Pensamento positivo

Em alguns momentos fica difícil manter o espírito elevado, o pensamento positivo e a energia pulsando. O cansaço físico invade a mente e as dores do corpo fazem companhia. Tantos dias seguidos e percebe-se que o que era fácil se tornou um pouco mais complicado, o que antes era comum e orgânico, hoje exige um esforço maior e às vezes nem o esforço permite a conclusão.
Tem sido necessário o costume aos novos limites do corpo, ainda que temporário, pois o impacto no cotidiano é grande, principalmente quando a lentidão dos movimentos não acompanha a pressa dos pensamentos.
O corpo, num desgaste acumulado, implica no estado e no fluxo de pensamentos. É algo biológico, as conexões ficam mais lentas… Esse impedimento imposto, demanda um reajuste que não é fácil. Quando a gente se condiciona a não esperar o outro e tomar a ação das coisas por nossas próprias mãos, qualquer forma de dependência é sofrida, acima de tudo quando precisamos pedir pelo auxílio e esperar que ele venha no tempo no outro e não no nosso.
O ato de pedir ajuda já é custoso. Será que as pessoas não conseguem ver?
A forma de contar o tempo muda e de repente esse tempo se torna uma contagem regressiva que traz um monte de outros pensamentos e desafios, mas também trazem a esperança de que no final a gente volte a ser mais como nós mesmos e, principalmente, que as dores desapareçam.
Saber que há um prazo facilita a lidar com elas, mas não as tornam menos piores. Acho que lidar com dor é assim, seja ela de que tipo for.
Cada um sabe da sua e cada um sabe o que lhe causa.
Ainda assim é preciso manter a clareza na mente e saber separar a gravidade do que se sente e o quanto a situação é permanente: Não é um momento ruim, são apenas dias difíceis e esses dias também são feitos para serem vividos.

Raquel Núbia

2019-02-12
Raquel Nubia. Foto: Leandro Oliveira

 

Sobre a realidade das nossas fantasias

Quando a gente tem uma vida muito intensa dentro da gente, dentro da nossa mente, que é sempre tão inquieta, fica difícil estabelecer uma relação saudável com a realidade.
A vida dentro da cabeça da gente pode ser tão mais atraente e incrível. E a vida dentro da cabeça da gente também pode ser tão assustadora e torturante!
Quando essas duas realidades se colidem o choque é inevitável.
Afinal, de tudo o que a mente cria e guarda, nem sempre é possível que se coloque pra viver. Mas tudo o que a mente cria e guarda impacta na forma como vivemos.
A vida interna é tão absoluta, contundente e barulhenta que a calma e a quietude externa não correspodem ao que deveriam. Passam a sensação de torpor ou de desimportância sendo que, na verdade, há um esforço tão grande para controlar o que acontece por dentro, que nem sempre sobra energia para colocar para fora. Ou então, se está tão ocupado vivendo os pensamentos e aventuras imaginárias, que a vida real deixa de ser interessante quase que pode completo e se torna apenas uma grande repetição do mesmo.
Se isso acontece, precisamos ficar alertas pois, uma vez que em nossas mentes arteiras sempre encontraremos soluções até mesmo para os devaneios mais surreais, o real do cotidiano tende a ser deixado em segundo plano, criando o ambiente perfeito para que possamos nos manter isolados e cercados apenas nos nossos pensamentos.
Mas em meio a uma realidade sempre caótica e apenas vez ou outra atraente, como seguir firme quando se há um universo inteiro dentro da gente, esperando para ser vivido?

Raquel  Núbia

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Foto: Raquel Núbia – São Tomé das Letras/MG

Palavras soltas

Desde ontem com vontade de escrever.
Muitos pensamentos, mas nenhuma ação de pegar a caneta e efetivamente produzir algo.
Agora já nem sei direito sobre o que queria falar.
Algo sobre não ser mais inocente e saber que quase sempre um ato esconde um interesse oculto, tem algo por trás.
Mesmo assim o coração vai sendo levado porque, por mais que a cabeça não seja uma criança deslumbrada, o coração insiste em ser aquele adolescente destemido que acredita que pode tudo e que, com ele, tudo vai ser diferente sempre.
É quase um super herói só que sem poderes mágicos ou super poderes, acaba mesmo caindo com tudo antes mesmo de tentar voar.

Raquel Núbia
(08/07/2015)

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Foto: Leandro Oliveira. Arraial do Cabo/RJ

Relembrando: Palavras da noite

Para ler o original, clique aqui.

Palavras da noite
Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

Terminado mais um dia me sinto incapaz de banir os pensamentos que chegam a essa hora da noite… Novo dia nos aguarda amanhã trazendo um pouco mais do mesmo e um pouco menos do que queremos.
Cada dia livre reflete um pouco da prisão que nos contém o correr do tempo e todas as exigências que ele faz… Ao mesmo tempo que olho a volta buscando tantos caminhos, peço ao universo que não me condene pelo crime da ingratidão de não me satisfazer jamais…
Seguimos… Pedindo que os dias corram rápidos mas que, ao mesmo tempo, o tempo passe devagar. Deus, lá de cima, deve estar confuso… Talvez, não mais que eu.
O céu agora escuro em poucas horas vai clarear. Se ao menos também clareasse minhas ideias! Aliás, talvez seja essa a origem do desconforto… Ideias claras demais para um cotidiano tão nublado.

Raquel Núbia

DIA #04 – 30 DAY CELEBRATION

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Infelizmente um dos traços mais marcantes da minha personalidade é justamente o pensamento constante, massante e cansativo. Certamente se pudesse mudar algo em mim, seria isso, tanto que tem sido um esforço diário manter esses pensamentos organizados e dominado. Em alguns momentos parece que minha cabeça vai fundir tamanho fluxo…
Claro que não é assim para todos os assuntos, geralmente para assuntos profissionais não sinto essa cadência de conexões mentais, nessa área as coisas costumam correr mais tranquilas.
Mas sendo o tema de hoje as 7 coisas que passam pela minha cabeça, não necessariamente nessa ordem:
* Penso em comida grande parte do tempo 😛 Apesar de parecer engraçado, é verdade e de vez em quando me pego pensando que precisar parar de atrelar os momentos de afeto e lazer com pessoas à realização de alguma refeição. Alguém mais é assim? Provável que seja…
* Vez ou outra penso que deveria cuidar mais da minha saúde e me sinto culpada por não dar a essa questão a importância que deveria.
* Penso em como as coisas seriam mais simples se as pessoas não tivessem tanta dificuldade em seguir regras e a se adaptar a elas. Já parou para pensar que todos os problemas que temos hoje estão ligados a essa dificuldade das pessoas? Isso costuma me estressa bastante.
* Penso em maneiras de ter uma vida mais pacata num futuro não tão distante e às vezes me pego analisando quais investimentos precisaria fazer para ir morar numa cidade pequena porém turística e ter algum negócio voltado ao turismo que envolve arte, relaxamento e Psicologia. Quem sabe um dia…
* Penso em situações do passado. Algumas de um passado longínquo e outras de um passado de ontem. Tenho essa “mania” de me lembrar sem querer de situações não tão agradáveis que já vivi. Voltando para a Psicologia pode-se chamar esses pensamentos de “pensamentos intrusivos” que costumam funcionar como uma auto sabotagem que por vezes me vence mas que em outras vezes é vencida.
* Penso nas minhas relações familiares com certa frequência. Meu irmão mais velho mora fora há anos, minha mãe passa grande parte do mês fora também e meu contato com meu pai e meu irmão mais novo certamente poderia ser melhor. Sobre isso sinto certa consternação…
* E tenho pensado bastante até em uma questão que até 01 ano atrás julgava resolvida pra mim: Filhos. Sabia que não queria tê-los. Hoje, me vejo planejando com meu parceiro a preparação para, em um futuro breve, recebê-los.
Apenas 7 itens… Mas de um conteúdo suficiente para atordoar os pensamentos por uma vida…

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Tiradentes/MG

Tácito

Tem dia que o coração fica calado,
E cala também a vontade de querer.
E quando tudo fica assim, silenciado,
Acha difícil achar motivo pra bater.

O tempo pode roubar o que cuidamos,
E maquiar o sentimento tão bonito.
Mesmo calados, seguimos e esperamos,
Um outro dia, com mais palavras, menos aflito.

Uma atitude, derruba tudo em um rompante.
E nem mil palavras poderão recuperar.
Pois o que se perde em um só instante,
Pela mágoa causada, pode nunca mais voltar.

A noite traz o brilho da estrela lá no céu.
Mas em breve o sol é quem vai iluminar.
Então escrevo o meu silêncio no papel,
Para que ele não consiga me sufocar.

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Foto: Raquel Núbia – Rio das Ostras/RJ

Raquel Núbia

Dia 03

Depois de tantos dias carregando essa caderneta na bolsa, junto com a minha caneta roxa, enfim senti a urgência de preencher suas páginas. Todo dia olhando pra ela ocupando um espaço na minha bolsa e pensando que deveria liberar um canto deixando-a sobre a mesa do escritório em casa mas, ao mesmo tempo, com aquela vozinha: “deixa ela aí, vai que você precisa”.
E não é que essa vozinha estava mesmo certa?
Hoje falou mais alto a necessidade de dedilhar palavras desenhadas a mão e descarregar o que quer que seja que ajude de alguma forma a aliviar o peito. Ainda é tão cedo e eu já falei com Deus tantas vezes hoje… Chamando em segredo e em silêncio pelo amparo nos assuntos mais guardados que se pode ter.
Vez ou outra vem de dentro um sentimento em ebulição que ás vezes esfria e outrora transborda. São tantos os pensamentos recorrentes que, de repente, eles acorrentam e levam para o fundo de um oceano turvo.
Quando menos se espera o toque do telefone me desperta e me devolve à superfície.
E então, outro problema… O que essa superfície traz? O que guarda e o que proporciona?
Sinto falta de ficar quieta, de não ouvir o telefone tocar, de não ter que escolher tantas coisas, tantas pessoas. Falta de não ter que saber de tudo ou de planejar, ainda no dia 03, o que acontecerá no dia 25.
Tem hora que parece…

dia 03
Foto: Raquel Núbia

Raquel Núbia

Dezembro

Me desculpem os pessimistas e realistas mas, tenho que confessar que minha vida sempre foi boa. Sempre. Apesar dos pesares, tropeços, dificuldades. Algumas graves, até… Mas a vida foi boa, pois até nesses momentos de perigo eu pude melhorar, nem que fosse pra piorar depois, mas melhorava.
Veja só como essa vida é…
Ano passado, nessa época, a minha vida era outra. Sem exageros, sem utopia, sem apelação nem auto piedade. Vejamos: Dezembro de 2015 foi tempo de:
Elaborar o término do que achei que nunca acabaria. Sim, foi preciso desfazer as ambições da perfeição, sofrer pelas cobranças internas e me submeter ao julgamento alheio, e que julgamento…
Foi tempo de enfrentar a realidade de que algumas pessoas não serão um constante em nossa vida e que, certas vezes elas nos deixarão por não saberem colocar as nossas necessidades acima ou iguais às delas. Mas tudo bem, se elas nos deixam, nós também as deixamos.
Foi tempo de desempenhar papéis diversos, mais diversos do que o habitual. De ser vista de um milhão de formas: corajosa, louca, culpada, mimada, má. E foi até necessário me “deixar” assumir alguns papéis, pois algumas pessoas precisavam me colocar em certas posições para tentar seguir em frente. Precisavam de alguém para culpar e a pessoa escolhida fui eu, e por um tempo, tudo bem, até que deixou de ser.
Foi tempo de encarar também o fato de que boatos, investidas de maldade, ataques de conteúdo pessoais mais dolorosos podem sim vir de quem já dividiu sua casa, sua mesa, suas refeições, seus brindes à vida… e podem vir às escondidas em mensagens às escuras, enquanto às claras o que se propaga é a amizade, o amor próprio. Isso mostra o quanto as coisas podem ser injustas e, geralmente elas são. O que conforta é saber que os poucos que ficam ao nosso redor, o fazem por escolha por que nos amam, acima de tudo, quando não temos nada a oferecer.
Foi tempo de me desesperar e achar que quase nada daria certo, que eu não aprenderia e nem reaprenderia tudo o que ia precisar para seguir caminhando, para fazer dar certo e, dessa vez, sozinha. Mas eu consegui. Consegui o que cabia só a mim e consegui o que cabia a uma solidão nem tão solitária. E nessa hora eu aprendi que são poucas, são raras as pessoas que se dispõem a carregar o peso das nossas decisões mesmo sem ter obrigação nenhuma de fazer isso. E eu tenho a sorte de ter duas dessas raridades ao meu lado. O tempo todo.
Foi tempo de me reorganizar. De enfrentar o amanhecer duvidoso, fins de tarde de melancolia, noites longas e o tão temido retorno ao fim do dia para uma casa vazia, literal e figurativamente. E isso pesou. Doeu. Mas em meio à desesperança, a dúvidas e até mesmo a certa dose de desespero, eu aprendi manhã após manhã, tarde após tarde, noites após noites infinitas, que o mundo não acaba por não termos companhia o tempo todo. E que a companhia dosada só aumenta a importância e o querer bem. Pois refletem o carinho e cuidado de pessoas que não podem nos dar tudo, mas que nos dão tudo o que tem.
Dezembro de 2015 me apresentava um cenário tão desorganizado, que batia de frente com a pessoa metódica e detalhista que sou. Me desafiou de pé, imponente, me olhando de cima e me colocando tão pequena… mas o tempo, tão precioso, passou e passou ligeiro. Agora esse dezembro de 2016 que já corre a passos apressados chegou para testemunhar… E agora, quando me olha, já olha olho no olho e, para esse dezembro de 2016, é tempo de:
Enfrentar que o “pra sempre” é questão etérea, imensurável e pode sim acontecer. O meu “pra sempre” acontece hoje.
Enfrentar que aqueles que partiram, hoje são só lembranças empoeiradas num coração que não sente mais falta.
Enfrentar que todos podem me colocar nos papéis que quiserem, mas quem define o papel que eu ocupo na minha vida, sou eu.
Enfrentar que, se os golpes vieram dos próximos a mim, é porque consigo deixar que as pessoas se aproximem e sigo assim. Hoje um pouco mais atenta e muito mais grata aos que compreendem o tamanho da prova do meu amor por me deixar mostrar tão grande e tão pequena.
Enfrentar que todo desespero e desafios viraram aprendizados e que, tenho certeza, se esses obstáculos aparecerem: eu dou conta.
Enfrentar que, mesmo que exista amor, amizade, diversão, companhia e casa cheia, em algum momento seremos só nós, conosco. E nesse momento de mim comigo, eu tenho poder de decidir se sou sozinha ou livre.
Então, dezembro de 2015, obrigada.
E pra você, dezembro de 2016, boa sorte com o que planeja pra mim.
E pra você que leu tudo até aqui, me responda se essa minha vida é ou não é boa por demais?

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Alto Caparaó/MG

Raquel Núbia