A força das palavras

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Foto: Raquel Núbia – Rio das Ostras/RJ
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Rima

Eu prefiro escrever
encontrando combinação.
Entre os versos e palavras,
quase como uma canção.

A poesia sem rima
não supre a necessidade,
De expressar os sentimento
Se não há finalidade.

E nessa busca por sentido,
Posso me estender sem me notar.
Construindo poesias gigantes,
por não querer me limitar.

Com a melodia que se forma,
o conteúdo vai se apresentando.
E quem lê, desfruta de tudo,
Enquanto fala, quase cantando.

Qual o tamanho do exercício,
que uma mente deve precisar,
para encontrar palavras certas
pelo prazer de rimar?

Se alguém possui o coração pequeno,
talvez tomado pela tristeza,
Que cuide para que não perca o olhar
para a arte pura e sua beleza.

Que continuem produzindo sentimentos,
Aqueles que, por rimar, não tem necessidade.
pois o que importa será sempre o conteúdo,
e que esse seja sempre de verdade.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Rio das Ostras/RJ

Palavras soltas

Desde ontem com vontade de escrever.
Muitos pensamentos, mas nenhuma ação de pegar a caneta e efetivamente produzir algo.
Agora já nem sei direito sobre o que queria falar.
Algo sobre não ser mais inocente e saber que quase sempre um ato esconde um interesse oculto, tem algo por trás.
Mesmo assim o coração vai sendo levado porque, por mais que a cabeça não seja uma criança deslumbrada, o coração insiste em ser aquele adolescente destemido que acredita que pode tudo e que, com ele, tudo vai ser diferente sempre.
É quase um super herói só que sem poderes mágicos ou super poderes, acaba mesmo caindo com tudo antes mesmo de tentar voar.

Raquel Núbia
(08/07/2015)

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Foto: Leandro Oliveira. Arraial do Cabo/RJ

Relembrando: Palavras da noite

Para ler o original, clique aqui.

Palavras da noite
Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

Terminado mais um dia me sinto incapaz de banir os pensamentos que chegam a essa hora da noite… Novo dia nos aguarda amanhã trazendo um pouco mais do mesmo e um pouco menos do que queremos.
Cada dia livre reflete um pouco da prisão que nos contém o correr do tempo e todas as exigências que ele faz… Ao mesmo tempo que olho a volta buscando tantos caminhos, peço ao universo que não me condene pelo crime da ingratidão de não me satisfazer jamais…
Seguimos… Pedindo que os dias corram rápidos mas que, ao mesmo tempo, o tempo passe devagar. Deus, lá de cima, deve estar confuso… Talvez, não mais que eu.
O céu agora escuro em poucas horas vai clarear. Se ao menos também clareasse minhas ideias! Aliás, talvez seja essa a origem do desconforto… Ideias claras demais para um cotidiano tão nublado.

Raquel Núbia

Dia 03

Depois de tantos dias carregando essa caderneta na bolsa, junto com a minha caneta roxa, enfim senti a urgência de preencher suas páginas. Todo dia olhando pra ela ocupando um espaço na minha bolsa e pensando que deveria liberar um canto deixando-a sobre a mesa do escritório em casa mas, ao mesmo tempo, com aquela vozinha: “deixa ela aí, vai que você precisa”.
E não é que essa vozinha estava mesmo certa?
Hoje falou mais alto a necessidade de dedilhar palavras desenhadas a mão e descarregar o que quer que seja que ajude de alguma forma a aliviar o peito. Ainda é tão cedo e eu já falei com Deus tantas vezes hoje… Chamando em segredo e em silêncio pelo amparo nos assuntos mais guardados que se pode ter.
Vez ou outra vem de dentro um sentimento em ebulição que ás vezes esfria e outrora transborda. São tantos os pensamentos recorrentes que, de repente, eles acorrentam e levam para o fundo de um oceano turvo.
Quando menos se espera o toque do telefone me desperta e me devolve à superfície.
E então, outro problema… O que essa superfície traz? O que guarda e o que proporciona?
Sinto falta de ficar quieta, de não ouvir o telefone tocar, de não ter que escolher tantas coisas, tantas pessoas. Falta de não ter que saber de tudo ou de planejar, ainda no dia 03, o que acontecerá no dia 25.
Tem hora que parece…

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Foto: Raquel Núbia

Raquel Núbia

Choveu

Choveu.
Me encolhi.
E recolhi o que mostrava.
Silenciei palavras,
Guardei sorrisos,
Enquanto a água jorrava.

Choveu.
Me escondi.
E reneguei o que guardava.
Deixei lembranças
Na estrada torta
Por onde eu caminhava.

Choveu.
Me entristeci.
E calei o que se passava.
Nem a água,
Nem a chuva.
Sabiam o que eu pensava.

Choveu.
Permaneci.
E por dentro, atormentava.
Passado, presente, futuro
Na luta interna
Que batalhava.

Me encolhi, me escondendo.
Me entristeci, permanecendo.
Guardando pensamento outro que não só meu.

Da melancolia já conhecida.
Que vem de onde não há saída.
Que ninguém percebe senão eu:

Choveu.

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Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

Raquel Núbia

Fluência

Quantas vezes já dediquei palavras para o mesmo assunto? Acho que já perdi a conta.
Consigo lembrar de alguns como: MeninaAos amigos que não são, Vamos calarO cansaço e o costumeVida real e Costume
Esses entre tantos outros em que um sentimento recorrente… De que a vida passa, segue e exige cada vez mais de nós. Não sei se é correto culpar a vida pelas situações que suprimem cada pedaço do que queremos ser e espreme de nós a energia e o entusiasmo que não temos para dedicar ao que não desejamos.
De quem realmente será a culpa?
A vida, despretensiosa, vai virando as páginas dos dias e, como num rio que corre, somos levados pela água abaixo. Vez ou outra talvez até nos atrevemos a dar braçadas contra a maré, mas, quem somos nós em nossa finitude frente a uma correnteza que faz de nós o que quer?
A nossa volta todos estão preocupados demais com suas próprias águas revoltas e até mesmo quando se nota uma remota preocupação, geralmente nos envolve porque de alguma forma nós estamos atrelados ao bem estar do outro.
Não basta somente isso… A vida (pobre bode expiatório) por vezes ainda age como um mafioso impiedoso, que além de nos jogar aos tubarões, ainda nos amarra concreto nos pés pra nos ver afundar sem chance de salvação.
Não… Esse aqui não é o muro das lamentações. E não, a vida não é ruim.
“São tempos difíceis para sonhadores” (Amélie Poulain)

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Raquel Núbia

Palavras da noite

Terminado mais um dia me sinto incapaz de banir os pensamentos que chegam a essa hora da noite… Novo dia nos aguarda amanhã trazendo um pouco mais do mesmo e um pouco menos do que queremos.
Cada dia livre reflete um pouco da prisão que nos contém o correr do tempo e todas as exigências que ele faz… Ao mesmo tempo que olho a volta buscando tantos caminhos, peço ao universo que não me condene pelo crime da ingratidão de não me satisfazer jamais…
Seguimos… Pedindo que os dias corram rápidos mas que, ao mesmo tempo, o tempo passe devagar. Deus, lá de cima, deve estar confuso… Talvez, não mais que eu.
O céu agora escuro em poucas horas vai clarear. Se ao menos também clareasse minhas ideias! Aliás, talvez seja essa a origem do desconforto… Ideias claras demais para um cotidiano tão nublado.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

 

Inesperado

E quando o silêncio fala mais alto do que as palavras?
Às vezes é somente ele que pode traduzir o que sentimos e às vezes é o nosso maior aliado.
E quando as palavras simplesmente fogem e até nossos pensamentos nos traem?
Às vezes nos surpreendemos com nossa capacidade de ignorar alguém ou algo e simplesmente seguir em frente.
E quando percebemos que nosso espelho perfeito se quebrou em mil pedaços e nunca mais será tão belo?

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Talvez seja uma oportunidade de olhar para nós mesmos sem precisar da segurança do outro.
E quando as palavras que escutamos soam vazias?
Talvez seja porque abrimos nossos ouvidos para o que realmente importa.
E quando não sentimos nada quando deveríamos sentir tudo?
Com certeza é porque demos um passo a frente e deixamos o que passou no passado sem carregar restos e deixar rastros.

Raquel Núbia