Sobre os cárceres do dia a dia

A verdade é que muita coisa que se passa na cabeça da gente não chega a sair dela, não verbalizamos ou contamos para alguém. Apenas pensamos, repensamos e pensamos mais uma vez… Vez ou outra esses pensamentos não compartilhados saem em forma de somatização, ansiedade, tristeza, essas coisas que vão sufocando a gente aos poucos.
Às vezes nos sentimos infantis por nos apegar envoltos em sentimentos tão velhos, como se não pudéssemos ser capazes de admitir que algo que já deveria estar enterrado e esquecido ainda nos aborrece. Na prática não faz a menor diferença em nossas vidas, mas penso que essas coisas acabam nos movimentando de uma forma ou de outra.
Por que nos importamos?
Não sei.
Mas quem somos nós afinal, para acharmos que temos tanto valor e que merecemos um lugar constante na memória de terceiros?
Cada um escolhe como compartilha o que sente e todos temos que lidar com as consequências… Vivemos esperando mudanças drásticas e grandiosas acontecerem quando, na verdade, a vida anda empurrada pelas pequenas coisas, pelos sentimentos bons, nem sempre absurdos, apenas estáveis e não fantasiosos.
A vida é tão simples e tudo o que a gente precisa é viver o dia a dia, mas algumas coisas nesse cotidiano nem sempre são justas e fáceis. Às vezes é preciso quebrar a cabeça e o cansaço transcende o corpo. Mas, no geral, a vida é mesmo simples, basta nos ocuparmos de nós mesmos, sem olhar tanto para fora, para o outro.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – Tiradentes/MG
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Crise

Quando a gente sai da rotina, o retorno fica um pouco complicado… Geralmente quando saímos da nossa zona de conforto e encaramos outros pontos de vista e outras realidades, temos a oportunidade de questionar e repensar nossas decisões e a reflexão sempre costuma deixar as alguns pontos de interrogação. No meu caso, ficaram as reticências…

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Búzio/RJ

 

 

A força dos pensamentos

Hoje lendo alguns posts antigos da talentosa e linda Lu A. Souza no blog Acid Lemon, encontrei esse aqui, onde ela fala um pouco sobre como alguns pensamentos podem afetar nosso humor e nosso dia mesmo quando tudo está indo bem.
Na Psicologia chamamos de “pensamentos intrusivos” aqueles pensamentos que “causam ansiedade, destroem a autoconfiança e fazem o indivíduo pensar em coisas e fatos ruins. Quem tem pensamentos intrusivos costuma sempre esperar que coisas ruins aconteçam, desconfia das pessoas (até mesmo, de pessoas próximas e queridas) e tende a ser inquieto e impaciente. Uma das causas mais comuns para o surgimento dos pensamentos intrusivos é a ansiedade.” (Fonte: IBC Coaching)
Esse tipo de pensamento funciona muitas vezes como uma forma de auto sabotagem e pode nos atrapalhar bastante quando tentamos traçar planos, objetivos ou realizar alguma tarefa.
É muito difícil lidar com esses pensamentos… Mas, mesmo sendo difícil, não é impossível. Me identifiquei muito com o que a Lu escreveu nesse post, ainda mais sobre a vontade que sentimos, às vezes, de deixar tudo de lado pois, são tantas as coisas que passam pela nossa cabeça que fica complicado filtrar quais são as ameaças reais daquelas que não fazem sentido.
Quantas vezes quis dessitir de tudo e até mesmo excluir todas as minhas coisas… Blog, Fanpage, perfil no Facebook e apenas levar uma vida “comum” e apegada na realidade do que posso ver e tocar e não no mundo virtual. Cheguei a fazer isso uma vez, excluí a página que tinha para meu Blog e meu perfil… Mas depois de um tempo eu voltei, nem sei porque.
Vez ou outra escrevo sobre isso, sobre a minha necessidade constante de me lembrar sempre os motivos certos para fazer as coisas que faço, simplesmente para não cair na besteira de fazer algo para provar um ponto de vista ou “dar uma lição” em alguém.
Sinto que com as cobranças exteriores e interiores que sofremos hoje, essa ansiedade tem sido cada vez maior e por isso é preciso ficarmos atentos, pois somente identificando o que nos desestabiliza conseguimos neutralizar o poder desses gatilhos.
Vamos tentar?

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Rio das Ostras/RJ

 

 

Sobre as incoerências do cotidiano

Engraçado (só que não) como a gente às vezes (quase sempre) cala um tanto de coisas e sai carregando conosco uma bagagem de frases não ditas, discussões não finalizadas, problemas e assuntos não resolvidos.
Já perdi a conta de quantas vezes testemunhei a incoerência acontecendo bem diante de mim e nem sempre pude me expressar, quase engasgando. Veja só:
De pessoas que se martirizavam por não poder amar, ouvi que meus olhos são vazios assim como meu coração.
De quem deixa em branco as páginas do que diz amar, ouvi que meus textos também são vazios (reflexo dos meus olhos e coração? Não sei…).
De pessoas que nem sabem o que faço e quais são meus resultados, ouvi que não sou boa profissional.
De pessoas que me cercavam com comentários e elogios enquanto eu me reservava o silêncio simplesmente por não ter nada de verdade a dizer, ouvi que sou traidora.
De pessoas que propagam o amo próprio, auto aceitação, autoestima e que lutam contra sua própria imagem no espelho por motivos alheios a sua própria vontade, já ouvi que pareço velha, feia e gorda (quão baixo o “ser humano” vai não é?).
De pessoas que se inteiram das minhas produções e não olham ao redor exatamente por se acharem o centro de tudo, ouvi que meus escritos e inspirações se baseiam num único tema/pessoa.
E já ouvi também que minha consciência pesada (a que julgam que eu tenho) um dia me adoecerá e cobrará um preço. Recebi esse comentário vindo de pessoas que são capazes de fazer justamente esse tipo de “acusação” (que está mais para um praga…) que não lhe deve sair da memória.
Dentro da cabeça todas essas conversas, discussões e resoluções existem e enquanto não verbalizamos (pela voz ou papel), pelo menos pra mim, continuam lá. Vamos deixando passar uma coisa ou outra, por um motivo ou outro e vamos seguindo e nos submetemos a esse tipo de experiência.
Sigo no aguardo de quantas incoerências mais ainda vão ser jogadas ao vento que me cerca, jogando malabares com o que tenho recebido equilibrando o meu desejo, a satisfação do outro e a loucura alheia.

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Foto: Raquel Núbia – Rio das Ostras/RJ

Raquel Núbia

Tempo

E quantas vezes mais
ainda vou me sentir calar
quando, por dentro,
um silêncio não demora a me sufocar?

Quantas vezes ainda
vou ficar querendo ir,
sentindo o corpo paralisado,
me sentindo parar de sentir?

Quanto tempo falta
pra poder ir onde e quando quiser?
Pro coração bater aliviado
e não se entristecer com coisa qualquer?

E quanto tempo mais
haverá essa intensa briga,
entre coração e pensamento,
onde a mente teimosa e dura
se sobrepõe ao sentimento?

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Foto: Raquel Núbia

Raquel Núbia

Choveu

Choveu.
Me encolhi.
E recolhi o que mostrava.
Silenciei palavras,
Guardei sorrisos,
Enquanto a água jorrava.

Choveu.
Me escondi.
E reneguei o que guardava.
Deixei lembranças
Na estrada torta
Por onde eu caminhava.

Choveu.
Me entristeci.
E calei o que se passava.
Nem a água,
Nem a chuva.
Sabiam o que eu pensava.

Choveu.
Permaneci.
E por dentro, atormentava.
Passado, presente, futuro
Na luta interna
Que batalhava.

Me encolhi, me escondendo.
Me entristeci, permanecendo.
Guardando pensamento outro que não só meu.

Da melancolia já conhecida.
Que vem de onde não há saída.
Que ninguém percebe senão eu:

Choveu.

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Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

Raquel Núbia

Vasca*

O sofrer da impaciência,
que aflige o pensamento.
Apreensão. Inquietude,
que acompanha a todo tempo.

Aflição e agonia.
Tormento e estertor.
É o mal da mente em chamas,
que se tortura com o calor.

Desassossego do poeta
que, no caos, encontra a rima.
Angústia e apreensão.
Ladrão de autoestima.

Receio, estresse, vasca.
O corpo em ebulição.
Escravo do futuro,
Com o presente em sua mão.

Contido ou generalizado,
o transtorno de ser perfeito.
É o remédio que mata
de efeito contrafeito.

Aspiração, avidez.
Esse inimigo interno.
Sofreguidão que acompanha,
até o descansar eterno.

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Foto: Raquel Núbia – Ouro Preto/MG

Raquel Núbia
*Vasca: Ânsia que precede os últimos momentos. Agonia. Momento extremo. Limite.

Pensamento

Às vezes me preencho de um vazio tão grande que me faltam os movimentos…
Me paraliso. E penso.
Afinal, o que mais resta senão o pensamento? Único capaz de libertar meus sonhos, realizar meus planos… Que outra opção escolher a não ser deixar que meus pensamentos me levem para onde a realidade não me deixa estar? São esses pensamentos que me trazem o cheiro que tanto quero sentir… eles me trazem o arrepio, o calor e o frio…
Encaro o tempo sem fechar os olhos e sinto o peso de cada parte do meu corpo me julgando por cada sorriso, que perdem a razão de existir quando os mesmos pensamentos que me realizam, me trazem à tona a culpa de sorrir enquanto outros choram…
E nesse momento, os olhos já não teimam em ficar abertos… e dando as mãos à exaustão da espera e à angústia da separação, eles se fecham, e eu me recolho. Penso, e paraliso.
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Raquel Núbia

Nem sei

Amedronta sentir o arrepio da dor que massacra o peito quase impedindo por completo de respirar… Amedronta o encontro com esse sentimento já conhecido e antes saudoso por tanto tempo longe. Não há como elaborar uma razão, não há como apenas pensar.
Esta sensação sufoca e as forças se perdem, não há mais pelo que lutar, todas as horas vividas foram transformadas em segundos de pó, colocados em um caixa velha e trancafiados numa gaveta escura de um armário qualquer, de onde nunca mais vão ser retiradas.
Há vergonha no caminho.
E não há como saber no que e em quem acreditar, toda a confiança se foi e agora não há um caminho a seguir… O que existe é cansaço, e ainda será assim quando tudo acabar. São tantas as palavras que não há como selecionar em qual acreditar, não há nem como saber se deve-se acreditar em alguma.
Afinal como identificar as mentiras, das verdades que se quer ouvir?

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Raquel Núbia

Hoje conversando sobre algumas coisas com um amigo, senti um pequeno nó se formando na minha garganta.
Aquela vontade de chorar que vem quando a gente não espera e que faz com que encerremos imediatamente nossos pensamentos porque, se não o fizermos, o nó não ficará somente na garganta e inevitavelmente se transformará em lágrimas indesejadas…
Sei que essa vontade veio porque me deparei com a obrigação de fazer algo que me agrada e desagrada na mesma quantidade, por realizar que as coisas não são nada como deveriam ser e não serão, por saber que não importa o quanto façamos, algumas pessoas simplesmente não nos veem como pessoas boas e inventam para si uma imagem baseada em sua própria criatividade e não fatos por mais claros que eles sejam.
Esse nó veio para mascarar uma saudade… Saudade de coisas que nem sequer aconteceram, mas principalmente de sonhar com elas, em como seriam… E por perceber que não se pode ter tudo o que se deseja porque, para alcançar alguma coisa, outra tem que ser deixada para trás.
Então é melhor para de pensar e simplesmente viver… Afinal os desejos que não se realizaram já estão no passado e suas consequência bem vivas no presente e o que resta é tentar focar no novo e sonhar com o que ainda virá…

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06/12/2012
Raquel Núbia