Descanse em paz

Um dia seremos lembrança na memória de alguém e, talvez, nem isso seremos. Um dia, quando menos esperarmos, sem mesmo perceber, perderemos pessoas e pessoas nos perderão.
Tantas coisas pra fazer, tanto com o que se preocupar, tanto sentimento pra nutrir.
Quantas mágoas guardamos à espera de uma resolução no futuro? Quanto orgulho nos impede de darmos os passos necessários para um reencontro, uma reconciliação? Simplesmente porque acreditamos que sempre teremos uma outra oportunidade.
Quantas vezes nos dedicamos às nossas prioridades, conquistamos objetivos, vivemos cada dia intensamente, imersos em nossa rotina, correndo o risco de abdicarmos de um momento para refletirmos sobre o que deixamos pelo caminho, inacabado, sem conclusão ou fechamento.
É tanto tempo que gastamos nutrindo sentimentos passados, imaginando como as coisas seriam, mas ainda assim sem coragem de agirmos para corrigir os erros e tropeços vividos.
Não, nós não temos todo o tempo do mundo. Somos eternos apenas nos corações daqueles que verdadeiramente nos amam, mas não somos infinitos na vida. A vida acaba e, num piscar de olhos, não teremos mais amanhã, não teremos mais novas chances, não teremos mais um novo dia para recomeçar.
O amanhã nem sempre chega, o dia de hoje nem sempre termina. O agora é tudo o que temos.

Raquel Núbia

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Imagem retirada da internet 

 

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Para um amigo

Quando alguém que conhecemos morre, não se acaba somente o corpo.
Quando alguém que conhecemos morre, leva consigo um pedaço da gente, um pedaço da nossa história, das nossas memórias, um pedaço do caminho que nos fez chegar onde estamos.
Quando alguém que conhecemos morre, parte de nós também morre junto. Conversas, momentos, brincadeiras, sonhos que compartilhamos somente com aquela pessoa, tudo se vai também.
É como se uma parte importante da nossa vida fosse recortada… Recortada mas não apagada.
A gente fica triste pela saudade que sente, mas se entristece também por pensar quanta vida ainda existia naquela pessoa que se foi… Quantas coisas ainda pra fazer, quantos planos pra colocar em prática, quanto amor…
A gente chora por saber que não vai mais se esbarrar ou esbarrar sem querer nas notícias que sempre chegam das realizações que aconteciam… Carreira, projetos malucos, aventuras, o nascimento do filho…
Que loucura imaginar que alguém que mudou tanta coisa no passado de tanta gente, não vai mais existir no nosso futuro.
Mesmo que a companhia não seja constante nos dias de hoje, a companhia vivida nos dias de ontem não será esquecida.
Não será substituída.
Na vida a gente nasce e morre várias vezes, talvez com a morte de alguém querido, seja hora de morrermos juntos para nascer novamente.

Raquel Núbia

foto
Na foto: Pedro Gabriel Borba Dorigo (a foto não é minha e eu não sei que a tirou para dar os créditos).