Relembrando: Déjà Vu

Dos meu sentimentos, o mais conhecido…

déjà vu

Déjà Vu

Tem dia que parece que nasce com cara de passado.
Com cheiro de ontem
e com passarinho cantarolando música repetida…

Tem dia que nasce com cara de lembrança.
Com cores de outra hora
e com parágrafos e pontos de história vivida.

Tem dia que nasce com vento soprando o céu frio.
Com jeito de câmera lenta
e com sons que despertam de dentro da cabeça.

Tem dia que parece reviver de outro tempo.
Com reprises da vida
e com memórias despertas até que adormeça.

Tem dia que nasce turrão e antigo.
Com o rosto conhecido
e com o elo forte que mostra passado e presente unidos.

Tem dia que começa com jeito de monotonia.
Com a mão estendida
e com os braços abertos para melancolia.

Tem dia.”

Raquel Núbia

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Relembrando: Meu lugar

meu lugar

Meu lugar

Toma.
Eu te empresto o meu lugar,
Se é disso que você precisa.
Pode vir quando quiser.
Vem em segredo, nem avisa.

Toma.
Eu te empresto o meu lugar.
Se é isso que você deseja,
Entra, senta e desfruta,
Mesmo que eu não esteja.

Toma.
Eu te empresto o meu lugar.
Se minhas águas são espelho
Olhe e reflita muito,
Mas segue esse meu conselho.

E toma…
Pode andar por todo ele.
Pode sorrir, chorar e ter memórias.
Pode guardar lembranças
E construir novas histórias.

Mas não se esqueça,
Que é somente emprestado.
Esse lugar que em sonho é seu,
É meu e jamais lhe será dado”.

Raquel Núbia

Relembrando: Faz de conta

faz de conta

Faz de conta

Tem hora
que a gente finge ser adulto,
em que a gente fica gigante,
se finge de gente grande.

Tem hora
que a gente esmaga os problemas
E o que mais aparecer,
que fica fácil resolver.

Tem hora
que a gente comanda toda vida.
que a gente é rei e rainha
e nem vê que ta sozinha.

Mas…

Tem hora
que a gente desaparece
e até se esquece
do adulto que quis ser.

Tem hora
que a gente se desespera
e fica na espera de,
quando tudo passar, crescer.”

Raquel Núbia

Relembrando: Diminuto

diminuto

Diminuto

Eu queria ser
Tudo o que você precisa.
Tudo o que você merece.
Tudo o que preconiza.

Eu queria ter
Tudo o que você quer.
Tudo que você deseja.
Tudo o que puder.

Eu queria…
Ser uma versão melhor de mim.
Oferecer a você sossego sem fim.
E deixar que você seja o que quiser.

Mas eu sou
Um pedaço estranho de uma pessoa qualquer.
Acumulado de medos, manias, meio mulher.
Que hora é tempestade
e outra hora é serena..
Mas que segue te amando, pequena.”

Raquel Núbia

Relembrando: Aleivoso

Tem hora que dá vontade de entrar dentro da tela (seja do computador ou do telefone) pra ir viver essa vida que é postada e divulgada… Pular pra dentro das fotos saturadas e dos feeds perfeitos, dos stories “espontâneos” e ser a personificação da plenitude estampada nessas redes que estão mais para teias e nos prendem como uma presa quando menos percebemos…

aleivoso

Aleivoso

Sei lá…
De repente,
todas as pessoas parecem iguais.
Em fotos e sorrisos tão irreais.
Transparecendo tão desbotadas,
em olhos vibrantes o desejo
do que quer ser.

Sei lá…
De repente,
fica tudo sem graça.
E não importa o que eu faça,
transborda um incômodo
dentro do peito e uma vontade
desaparecer.

Sei lá…
De repente
o errado sou eu.
Por me lembrar do que já se perdeu,
transportando o que eu vejo
para um lugar aonde as pessoas
não estão mais.

Sei lá…
De repente
ninguém está errado.
Só está cada um para um lado,
transmitindo o que acham
que sentem ou devem sentir
e isso satisfaz.

Sei lá…
De repente
não saber é o que resta.
E a vida do outro seja somente festa,
transpassando em uma linha de tempo
que é apenas
inacreditável.

Sei lá…
De repente
a cabeça pode não lembrar.
E dará um tempo para descansar.
Transformando todas as imagens,
sorrisos e olhares que vejo,
em um monte de lixo:
irrecuperável.”

Raquel Núbia

Aspiração

Quem me dera ser aquela que, com barulho, fecha a porta.
Ser ajuda que não sabe o que importa.
Quem me dera ficar fora e voltar pra uma parcela,
fracionar a vida e viver só parte dela.
Quem me dera levantar e sair por onde entrei,
me deitar e nem lembrar se eu sonhei.
Quem me dera ter o luxo de ser tantos e um só.
Ver a dor e no meu peito não ter dó.
Quem me dera a segurança de achar que estou certa,
e ter, após tantas coisas, mente aberta.
Quem me dera a chance de ser colo temporário,
ter caminhos que não são tão solitários.
Quem me dera ter vontade pra outras coisas e energia,
ter noite inteira de descanso ao fim do dia.
Quem me dera eu tivesse tanta facilidade…
e em coisas fúteis encontrar felicidade.
Quem me dera a esperança de dias melhores a espera,
De esquecer palavras duras,
curar feridas,
quem me dera…

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Alto Caparaó/MG

Relembrando: Tácito

tácito

Tácito

Tem dia que o coração fica calado,
E cala também a vontade de querer.
E quando tudo fica assim, silenciado,
Acha difícil achar motivo pra bater.

O tempo pode roubar o que cuidamos,
E maquiar o sentimento tão bonito.
Mesmo calados, seguimos e esperamos,
Um outro dia, com mais palavras, menos aflito.

Uma atitude, derruba tudo em um rompante.
E nem mil palavras poderão recuperar.
Pois o que se perde em um só instante,
Pela mágoa causada, pode nunca mais voltar.

A noite traz o brilho da estrela lá no céu.
Mas em breve o sol é quem vai iluminar.
Então escrevo o meu silêncio no papel,
Para que ele não consiga me sufocar.”

Raquel Núbia

Relembrando: Gracejo

Uma poesia para cantarolar o dia…

gracejo

Gracejo

Não ria se te conto um segredo.
É um pedaço de mim se revelando.
Não brinque ao descobrir que tenho medo,
e não gargalhe do que estou te mostrando.

Quantas vezes brincando eu disse tudo?
E alguém sorriu e se desfez sem nem notar.
Que, pra cada uma brincadeira que eu fazia,
Outra verdade escapava sem vacilar.

E, se escuta, não deixe passar em vão.
Se atente em ler mais do que é falado.
Pois o que guardo, pelo sim e pelo não,
Fica aqui, selvagem mas trancafiado.

Quantas vezes sorrindo eu quis chorar?
E alguém passou e seguiu sem perceber.
Que, pra cada riso que eu, simples, sorria,
Outra verdade eu prendia sem dizer.

Não ria se te conto minha alma,
E um sentimento que me toma, aprisionando.
Não brinque ao perceber, cedo ou tarde
que os meus versos sou eu me entregando.”

Raquel Núbia

Da janela

Tenho visto a vida
Passar pela janela.
Tenho visto a manhã clarear
E tudo o que vem com ela.

Da janela eu vejo gente,
Vejo carros e vida a passar.
Cada um com seu destino,
Na pressa de seu caminhar.

Minhas horas, que hoje eu conto,
Passam de forma diferente.
É da janela que os ponteiros somam,
Ao passar de tanta gente.

Da janela eu vejo a tarde,
Que vira noite, impiedosa.
E depois são madrugadas
Que são sempre melindrosas.

Da janela eu observo,
Pois o que me cabe é solidão.
De acompanhada estar só
E ver bater fora de mim, meu coração.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia

Dádiva

O vento sopra leve
Uma brisa inesperada.
Que espalha o cheiro doce
De folha e terra molhada.
Num sentimento simples
Vejo raiar um novo dia.
Com gosto de futuro
Com sabor de alegria.
Tamanha a estranheza
De um sentimento raro.
Tão bom e espontâneo
Quase nunca me deparo.
Não sei se é o mundo,
Se sou eu ou se é a vida,
Mas hoje o riso é solto
E a gargalhada é ouvida.
Não sei por quanto tempo,
Qual será a duração,
Então eu regozijo
Do que traz o coração.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG