… Viver tão só de momentos, como estas nuvens no céu…”, e sentir realmente que estamos priorizando o que tem importância verdadeira pra nós. Você tem feito isso?
Nem sempre é tarefa fácil, porque são tantos estímulos jogados sobre nós o tempo todo, tantos deveres e expectativas que nos rondam a todo momento que nem sempre conseguimos refletir sobre nossas ações e sobre nossos planos. Mas se não somos capazes de pensar sobre nossos desejos e nossos objetivos, jamais seremos senhores do nosso tempo, de nossos resultados e a vida se tornará uma grande engrenagem da qual seremos apenas mais uma peça e não o protagonista da nossa história, seja ela qual for.
O tempo é como a água quente que alcança o corpo cansado no fim do dia. Aos poucos desata os nós, desfaz a tensão carregada nos ombros, alivia a mente pesada e transforma o cansaço e o estresse em renovação e preparo para novos desafios.
A água quente que caiu sobre mim, lavou minhas angústias outrora sentidas, levou a falta de crença na eternidade dos sentimentos e limpou os sentimentos anuviados que habitavam meu coração. O tempo faz milagres quando estamos dispostos a colaborar.
Não é lindo viver assim? Sem dar nomes aos rios justamente por saber que será outro rio a passar? Com a tranquilidade de que nada acaba para sempre e também não continua, pois, o ciclo correto é recomeçar?!
“E sem nenhuma lembrança das outras vezes perdidas”, carrego a rosa dos ventos em minhas mãos distraídas…

Raquel Núbia
(para ler a poesia completa de Mário Quintana, clique aqui)

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Foto: Raquel Núbia – Rio das Ostras/RJ

 

Relembrando: Meu coração

Confira a poesia e o post original clicando aqui:

Meu coração
Foto: Raquel Núbia – Alto Caparaó/MG

“Meu coração

Meu coração já bate apertado
Chorando os dias que estão por vir.
Você longe e não do meu lado,
Eu distante e sozinha aqui.

Meu coração bate ciumento
Por saber que há outro alguém
Que vai dividir cada momento,
Enquanto eu fico sem ninguém.

Meu coração bate angustiado
E pulsando o que não quer pulsar.
Por saber que o meu menino amado
Em outros braços vai se aconchegar.

Meu coração bate de teimoso
Porque motivo não há pra bater.
Se quem ele guarda, tão precioso,
Quando mais precisa, não pode ter.”

Raquel Núbia

Relembrando: Tempo

Veja o post original aqui.

Tempo
Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

“Tempo

E quantas vezes mais
ainda vou me sentir calar
quando, por dentro,
um silêncio não demora a me sufocar?

Quantas vezes ainda
vou ficar querendo ir,
sentindo o corpo paralisado,
me sentindo parar de sentir?

Quanto tempo falta
pra poder ir onde e quando quiser?
Pro coração bater aliviado
e não se entristecer com coisa qualquer?

E quanto tempo mais
haverá essa intensa briga,
entre coração e pensamento,
onde a mente teimosa e dura
se sobrepõe ao sentimento?”

Raquel Núbia

Relembrando: Destempero

Quem nunca perdeu a paciência com algo ou alguém que atire a primeira pedra! Mas, vamos ficar atentos, pois a falta do equilíbrio diz muito de como estamos lidando com nossas questões. Clique aqui para ver o post original.

 

Destempero
Foto: Raquel Núbia – São Tomé das Letras/RJ

“Destempero

No equilíbrio há um lugar sempre vazio.
Que quem escolhe e consegue faz morada.
Se manter lá é quase sempre um desafio,
Para uma vida que segue descontrolada.

Quem nunca chega a encontrar esse lugar,
Na corda bamba leva os dias se apoiando.
De extremo ao outro vai e se deixa levar,
E quando pensa estar indo, vem voltando.

E tão distante desse lugar tão perfeito,
O meio termo passa longe de existir.
É destempero o nome dado a esse jeito,
De quem não coloca limites ao sentir.

E qualquer ser seguindo na destemperança,
Hora ou outra esbarra em quem está ao redor.
Da explosão, logo volta a bonança,
Mas os estilhaços causam dano maior.

Qual a sorte daquele que vive desesperado,
Por não possuir o controle em sua mão?
Que quando nota já se perdeu descontrolado,
Causa mal ao corpo, alma e coração…

Quem dera houvesse um escudo a proteger,
Do destempero dos aflitos, o feliz.
Pois nem sempre há como se proteger,
De toda explosão que sempre deixa cicatriz.”

Raquel Núbia

 

Relembrando: Choveu

Clique aqui para ver o post original.

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Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

“Choveu

Choveu.
Me encolhi.
E recolhi o que mostrava.
Silenciei palavras,
Guardei sorrisos,
Enquanto a água jorrava.

Choveu.
Me escondi.
E reneguei o que guardava.
Deixei lembranças
Na estrada torta
Por onde eu caminhava.

Choveu.
Me entristeci.
E calei o que se passava.
Nem a água,
Nem a chuva.
Sabiam o que eu pensava.

Choveu.
Permaneci.
E por dentro, atormentava.
Passado, presente, futuro
Na luta interna
Que batalhava.

Me encolhi, me escondendo.
Me entristeci, permanecendo.
Guardando pensamento outro que não só meu.

Da melancolia já conhecida.
Que vem de onde não há saída.
Que ninguém percebe senão eu:

Choveu.”

Raquel Núbia

Relembrando: Passarinho

Você pode conferir a poesia original clicando aqui:

Passarinho
Foto: Raquel Núbia – Petrópolis/RJ

“Passarinho

Na minha janela
Canta um passarinho
que insiste em não se calar
Mesmo quando barulho do vento
se sobrepõe ao seu cantarolar.

E sua melodia,
Se estende pela rua
Sem nenhum minuto interromper.
Mesmo quando ninguém o escuta
Ele continua sem se perder.

Eu ouço,
e percebo seu canto.
Acredito ser a única a escutar.
Esse maroto bichinho cantante
Abandona o silêncio ao cantar.

Da minha janela,
De longe me perco
nos acordes desse passarinho,
que não se importa se há plateia,
pois aprendeu a cantar sozinho.”

Raquel Núbia

Relembrando: Contrição

Segundo a definição do cristianimo, contrição é a prece ou oração que se realiza para demonstrar esse arrependimento.
Quando publiquei esse post aqui, tinha o mesmo pensamento que guardo até hoje. Ao meu ver, o arrependimento é um dos piores sentimentos que podemos ter. Por isso vale refletir sempre sobre as ações que nos levaram até ele para que não seja preciso percorrer esse caminho novamente.

Contrição
Foto: Raquel Núbia – Tiradentes/MG

“Contrição

Eu retiro…
Retiro tudo o que disse um dia,
Quando o meu maior desejo
Era ser o que você queria.

Eu tomo de volta
Cada frase construída,
cada palavra e sílaba,
Desde o ponto de partida.

Eu levo comigo
todo o planejamento,
toda boa intenção
que guardava no momento.

Eu apago…
Fingindo não ter acontecido,
que um dia fui até você,
que me fez, de uma só vez,
esquecido.”

Raquel Núbia

Eu sou mulher

A crônica, de minha autoria, que compartilho hoje, foi utilizada no vídeo Institucional em comemoração ao dia da mulher da Fundação Cristiano Varella – um dos maiores centros oncológicos do país, onde tenho a satisfação de trabalhar. Para conhecer mais da nossa instituição, ver nossos projetos e saber como ajudar, clique aqui.

Eu sou mulher.
Eu posso ser gentil, doce e compreensiva.
Eu posso ser assertiva, irônica e perspicaz.
Eu posso ser forte emocional e fisicamente
Ou posso ser sensível e emotiva.
Eu posso ter todos os pudores.
Ou não ter pudor nenhum.
Eu posso ser uma grande competidora no mercado de trabalho,
Liderar grandes equipes,
Gerenciar processos importantes
Ou posso fazer tudo isso cuidando da minha casa:
Liderando minha família
E gerenciado todas as rotinas do meu lar.
Eu posso ser vaidosa,
E gastar todo o meu dinheiro com coisas consideradas superficiais.
Ou posso não ligar para aparência,
E me sentir completa apenas sendo quem eu sou,
Do jeito que sou.
Eu posso gostar de estudar,
E ser extremamente inteligente.
Ou posso preferir me dedicar a outras coisas.
Eu posso ser magra.
Eu posso ser gorda.
Eu posso ser bonita do jeito que você quer.
Ou me sentir bonita do jeito que eu sou.
Eu posso sonhar em me casar de véu e grinalda,
Ou posso sonhar em viajar o mundo!
Ou… Posso querer casar de véu e grinalda
E viajar o mundo!
Eu posso planejar ter filhos,
Um filho,
Dois filhos,
Vários filhos!
Ou posso planejar não ter nenhum.
Eu posso ser sorridente, delicada.
Eu posso ser séria e agressiva.
Eu posso ser calma…
E agitada!
Eu posso gostar de homens
Ou posso gostar de mulheres.
Eu posso ser vegetariana, vegana e só tomar sucos naturais
E posso tomar cerveja e só comer fast food.
Eu posso ter um linguajar requintado
Ou posso falar palavrões.
Eu posso usar saias e vestidos,
Eu posso usar calças e shorts.
Eu posso querer não ficar com ninguém
Eu posso querer ficar com quem eu quiser.
Eu posso gerar o amor
Mas também posso sentir raiva.
Eu posso ficar estressada
E nem sempre vai ser por causa de TPM!
Eu posso ser mãe,
Filha,
Esposa,
Irmã,
Sobrinha,
Prima,
Amiga.
Eu sou mulher
E posso ser o que eu quiser.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Búzio/RJ