Choveu

Choveu.
Me encolhi.
E recolhi o que mostrava.
Silenciei palavras,
Guardei sorrisos,
Enquanto a água jorrava.

Choveu.
Me escondi.
E reneguei o que guardava.
Deixei lembranças
Na estrada torta
Por onde eu caminhava.

Choveu.
Me entristeci.
E calei o que se passava.
Nem a água,
Nem a chuva.
Sabiam o que eu pensava.

Choveu.
Permaneci.
E por dentro, atormentava.
Passado, presente, futuro
Na luta interna
Que batalhava.

Me encolhi, me escondendo.
Me entristeci, permanecendo.
Guardando pensamento outro que não só meu.

Da melancolia já conhecida.
Que vem de onde não há saída.
Que ninguém percebe senão eu:

Choveu.

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Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

Raquel Núbia

Vento da tarde

Esse vento da tarde
Que lembranças me traz…
Frescor do anoitecer
De um dia que se desfaz.

Esse vento da tarde
Que aperta meu peito…
Memória que dorme
De um tempo perfeito.

Esse vento da tarde
Que só mente pra mim…
Me diz que é passado
O que nunca tem fim.

Esse vento da tarde
Que traz o fim do dia…
Me guarda a angústia
Mais do que deveria.

Esse vento da tarde
De um dia que se desfaz…
Frescor do anoitecer
Que lembranças me traz.

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Imagem: favim.com

 

Raquel Núbia

Indizível

Velha e boa amiga angústia
Que insiste em não me deixar.
Tristeza companheira
Que gosta de me abraçar.

Esse é o caminho
Que eu não consigo aprender.
Essa vida que eu não quero,
É a única pra viver.

Vendo as pessoas e suas personas
Subindo cada degrau.
Me olhando lá de cima
Enquanto eu aqui me sinto tão mal.

Me importando com coisas e gente
Que não queria me importar.
Mas essa é minha essência,
Não posso simplesmente ignorar.

Eu já aprendi quem é bem me quer,
E quem não me quer de jeito nenhum.
Aprendi quem vale a pena
E quem não vale tostão algum.

Mas mesmo frente a tudo isso
Sinto impossível não questionar.
O que faz os outros se moverem
Mas me mantem no mesmo lugar?

Em alguns momentos
Tudo volta ao antigo normal.
Mas basta um olhar em volta
Pra realidade habitual.

O normal agora é passado
E de passado não se vive mais.
O que resta é o presente
Porque o passado ficou pra trás.

E pra trás também fica a memória,
Fica o sentimento e toda lembrança.
E pra frente é a resistência,
Caminhando lado a lado com a esperança.

Esperança, sentimento bobo,
Inútil, sem serventia.
Aliás, serve pra uma coisa,
Serve pro banho de água fria.

Aquele que aparece
Todas as vezes que os olhos brilham.
Por ouvir palavras que encobrem a verdade
Do que sentiam.

Indizível

Uma coisa é dita
Mas outra coisa se quer dizer.
A mão que afaga
É a mesma que quer bater.

O “bom dia” vem do mesmo lugar
Do sussurro contido.
O sorriso vem da mesma boca
Que fala escondido.

Olhos e ouvidos
Já não sabem como ver e ouvir.
E decifrar mentiras que vem
De onde não deveriam vir.

É infinito o poder
De paralisar.
Quando, na verdade,
O certo seria ensinar a andar.

Vejo com pesar que existem coisas
Que valem a pena a insistência.
Com tristeza, à conclusão
Chega à minha consciência.

O que uma vez foi forte
Hoje está quebrado.
Os pedaços se espalharam
por todo lado.

De tanto remendo
Ficou tudo cheio de marcas.
E agora é tarde,
Muito tarde para apaga-las.

Existem coisas que realmente
Não se recupera.
Por mais que seja o que
O coração espera.

O jeito agora é lamber as feridas
E seguir em frente.
Até porque pra ocupar o lugar,
Tá cheio de gente.

Fica a mágoa do que
Poderia ter sido.
Fica o suspense de tudo
O que foi vivido.

Fecha o ciclo, fecha os olhos
E segue o caminho.
O caminho segue, parado ou andando,
Com gente ou sozinho.

Raquel Núbia

Hoje acordei

Hoje acordei no tempo errado…
querendo ter nascido no século passado.
Onde os dias me parecem mais brilhantes,
Onde o tempo correria ao meu lado.

Hoje eu acordei sem céu azul,
Me sentindo uma pessoa tão comum…
No pensamento meus sonhos tão distantes,
E dentre eles houve espaço pra mais um.

Um sonho onde o tempo fica frio,
Mas não carrega o ar sombrio
que hoje enfrento tão presente.

Onde em uma fotografia desbotada,
eu teria ali guardada,
essa memória tão pungente.

Hoje acordei

Imaginando que no século seguinte,
eu estaria com requinte
ocupando meu lugar.

Onde as manhãs fossem mais claras,
as pessoas fossem raras,
não se importando em se importar.

Hoje eu acordei no tempo errado,
caminhei de lado a lado
tentando me convencer…

De que hoje é o momento certo
pra fazer chegar mais perto,
a pessoa que quero ser.

Raquel Núbia

Carta ao tempo

Será que posso chama-lo de amigo?
Tenho alguns pedidos a fazer e outras coisas para falar.
O que tem feito comigo? Sinto que, às vezes, você não pensa nas coisas que faz, e outras, nas que deixa de fazer.
Você deixou para trás, e guarda no passado uma parte minha que hoje tenho somente na memória. O que não foi bom, tudo bem, pode ficar, mas o que foi céu azul, não pode me mandar de volta?
Você tem todas as respostas para o que hoje me são dúvidas e esconde tudo com você, não me deixa nenhuma pista. E eu sigo andando por aqui e por vezes sigo mesmo correndo atrás de você, mas você é como o vento… Não é possível alcançar, só é possível sentir e eu tenho sentido.
Por vezes você tem sido o meu melhor amigo e o único com quem posso contar para algumas situações… Mas por outras você me falta e quando me falta, falta quase tudo. Eu te quero comigo e não apenas te ver passar.
Sei que você não precisa de mim, mas eu preciso de você.
Seja gentil comigo…

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Raquel Núbia

Findo

Eu sei que o caminho é certo,
E não guarda passos no escuro.
Confio que a vida me trará,
O que há tanto tempo procuro.

Eu firmo um compromisso,
Um acordo com a felicidade.
Eu prometo cuidar dela,
Pra que ela não me maltrate.

Eu dou a minha palavra
E eu tenho o que a vida me diz.
Eu dou tudo o que tenho,
Em busca de ser feliz.

Hoje encontro com meu futuro
Deixo o passado em seu lugar.
Abro as portas pro que é novo,
E espero novo dia chegar.

Não há nada do que eu duvide,
Não há motivo pra me arrepender.
Não há dúvidas no caminho,
Há um caminho pra conhecer.

Mas por favor compreenda
Se eu parar um momento e chorar.
Quem confia que será pra sempre,
Nunca espera o fim chegar.
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Raquel Núbia

Poesia

Velha e boa amiga angústia
Que insiste em não me deixar.
Tristeza companheira
Que gosta de me abraçar.

Esse é o caminho
Que eu não consigo aprender.
Essa vida que eu não quero,
É a única pra viver.

Vendo as pessoas e suas personas
Subindo cada degrau.
Me olhando lá de cima
Enquanto eu aqui me sinto tão mal.

Me importando com coisas e gente
Que não queria me importar.
Mas essa é minha essência,
Não posso simplesmente ignorar.

Eu já aprendi quem é bem me quer,
E quem não me quer de jeito nenhum.
Aprendi quem vale a pena
E quem não vale tostão algum.

Mas mesmo frente a tudo isso
Sinto impossível não questionar.
O que faz os outros se moverem
Mas me mantem no mesmo lugar?

Em alguns momentos
Tudo volta ao antigo normal.
Mas basta um olhar em volta
Pra realidade habitual.

O normal agora é passado
E de passado não se vive mais.

O que resta é o presente
Porque o passado ficou pra trás.

E pra trás também fica a memória,
Fica o sentimento e toda lembrança.

E pra frente é a resistência,
Caminhando lado a lado com a esperança.

Esperança, sentimento bobo,
Inútil, sem serventia.
Aliás, serve pra uma coisa,
Serve pro banho de água fria.

Aquele que aparece
Todas as vezes que os olhos brilham.
Por ouvir palavras que encobrem a verdade
Do que sentiam.

Uma coisa é dita
Mas outra coisa se quer dizer.
A mão que afaga
É a mesma que quer bater.

O “bom dia” vem do mesmo lugar
Do sussurro contido.
O sorriso vem da mesma boca
Que fala escondido.

Olhos e ouvidos
Já não sabem como ver e ouvir.
E decifrar mentiras que vem
De onde não deveriam vir.

É infinito o poder
De paralisar.
Quando, na verdade,
O certo seria ensinar a andar.

Vejo com pesar que existem coisas
Que valem a pena a insistência.
Com tristeza, à conclusão
Chega à minha consciência.

O que uma vez foi forte
Hoje está quebrado.
Os pedaços se espalharam
por todo lado.

De tanto remendo
Ficou tudo cheio de marcas.
E agora é tarde,
Muito tarde para apaga-las.

Existem coisas que realmente
Não se recupera.
Por mais que seja o que
O coração espera.

O jeito agora é lamber as feridas
E seguir em frente.
Até porque pra ocupar o lugar,
Tá cheio de gente.

Fica a mágoa do que
Poderia ter sido.
Fica o suspense de tudo
O que foi vivido.

Fecha o ciclo, fecha os olhos
E segue o caminho.
O caminho segue, parado ou andando,
Com gente ou sozinho.

Poesia

Raquel Núbia