Pra ser poesia não precisa muito

Vejam…

Abraço,

Raquel Núbia

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Destempero

No equilíbrio há um lugar sempre vazio.
Que quem escolhe e consegue faz morada.
Se manter lá é quase sempre um desafio,
Para uma vida que segue descontrolada.

Quem nunca chega a encontrar esse lugar,
Na corda bamba leva os dias se apoiando.
De extremo ao outro vai e se deixa levar,
E quando pensa estar indo, vem voltando.

E tão distante desse lugar tão perfeito,
O meio termo passa longe de existir.
É destempero o nome dado a esse jeito,
De quem não coloca limites ao sentir.

E qualquer ser seguindo na destemperança,
Hora ou outra esbarra em quem está ao redor.
Da explosão, logo volta a bonança,
Mas os estilhaços causam dano maior.

Qual a sorte daquele que vive desesperado,
Por não possuir o controle em sua mão?
Que quando nota já se perdeu descontrolado,
Causa mal ao corpo, alma e coração…

Quem dera houvesse um escudo a proteger,
Do destempero dos aflitos, o feliz.
Pois nem sempre há como se proteger,
De toda explosão que sempre deixa cicatriz.

São Tomé das Letras (8)
Foto: Raquel Núbia – São Tomé das Letras/MG

Raquel Núbia

Inquietude

Por você,
escrevo simples.
Simplesmente porque é o que queria dizer.
É como uma pequena estrela,
insistindo em brilhar
mesmo quando o céu se cobre de nuvens negras.
Há sempre um raio seu,
por vezes maior do que todos os raios do sol,
por outras,
menor do que um pequenino vaga-lume
perdido na mata.
Mas jamais se apaga.

E eu te amo por isso.
Por não me deixar em paz.

Inquietude

Raquel Núbia

 

Alegria

Não conheço o que te move
Mas sei quem você é.
Vejo os seus sinais.

Eu não te detenho.
Sei como me esconder.
Mas me tira a paz.

Eu não me aproximo.
Confesso um segredo,
Quero que apareça.

Espero a surpresa
De uma visita
Que um dia aconteça.

Assim, frente a frente
Ou pouco distante,
Talvez, eu sorria.

E nesse sorriso,
Escondo que penso
Em seu nome: alegria

Alegria

Raquel Núbia

A cada dia que passa

Andam dizendo por aí que eu tenho medo de ser feliz… que apesar de correr feito louca atrás da felicidade e fazer de tudo para alcança-la, tenho medo dela. Talvez sim… Mas não creio que essa seja a questão central… a verdade é que acredito que a felicidade existe sim, e que depende de ninguém mais do que de mim para existir na minha vida… mas da mesma forma que acredito nisso… tenho cravadas em mim experiências que me dizem que também existem pessoas que nos cercam somente esperando o momento do sorriso de vitória para, num movimento sorrateiro, devolver o sentimento de derrota… Eu ainda continuo sem entender o motivo que leva uma pessoa a mal querer tanto outra… a ser tão maquiavélica com as palavras…

E preciso pensar sobre isso, para criar formas de driblar esses golpes que inevitavelmente irão aparecer, preciso pensar sobre isso para identificar o quanto tenho contribuído para que se comportem assim comigo.

Carrego comigo a certeza de que tudo o que eu podia fazer para alcançar o que desejo, eu fiz. Da melhor e mais honesta maneira que pude fazer… e hoje vejo que não há mais ações que dependem de mim, a não ser cuidar a todo tempo para meus medos não me vençam. Entretanto esse sentimento de “minha parte eu fiz” não é reconfortante de maneira alguma, porque traz uma sensação de  impotência frente à espera.

Tenho aprendido o quanto é quase impossível confiar nas pessoas… o quanto é difícil confiar mesmo em quem gostamos, não porque não acreditamos nelas, mas sim porque é tanta informação que chega ao mesmo tempo, de tantos lados que não há tempo de processar as verdades e mentiras dos amigos, e as verdades e mentiras dos inimigos… Ao mesmo tempo, tudo o que tenho feito é confiar… por um simples e um principal motivo, porque não me resta outra saída e porque amo acima de tudo.

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Raquel Núbia