Indiferença

Um dos sentimentos que mais me aborrecem e que menos gosto de ter é aquela sensação de deixar de admirar alguém… Quando algo se quebra, se apaga. Você olha a pessoa e simplesmente não consegue mais sentir aquele encantamento anterior. Ela simplesmente não te diz mais nada. Saiu do patamar e pessoas especiais e caiu naquele de mais uma pessoa do seu cotidiano.
Eu tento respeitar todos ao meu redor, mesmo que sejam pessoas das quais eu não goste pessoalmente, porque não conheço todas as suas lutas mas sei que estas lutas existem, assim como existem pra mim. Mas admirar, são poucas, não é mesmo?
Alumas por sua postura, outras por seu empenho, inteligência… Admiro pessoas nas quais me espelho…
E, de repetente, sentir que aquela ou aquelas pessoas que você admirava não são dignas do seu sentimento deixa a gente um pouco vazio por dentro. Faz a gente repensar em quem devemos colocar nossos esforços e quem realmente vale nossa atenção. É um eterno recomeço e aprendizado. Colocar nossa energia somente onde ela é necessário e não perder nosso tempo e sentimento com pessoas tão voltadas a si mesmo.
Isso é uma coisa que a gente precisa ter em mente. Não se trata de dosar expectativas, se trata de saber que se não te atribuem o valor que você merece, também não são dignos de serem valorizados por você.
Precisamos saber nosso lugar, ao que pertencemos e aí sim dosar o que oferecemos a quem não compartilha disso tudo com a gente.

Raquel Núbia

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Imagem: tumblr
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“Ponto&Vírgula” – Post 07

Sobre aquela que um dia tirou o meu sorriso

Dia desses estava lendo meus textos “antigos”, desde o início do Blog… Não consegui ler todos, mas passei por muitos. Curioso como cada um deles me trouxe uma memória, alguns me levaram exatamente para o momento de sua criação, reacenderam sentimentos, alegrias, perdas mas, acima de tudo me mostraram que consegui sair do lugar. Consegui me mover.
Em algumas passagens me via tão absorvida pelas questões que me cercavam, lutando contra um sentimento ruim que brotava dentro de mim, direcionado a pessoas que eu nem conhecia tão bem, mas que, com seus atos odiosos, despertavam em mim meu pior lado.
Hoje não mais.
Na verdade, hoje penso em como teria sido se eu tivesse tido a oportunidade de tratar todas aquelas coisas de modo mais direto, falando diretamente com quem me direcionava tanta ira, falando abertamente. Mas essa oportunidade me foi negada e nem posso culpá-la por isso, pois quem me pediu cautela na tratativa de tanto alvoroço nem foi ela…
Quantas vezes a odiei sem fim!
E sim, era ódio mesmo! Naquele nível que nos transforma e revela o pior de nós. Quando reflito, nem sem porque senti tanto, com tamanha proporção, pois as ações dela contra mim se resumiram em um amontoado de palavras amargas que projetavam em mim seus próprios medos e suas próprias frustrações, afinal o objeto real de seu ódio lhe foi tirado repentinamente e como, provavelmente odiar quem um dia se amou tanto pode ser muito difícil, inconscientemente ela decidiu odiar o que mais personificava sua dor: alguém melhor e mais feliz.
Não é curioso como personificamos em algumas pessoas os nossos piores sentimentos? E, em algumas vezes, essas pessoas são apenas um estandarte, uma representação que carregam características que nós colocamos nelas e que, nem sempre elas realmente tem.
Claro que ninguém fica satisfeito recebendo ataques, sendo assediada e tendo pessoas queridas sendo assediadas também a troco de nada. Talvez meu advogado tenha ficado satisfeito quando o procurei com provas suficientes para uma causa ganha! Mas logo ficou insatisfeito quando eu desisti de acionar a justiça. Não valeria a pena. Nada que tira a minha paz, vale.
Hoje me sinto melhor por conseguir revisitar esse recorte do meu passado sem sentir tanta coisa ruim. Às vezes sinto, ainda mais quando penso em tudo o que não foi dito, mas nada que me impeça de seguir com coração mais tranquilo.
Não sei se um dia a gente ainda vai se esbarrar por aí… Impressionante como cidades tão pequenas ficam tão grandes quando nossos ciclos se encerram. São as mesmas ruas, pessoas e lugares, mas alguns rostos nunca mais aparecem! E, se um dia chegar esse momento de, novamente estarmos no mesmo lugar ao mesmo tempo, não sei qual será a minha reação.
A única certeza que tenho é que, independente do que aconteça, de qual comportamento e sentimento será despertado, sei que sua origem será o meu lugar seguro de sempre, que me guiou naqueles tempos e que me guia ainda hoje, ao qual recorro sem medo de errar: meu coração.
Um coração que ainda que remendado, empoeirado e tantas vezes descompassado, não deixa de bater pelos meus passos certos.

Raquel Núbia

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Soledade

A maioria das pessoas diz que a vida é feita de ciclos. Eu mesma já escrevi algumas vezes falando isso, afirmando que quando algo termina, outra coisa começa, que quando alguém se vai, alguém ou alguma coisa, chega. E nessa linha a gente vai dando adeus e boas vindas pra tudo o que a vida nos apresenta.
O ponto comum, pra mim, é a solidão.
Solidão em todos os significados que a palavra guarda.
Não importa o que aconteça, quantas pessoas temos por perto, se é voluntário ou não, em algum momento o que resta é a solidão. Que dure dias ou horas.
Não importa quantos ciclos se encerram, nem de que forma estes ciclos terminam. A constante é estar ou se sentir só.
Nessa solidão é possível se reencontrar, encontrar pensamentos, vontades e saudades que já nem se lembrava que existiam, boas ou ruins.
No fim de tudo, estamos mesmo sós.
Somos apenas nós por nós mesmos.
Estar só é como ver a luz se apagar de repente. Nos primeiros minutos é preciso um ajuste dos olhos pra conseguir enxergar o que está a volta. Essa cegueira momentânea pode causar certo medo, mas com o tempo conseguimos discernir, mesmo sem muita clareza, o que nos cerca.
As pessoas sempre nos deixam, mesmo que seja por pouco tempo, ninguém está disposto a ser claridade na estrada do outro o tempo todo.
É necessário se habituar a isso.
Aprender a andar no escuro seguindo a intuição para que a falta da luz não abale mais.
Aprender a iluminar o próprio caminho.

 

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Foto: Raquel Núbia

Raquel Núbia

Distraído

Quando foi que nos tornamos assim, tão especiais?
Quando foi que o mundo passou a girar ao nosso redor?
Quando foi que todas as pessoas que conhecemos começaram a agir em nosso favor ou contra nós?
Em algum intervalo de tempo, eu perdi esse momento e, de repente, quando voltei à “realidade” pude ver somente o caminhar das coisas, o reclamar, a busca incessante pela responsabilidade e culpa alheia. De 8 ou 80 o que ouço são pessoas adultas se denominando meninos e meninas, fazendo das paredes, espelhos que só refletem sua própria imagem e assim, tudo o que os cerca, tudo o que acontece está voltado para eles mesmos.
Não, eu não falo de selfies, bons ângulos, filtros, likes…
Eu falo de pessoas se eximindo de suas vidas, colocando no colo do outro as causas para suas mazelas e belezas… Se estou triste, a culpa é do outro que me magoou… Se me olharam, é porque sou demais e irresistível… Se me traíram, é porque outra pessoa roubou meu amor… Se revidei a alguma agressão é porque fui provocada ao máximo por outra pessoa.
Nunca me sinto triste por problemas meus… As pessoas nunca me olham por olhar… Se fui traída, não foi por falta de qualidade minha… Se revidei não é porque perdi o controle…
Há sempre um outro. O outro a quem se pode atribuir as razões para que não se precise olhar no espelho e enxergar além de tudo o que nos faz especiais. E nesse reflexo que vemos, acreditamos. Depois de um tempo nem se sabe mais separar o que é realidade do que é egocentrismo* e nos reforçamos com tanta vontade frente aos outros que nos perdemos.
É difícil… Mas precisamos nos lembrar que, apesar de sermos únicos em nossa essência, não somos os únicos no mundo. Nossos interesses não geram, necessariamente, interesse nos outros. O que os outros fazem, fazem porque querem e não por estarem ligados a algo do nosso cotidiano, a maioria das pessoas que nos causaram algum mal, nem sequer lembram que existimos então, faça-se um favor e repita para si mesmo num desses espelhos invisíveis: “Eu não sou assim, tão especial. O mundo não gira ao meu redor”.
Nem sempre você será digno de um espaço na memória… E se não for, não insista.
Pare de estruturar dias e momentos tão arduamente, siga distraída… É na distração que moram as pessoas e coisas realmente especiais… É na distração que amizades viram amores, que amores viram lembranças e que as lembranças um dia desaparecem.

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Alto Caparaó/MG

Raquel Núbia
*O Egocentrismo é a característica que define as personalidades dos que consideram que tudo gira ao seu redor. Remete ao indivíduo que prioriza a si (seus desejos, pensamentos e necessidades) diante da realidade, tornando-se imersos em uma fantasia apropriada a esse padrão de aceitação e não enxergando a realidade da vida social e das necessidades de outros indivíduos em relação as suas.

Indizível

Velha e boa amiga angústia
Que insiste em não me deixar.
Tristeza companheira
Que gosta de me abraçar.

Esse é o caminho
Que eu não consigo aprender.
Essa vida que eu não quero,
É a única pra viver.

Vendo as pessoas e suas personas
Subindo cada degrau.
Me olhando lá de cima
Enquanto eu aqui me sinto tão mal.

Me importando com coisas e gente
Que não queria me importar.
Mas essa é minha essência,
Não posso simplesmente ignorar.

Eu já aprendi quem é bem me quer,
E quem não me quer de jeito nenhum.
Aprendi quem vale a pena
E quem não vale tostão algum.

Mas mesmo frente a tudo isso
Sinto impossível não questionar.
O que faz os outros se moverem
Mas me mantem no mesmo lugar?

Em alguns momentos
Tudo volta ao antigo normal.
Mas basta um olhar em volta
Pra realidade habitual.

O normal agora é passado
E de passado não se vive mais.
O que resta é o presente
Porque o passado ficou pra trás.

E pra trás também fica a memória,
Fica o sentimento e toda lembrança.
E pra frente é a resistência,
Caminhando lado a lado com a esperança.

Esperança, sentimento bobo,
Inútil, sem serventia.
Aliás, serve pra uma coisa,
Serve pro banho de água fria.

Aquele que aparece
Todas as vezes que os olhos brilham.
Por ouvir palavras que encobrem a verdade
Do que sentiam.

Indizível

Uma coisa é dita
Mas outra coisa se quer dizer.
A mão que afaga
É a mesma que quer bater.

O “bom dia” vem do mesmo lugar
Do sussurro contido.
O sorriso vem da mesma boca
Que fala escondido.

Olhos e ouvidos
Já não sabem como ver e ouvir.
E decifrar mentiras que vem
De onde não deveriam vir.

É infinito o poder
De paralisar.
Quando, na verdade,
O certo seria ensinar a andar.

Vejo com pesar que existem coisas
Que valem a pena a insistência.
Com tristeza, à conclusão
Chega à minha consciência.

O que uma vez foi forte
Hoje está quebrado.
Os pedaços se espalharam
por todo lado.

De tanto remendo
Ficou tudo cheio de marcas.
E agora é tarde,
Muito tarde para apaga-las.

Existem coisas que realmente
Não se recupera.
Por mais que seja o que
O coração espera.

O jeito agora é lamber as feridas
E seguir em frente.
Até porque pra ocupar o lugar,
Tá cheio de gente.

Fica a mágoa do que
Poderia ter sido.
Fica o suspense de tudo
O que foi vivido.

Fecha o ciclo, fecha os olhos
E segue o caminho.
O caminho segue, parado ou andando,
Com gente ou sozinho.

Raquel Núbia

Hoje conversando sobre algumas coisas com um amigo, senti um pequeno nó se formando na minha garganta.
Aquela vontade de chorar que vem quando a gente não espera e que faz com que encerremos imediatamente nossos pensamentos porque, se não o fizermos, o nó não ficará somente na garganta e inevitavelmente se transformará em lágrimas indesejadas…
Sei que essa vontade veio porque me deparei com a obrigação de fazer algo que me agrada e desagrada na mesma quantidade, por realizar que as coisas não são nada como deveriam ser e não serão, por saber que não importa o quanto façamos, algumas pessoas simplesmente não nos veem como pessoas boas e inventam para si uma imagem baseada em sua própria criatividade e não fatos por mais claros que eles sejam.
Esse nó veio para mascarar uma saudade… Saudade de coisas que nem sequer aconteceram, mas principalmente de sonhar com elas, em como seriam… E por perceber que não se pode ter tudo o que se deseja porque, para alcançar alguma coisa, outra tem que ser deixada para trás.
Então é melhor para de pensar e simplesmente viver… Afinal os desejos que não se realizaram já estão no passado e suas consequência bem vivas no presente e o que resta é tentar focar no novo e sonhar com o que ainda virá…

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06/12/2012
Raquel Núbia

Lembranças

Engraçado como nos lembramos de repente de algumas coisas e de algumas pessoas… Coisas e pessoas que às vezes guardamos tão bem guardadas que esquecemos onde colocamos e que quando menos esperamos, encontramos em algum canto empoeirado da memória.
De repente temos aquela sensação de “é mesmo! Como é que não me lembrava disso…” e nos deixamos transportar por alguns momentos de alegria, saudade ou tristeza.
Engraçado como guardamos cada pedacinho de história em uma gavetinha e às vezes jogamos a chave fora e mesmo assim ela insiste em abrir quando esbarramos de leve nela, sem querer…

Lembranças
De repente nos damos conta de que as pessoas que faziam parte essencial de nossas vidas, agora são só pessoas que costumávamos conhecer e essa sensação perturba, desconcerta e, algumas vezes, deixa triste.

Raquel Núbia

Aqueles que são por nós

Gostamos de algumas pessoas que não conhecemos bem e com elas nos preocupamos… nos importamos com o que vão pensar, o que vão falar, se estão satisfeitas, se podemos fazer algo para ajudá-las… Algumas pessoas que não nos conhecem tão bem também costumam se preocupar da mesma forma, mas só algumas.

Enquanto isso, o que fazemos com aqueles que nos conhecem bem e se importam por saberem verdadeiramente quais as nossas necessidades, nossos medos e nossos sonhos?

Quantas vezes descontamos toda a nossa ira e nossa frustração justamente nos que estão mais próximos?

Isso é até comum, mas não pode ser considerado normal… os que estão mais perto certamente sofrerão mais as consequências quando nossa bombas explodirem e os maiores estilhaços os atingirão primeiro, sobrando para os demais somente o vendo forte da explosão.

Acredito que se gostam realmente, saberão nos ajudar a limpar a bagunça e começar novamente, entretanto se nós gostamos realmente também vamos aprender…

Aprender que uma hora as pessoas se cansam de fazer o trabalho dos outros e pelos outros… se cansam de aparar as arestas, de ser o ponto forte e o porto seguro, não porque deixaram de nos gostar, mas porque também precisam de referências como estas.

Não podemos deixar de reconhecer aqueles que nos dão a chance e o motivo para tentar de novo, que compreendem nosso lado mais sombrio e, para ele, tentam trazer um pouco de luz afinal.

aqueles que são

Raquel Núbia

Surpresa?

Não sei mais se consigo me impressionar com as pessoas.
Parece um tanto quanto categórico e extremo, mas sinto dizer que é verdade. Aliás, meia verdade… me impressiono sim, com a capacidade que tantas pessoas tem de manipular, mentir e enganar.
Não, não estou “amargurada”, nem sofri nenhuma decepção ou situação recente que estimulasse esse desapontamento. Apenas percebi mais uma vez que isso acontece.
Mas como pode acontecer?
Sempre que percebo esses comportamentos tento me convencer de que as coisas são assim. Algumas pessoas simplesmente não se importam, não tem caráter, não tem escrúpulos. Mas passado um tempo, esqueço tudo e volto a acreditar na bondade… e é sempre nessa hora que sou pega de surpresa novamente.
Tenho levado cada vez mais tempo para voltar a crer que as pessoas valem a pena… mas o que mais me aborrece é o fato de que essa espécie de “gente” se reproduz aos montes e com suas mentiras se unem de forma inabalável, se disseminando por todos os lados como uma praga enquanto as pessoas realmente boas são pressionadas a sucumbir a isso ou a se tornar uma minoria sem voz.
Sem falar naqueles que são cegos para o mundo externo e não conseguem ver como são marionetes…
Hoje não consigo encontrar palavras bonitas e esperançosas para encerrar meu pensamento, tomara que amanhã eu possa. Agora, tudo o que eu consigo pensar é que se o ser humano for bom e o ambiente for o responsável por corrompê-lo, estou/estamos perdidos!

Surpresa
Raquel Núbia

Vivo na terra, mas às vezes…

Nunca fui de ter muitos amigos, nem nunca fui de ser o centro das atenções. Nunca fiz questão de reconhecimento público ou demonstrações públicas de afeto. Não gosto de muita “invenção de moda”, nem gosto de gente que faz muito rodeio. Não gosto de pessoas medrosas e muito menos das que colocam medo nos outros. Nunca fui daquelas que usam o amigo para aparecer. Nem conheço as pessoas pelo sobrenome, por sua filiação ou conta bancária. Nunca fui de tirar fotos para mostrar como sou feliz, nem faço questão de ser convidada para ir onde todos estão. Nunca me endividei para poder vestir grife e nem “pendurei” a conta no salão. Nunca viajei para fora do país, e foram poucas as vezes que saí do estado. Mas…
Os poucos amigos que conto em uma mão são aqueles para todas as horas e para a vida toda, para eles sou o mundo assim como eles são para mim. Os carinhos que recebo não precisam de testemunhas porque sinto sua verdade nos gestos do dia a dia. Quando falo é porque tenho certeza e principalmente quando a pessoa que pergunta vale o esforço de verbalizar… e se não quer me ouvir falar, não pergunte minha opinião. Minha presença não é imposta, meu sobrenome é apenas herança da minha família e não um marca que tento impor. Minhas memórias são guardadas no coração e nas palavras que escrevo. Minhas roupas são as que gosto e meu cabelo está ótimo de coque com grampo. Minhas viagens são para os destinos mais maravilhosos do mundo porque não me importa o lugar e sim as pessoas.
Vivo na terra, mas às vezes parece que sou de outro planeta.
Porque para suportar algumas coisas que nos cercam, só mesmo apelando para nosso próprio mundo.

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Raquel Núbia