Dejavu

Hoje acordei com cara e gosto de ontem…
Sabe quando parece que o dia guarda um monte de coisa, mas na verdade essas coisas todas já aconteceram lá no passado? Uma viagem, um passeio, qualquer atividade… Não sei explicar direito, mas estou com essa sensação desde ontem a tardinha e hoje ela permaneceu.
Não sei se é o fato do sol estar entrando frio pela varanda da sala, com esse ventinho que lembra a gente que apesar do céu azul, o que domina é o tempo frio e tempo frio já sabe, né?
Dias claros me transportam, pequenos momentos me transportam… Conversas…
Realmente creio que não estou sabendo me fazer entender, mas precisava dizer, depois de meses sem escrever por aqui (e em qualquer outro lugar), hoje até essa vontade apareceu latente.
Enfim.
Acho que é comum esse tipo de sentimento. Não chega a ser uma nostalgia, é apenas como se o dia estivesse se repetindo, mas não está. É como se você acordasse em um dia do passado, com as mesmas características de outra época que você viveu, só que ao invés de fazer o que você fazia, você fará novas coisas, bem diferentes do que te trouxe a memória.
A vida passa. Muita coisa muda. As pessoas seguem seus caminhos de acordo com suas prioridades e não é preciso se comparar para saber se está bem ou satisfeito com o que se tem, pois cada um busca aquilo que acredita ser melhor para si e nem sempre esses interesses colidem entre as pessoas. Talvez por isso mudamos nossas companhias e quem queremos do nosso lado, pois buscamos aqueles que compartilham dos nossos desejos e nos ajudam a alcançá-los.
O dia pode ter acordado com sensação de passado, mas é o presente e o futuro que me guarda os maiores e melhores dias.

Raquel Núbia

IMG_20170615_122816.jpg
Foto. Raquel Núbia. Tiradentes/MG
Anúncios

Sobre a liberdade de não se importar

“A gente sabe que superou quando lembra e não sente mais dor”.
Já li e ouvi isso algumas vezes… Tenho certeza de que vocês, leitores, também já devem conhecer essas palavras e hoje elas vieram soprar nos meus ouvidos.
Eu faria uma pequena modificação:
“A gente sabe que superou quando lembra e não sente mais”.
Sim, porque às vezes o que sentimos antes da superação não é dor. Pode ser muito mais e muito menos do que isso. Pode ser pena, raiva, decepção, remorso, ódio, saudade… E, ao meu ver, quando não sentimos mais nada, aí sim está a conclusão.
Isso se aplica a qualquer coisa e não somente a relacionamentos amorosos. Acho curioso como algumas pessoas tendem a reduzir tudo ao amor romântico em detrimento de tantas outras formas de relação, profundas ou não.
Minhas superações mais significantes nos últimos tempos em nada tem a ver com romance, mas sim com amizades e projeções de terceiros sobre mim.
Quantas vezes já cuspi palavras na folha de papel por não poder cuspir em quem me despertava tanta ira! E hoje, depois do tempo passado, me sinto confortável e em paz por não me deixar provocar mais esse tipo de reação.
Isso não significa que retomei laços, fiz as pazes ou esqueci o que me fizeram. De forma alguma.
Isso significa que hoje não me importo mais. Significa que as ações dessas pessoas no passado e no presente não me dizem mais nenhum respeito e não me despertam nem mais curiosidade.
Então você pode se questionar “mas porque ainda fala sobre isso?” e eu respondo: Porque sou livre. E essa liberdade vem justamente de não me sentir dominar por nenhuma dessas experiências que citei acima. Sendo livre, eu domino e escolho como reagir. Livre, verbalizo o que quiser sem ser influenciada por isso. Essa liberdade me trouxe a irrelevância dos fatos e meu tamanho frente a eles.
Sendo assim, não há porque evitar, esconder, silenciar, pois guardo meu silêncio para o que ainda tem espaço dentro de mim e que me requer reflexão e elaboração.
Sim… Ainda existem itens não superados e tudo bem!
O que aprendi com as vivências passadas já me auxilia muito nos dias de hoje.
Eu não visto mais a carapuça que fizeram pra mim e não caio mais nas armadilhas daqueles que conheceram minhas fraquezas para tentarem ser mais fortes do que eu.
Sinto muito em dizer, vocês fracassaram.
E hoje não preciso mais afundar a caneta nas linhas brancas do caderno para liberar a poluição de sentimentos que me fizeram experimentar.
Não.
Hoje são palavras pensadas, palavras calmas… Daquela calma que somente a falta do sentimento pode nos dar.

Raquel Núbia

IMG_20171221_173901310
Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Muriaé/MG

Relembrando: Evento literatura avançada

Pois não é que esse mês de Outubro tivemos muitas coisas importantes para #relembrar?
E quão maravilhoso é isso! Olhar para trás e perceber que a vida veio seguindo seu curso, tão linda e ao mesmo tempo implacável. Como é bom admirar o passado com gosto, orgulho e saboreando as memórias escritas que representam tanto de mim e das coisas que amo.
Na última publicação da tag #relembrando do mês, compartilho o primeiro evento para o qual fui convidada como escritora, para apresentar meu (nosso) Blog e recitar uma poesia.
Deixo o link com mais detalhes do evento aqui e abaixo o vídeo para quem não viu, ver.
Poesia: Reflexões de domingo
Autora: Raquel Núbia

Abraço,

Raquel Núbia

DIA #09 – 30 DAY CELEBRATION

9

Para responder ao tema do dia de hoje deixo aqui o link para a poesia Ciclotimia e compartilho abaixo mais alguns versos. Ao findar a leitura de ambas, será possível saber qual o momento mais difícil que já experienciei na minha vida.
Mas seguimos! Fortalecidos.

Depressus

Se carrega a tristeza nos olhos,
como pode ninguém perceber?
Toda dor que te cala e queima,
em um fogo que o faz perecer…

Se a falta de vida castiga,
e corrompe qualquer sentimento,
Como pode ninguém resvalar,
No que mostras a cada momento?

Se a anedonia da vida,
lhe retira a gana de viver,
Onde encontras sua volição,
Se em nada mais sentes prazer?

Se a morte de todos os desejos,
lhe rouba a paz do dia a dia,
Onde esperas achar atitude,
sem em nada mais tem alegria?

Na letargia dos dias que nascem,
se prostra cada vez que ouve o peito bater.
E ao pulsar o sangue outrora vivaz,
morres cada vez mais,
e a cada dia mais quer morrer.

Na sonolência daqueles que o cercam,
se despede de toda e qualquer temperança.
E ao sentir que nada vai lhe curar,
morres cada vez mais
e a cada dia mais morre a esperança.

Na cavidade profunda descansa.
E se cansa da profundidade.
E vive quando se quer morrer,
esperando que morra de verdade.

Raquel Núbia

Editada no Nokia Glam Me
Foto: Raquel Núbia

 

Déjà Vu

Tem dia que parece que nasce com cara de passado.
Com cheiro de ontem
e com passarinho cantarolando música repetida…

Tem dia que nasce com cara de lembrança.
Com cores de outra hora
e com parágrafos e pontos de história vivida.

Tem dia que nasce com vento soprando o céu frio.
Com jeito de câmera lenta
e com sons que despertam de dentro da cabeça.

Tem dia que parece reviver de outro tempo.
Com reprises da vida
e com memórias despertas até que adormeça.

Tem dia que nasce turrão e antigo.
Com o rosto conhecido
e com o elo forte que mostra passado e presente unidos.

Tem dia que começa com jeito de monotonia.
Com a mão estendida
e com os braços abertos para melancolia.

Tem dia.

IMG_20170814_100650395_HDR-EFFECTS
Foto: Raquel Núbia – São Paulo/SP

Atimia

Tem hora que parece que volto no tempo e me voltam interesses de tanto tempo atrás. Eu começo a querer fazer coisas e ter sentimentos velhos, fico saudosa do que já vivi, as alegrias que tive e das coisas que já senti.
Bate uma nostalgia… uma falta de algumas pessoas, das histórias ligadas a elas, das situações, até dos cheiros, sensações, das roupas, dos planos e dos sonhos.
Quando menos espero, percebo que tudo isso está num passado tão distante, que essas pessoas das quais sinto saudade, aliás, mais nostalgia, estão em outro momento, assim como eu também estou, mas sem nem sequer devem se lembrar desse passado.
Eu tenho sempre saudade do céu azul limpinho e das manhãs frias que o acompanhavam… do sol quentinho das 9h30, do perfume e do cheiro das pessoas. De como costumava achar tudo tão importante e da vontade que tínhamos de resolver tudo de pressa.
Nossos maiores problemas estavam sempre no futuro e agora que o futuro chegou, o presente traz problemas tão maiores… nos quais eu não vejo importância, nem urgência, muito menos vontade.
O futuro chegou e eu acho que meu eu do passado não está nada orgulhoso do eu de hoje e assim eu não vivo nem lá, nem cá.
Por que as manhãs não podem ser sempre frias e de céu azul?

Raquel Núbia

Tiradentes (3)
Foto: Raquel Núbia – Tiradentes/MG

Choveu

Choveu.
Me encolhi.
E recolhi o que mostrava.
Silenciei palavras,
Guardei sorrisos,
Enquanto a água jorrava.

Choveu.
Me escondi.
E reneguei o que guardava.
Deixei lembranças
Na estrada torta
Por onde eu caminhava.

Choveu.
Me entristeci.
E calei o que se passava.
Nem a água,
Nem a chuva.
Sabiam o que eu pensava.

Choveu.
Permaneci.
E por dentro, atormentava.
Passado, presente, futuro
Na luta interna
Que batalhava.

Me encolhi, me escondendo.
Me entristeci, permanecendo.
Guardando pensamento outro que não só meu.

Da melancolia já conhecida.
Que vem de onde não há saída.
Que ninguém percebe senão eu:

Choveu.

IMG_20170319_153602
Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

Raquel Núbia

Vento da tarde

Esse vento da tarde
Que lembranças me traz…
Frescor do anoitecer
De um dia que se desfaz.

Esse vento da tarde
Que aperta meu peito…
Memória que dorme
De um tempo perfeito.

Esse vento da tarde
Que só mente pra mim…
Me diz que é passado
O que nunca tem fim.

Esse vento da tarde
Que traz o fim do dia…
Me guarda a angústia
Mais do que deveria.

Esse vento da tarde
De um dia que se desfaz…
Frescor do anoitecer
Que lembranças me traz.

4
Imagem: favim.com

 

Raquel Núbia