Surpresa?

Não sei mais se consigo me impressionar com as pessoas.
Parece um tanto quanto categórico e extremo, mas sinto dizer que é verdade. Aliás, meia verdade… me impressiono sim, com a capacidade que tantas pessoas tem de manipular, mentir e enganar.
Não, não estou “amargurada”, nem sofri nenhuma decepção ou situação recente que estimulasse esse desapontamento. Apenas percebi mais uma vez que isso acontece.
Mas como pode acontecer?
Sempre que percebo esses comportamentos tento me convencer de que as coisas são assim. Algumas pessoas simplesmente não se importam, não tem caráter, não tem escrúpulos. Mas passado um tempo, esqueço tudo e volto a acreditar na bondade… e é sempre nessa hora que sou pega de surpresa novamente.
Tenho levado cada vez mais tempo para voltar a crer que as pessoas valem a pena… mas o que mais me aborrece é o fato de que essa espécie de “gente” se reproduz aos montes e com suas mentiras se unem de forma inabalável, se disseminando por todos os lados como uma praga enquanto as pessoas realmente boas são pressionadas a sucumbir a isso ou a se tornar uma minoria sem voz.
Sem falar naqueles que são cegos para o mundo externo e não conseguem ver como são marionetes…
Hoje não consigo encontrar palavras bonitas e esperançosas para encerrar meu pensamento, tomara que amanhã eu possa. Agora, tudo o que eu consigo pensar é que se o ser humano for bom e o ambiente for o responsável por corrompê-lo, estou/estamos perdidos!

Surpresa
Raquel Núbia

Correr

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Correr passos fortes
correr para vida.
Correr pela morte,
Correr perdida.

Correr sozinho,
correr acompanhado.
Correr na frente,
correr lado a lado.

Correr com vontade,
correr sem destino.
Correr sem idade,
correr sem caminho.

Correr no espaço,
espaço tão grande,
tão grande é o laço
e assim mesmo se esconde.

Correr mais depressa,
depressa seguir.
Seguir para frente,
pra frente fluir.

Correr sem saber,
saber não interessa.
Interessa a chegada,
e ao chegar, recomeça.

Rápido,
em frente.
Não pensa,
não sente.
Faça.
Sorria.
É a graça
do dia.

Não olhe nos olhos
ou o profundo se vê.
Se vê o profundo
não há como esconder.

Escolha as perguntas,
perguntas sem ponto.
Sem ponto as pessoas
que aumentam o conto.

O relógio marcando,
apontando a hora.
Não há o que escolher,
a escolha é agora.

Passa o dia
e já nem se vê.
Nem se vê a rotina,
rotina de viver.

Correr de novo.
De novo há direção.
Direção escolhida,
não é opção.

A mente pensa…
E pensa em parar.
Parar já não pode,
pode continuar.

O corpo exclama
e clama a calma.
A calma da mente
que mente pra alma.

Mentira tão clara,
claro que o olho vê.
Olho que finge de bobo
“pro” bobo coração não saber.

E na rapidez
dessa vida diária,
se deixa pra traz
coisas tão necessárias.

A vontade aparece,
parece despertar.
Mas há vozes falando,
falando pra se calar.

Na camisa de força,
da força do pensamento.
Mas não há saída,
não há um alento.

O sol nasce de novo
e de novo espera.
A saída do dia
e de novo uma regra:

Correr.

Raquel Núbia