Sobre o que deixamos pelo caminho

Acho que é inevitável, sempre que estamos passando por alguma mudança, algum momento decisivo ou fazendo grandes reflexões, fica impossível não olhar pra trás e se lembrar das coisas importantes que nos guiaram até onde estamos.
Algumas coisas parece que vivemos ontem, mas quando refletimos, vemos que já se passaram tantos anos e nós nem havíamos percebido. Como o tempo passa! Entretanto algumas coisas são marcantes de mais pra ficar no passado e, de um maneira ou de outra, as trazemos conosco pra onde quer que vamos. Sejam boas ou ruins.
As boas atuam como um lembrete de que, no fim, tudo vai ficar bem. E as ruins atuam como um estímulo que não nos deixam esquecer que algumas pessoas duvidam de nós, usam nosso nome em suas fantasias, nos abandonam, nos usam como peças em seus jogos particulares, nos atacam por não conseguirem lidar com suas próprias derrotas e fraquezas mas mesmo assim, cá estamos nós, não é mesmo?
Com alguns cortes e cicatrizes emocionais.
Guardando aquelas frases e coisas que ouvimos e vivemos há tanto tempo e que estão cravadas, pulsando por uma oportunidade de resposta que nunca virá, pois o momento de revidar já passou.
A gente segue vivendo coletando pelo caminho as experiências que vivemos. Guardando essas conchas de memórias numa sacola que às vezes fica muito cheia e precisa ser esvaziada, então escolhemos algumas conchas pra deixar pra trás, mas o tempo em que elas ficaram na nossa sacola é suficiente pra deixar marcas.
Então não nos esquecemos, apenas aprendemos a forma certa de nos lembrar.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia. Muriaé/MG
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Respire, apesar de tudo

Em alguns momentos tudo o que nos resta a fazer é respirar.
Mesmo que seja uma respiração pesada, desesperançosa e exausta.
Respirar para manter vivo o que muitas pessoas e acontecimentos querem matar dentro de nós.
Ainda que com a ajuda de aparelhos, ainda que de forma contida, ainda que todo o corpo permaneça inerte a todos os outros estímulos e que, por um momento, possamos nos sentir apenas uma armadura sendo pilotada.
Ainda assim.
É preciso encher os pulmões e esperar que na próxima inspiração a realidade seja mais gentil ou que pelo menos a nossa forma de encarar o que a vida nos mostra seja mais carinhosa.
Enquanto isso, respire.
Respire, apesar de tudo.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia. Muriaé/MG

 

DIA #09 – 30 DAY CELEBRATION

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Para responder ao tema do dia de hoje deixo aqui o link para a poesia Ciclotimia e compartilho abaixo mais alguns versos. Ao findar a leitura de ambas, será possível saber qual o momento mais difícil que já experienciei na minha vida.
Mas seguimos! Fortalecidos.

Depressus

Se carrega a tristeza nos olhos,
como pode ninguém perceber?
Toda dor que te cala e queima,
em um fogo que o faz perecer…

Se a falta de vida castiga,
e corrompe qualquer sentimento,
Como pode ninguém resvalar,
No que mostras a cada momento?

Se a anedonia da vida,
lhe retira a gana de viver,
Onde encontras sua volição,
Se em nada mais sentes prazer?

Se a morte de todos os desejos,
lhe rouba a paz do dia a dia,
Onde esperas achar atitude,
sem em nada mais tem alegria?

Na letargia dos dias que nascem,
se prostra cada vez que ouve o peito bater.
E ao pulsar o sangue outrora vivaz,
morres cada vez mais,
e a cada dia mais quer morrer.

Na sonolência daqueles que o cercam,
se despede de toda e qualquer temperança.
E ao sentir que nada vai lhe curar,
morres cada vez mais
e a cada dia mais morre a esperança.

Na cavidade profunda descansa.
E se cansa da profundidade.
E vive quando se quer morrer,
esperando que morra de verdade.

Raquel Núbia

Editada no Nokia Glam Me
Foto: Raquel Núbia

 

DIA #08 – 30 DAY CELEBRATION

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Muito se fala em ansiedade, em depressão, em transtornos mentais no geral. Fala-se em como tem se tornado cada vez mais comum que as pessoas apresentem esse tipo de doença e como a sociedade romantiza e banaliza o sofrimento ao mesmo tempo que nega a existência efetiva e limitante deste.
Pois bem:
Sofrer de ansiedade é sim paralisante.
Sofrer de depressão é sim devastador.
E, justamente por isso, meu maior motivo de orgulho no momento é a superação desses dois males frente a necessidade de dar um passo no desconhecido rumo a algo que eu desejava.
O que para alguns é algo simples, para um ansioso/deprimido é um trabalho hercúleo que exige muita força interior. Não quero citar especificamente qual foi esse meu trabalho, mas quero apontá-lo como um divisor de águas na minha jornada.
Um momento em que me deparei com vários estímulos que sempre foram gatilhos para respostas desconfortáveis (para dizer no mínimo) e que, dessa vez, eu venci sem nenhum problema. Que sensação mais revigorante provar para si mesmo que “você consegue”, “você é capaz” e desfrutar, nem que seja somente naquele momento, do fruto do seu esforço, gozando de uma matirudade e de um autocontrole que você mesmo achou que não tinha.
Nesse contexto ressalto ainda a importância do apoio familiar ou de pessoas queridas. Saber que acreditam em você, no seu potencial, que crêem que você tem tudo o que precisa dentro de si é um estímulo para que nós mesmos também possamos acreditar e foi assim que aconteceu comigo.
Deixo aqui então esses dois lembretes:
– Não despreze, minimize ou menospreze o sofrimento do outro. Parta do princípio de que ele realmente sofre e então
– O que você puder fazer para apoia-lo, faça.
Não sei se quando me deparar com a situação novamente as coisas acontecerão da mesma forma que aconteceram. Mas, tudo bem. Esse futuro ainda não me pertence e, certamente, quando me deparar com ele, saberei o que fazer.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – São Paulo/SP

 

DIA #07 – 30 DAY CELEBRATION

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O melhor momento do Blog nesse ano foi todo o mês de Maio, quando realizei o primeiro desafio de 30 dias. Houve postagens todos os dias daquele mês, sendo que em alguns dias havia mais de uma por dia e isso aumentou muito a interação dos leitores, pois foi a primeira vez que trouxe conteúdos diferentes de literatura aqui para o Verba Volant e pude falar de assuntos que normalmente não falava até então.

Fugindo um pouco do tema, ilustro essa postagem com um dos meus melhores momentos esse ano. Minha viagem para Petrópolis que abriu meu ano de 2017 de uma forma relaxante, empolgante e carinhosa. Uma viagem pensada a dois que trouxe a minha primeira oportunidade de conhecer aquela cidade junto a minha melhor companhia que planejou tudo pra mim com muito cuidado e atenção. Foi um prenúncio de como esse ano seria bom e de quantas oportunidades ainda teríamos de realizar coisas juntos ❤

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Petrópolis/RJ

 

Meu coração

Meu coração já bate apertado
Chorando os dias que estão por vir.
Você longe e não do meu lado,
Eu distante e sozinha aqui.

Meu coração bate ciumento
Por saber que há outro alguém
Que vai dividir cada momento,
Enquanto eu fico sem ninguém.

Meu coração bate angustiado
E pulsando o que não quer pulsar.
Por saber que o meu menino amado
Em outros braços vai se aconchegar.

Meu coração bate de teimoso
Porque motivo não há pra bater.
Se quem ele guarda, tão precioso,
Quando mais precisa, não pode ter.

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Foto: Raquel Núbia – Alto Caparaó/MG

Raquel Núbia

Contrição

Eu retiro…
Retiro tudo o que disse um dia,
Quando o meu maior desejo
Era ser o que você queria.

Eu tomo de volta
Cada frase construída,
cada palavra e sílaba,
Desde o ponto de partida.

Eu levo comigo
todo o planejamento,
toda boa intenção
que guardava no momento.

Eu apago…
Fingindo não ter acontecido,
que um dia fui até você,
que me fez, de uma só vez,
esquecido.

Tiradentes (6)
Foto: Raquel Núbia – Tiradentes/MG

Raquel Núbia

 

Inspiração

O vento soprando.
Uma folha no chão.
Uma voz falando.
O coração.

Música tocando.
Lembrança esquecida.
Alguém passando.
A vida.

O amor sentido.
A raiva guardada.
O momento vivido.
A chance passada.

A alegria no peito.
A lamúria da alma.
O poema perfeito,
Vindo da calma.

Letras combinadas.
Mensagens escondidas.
Frases embaralhadas.
Pessoas queridas.

Tudo ao redor.
Tudo o que o olho vê.
Necessidade maior.
Prazer.

A escrita do dia.
Constante pulsação.
Real ou fantasia.
Inspiração.

Sem fim.

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Foto: Raquel Núbia – Alto Caparaó/MG

Raquel Núbia

Soledade

A maioria das pessoas diz que a vida é feita de ciclos. Eu mesma já escrevi algumas vezes falando isso, afirmando que quando algo termina, outra coisa começa, que quando alguém se vai, alguém ou alguma coisa, chega. E nessa linha a gente vai dando adeus e boas vindas pra tudo o que a vida nos apresenta.
O ponto comum, pra mim, é a solidão.
Solidão em todos os significados que a palavra guarda.
Não importa o que aconteça, quantas pessoas temos por perto, se é voluntário ou não, em algum momento o que resta é a solidão. Que dure dias ou horas.
Não importa quantos ciclos se encerram, nem de que forma estes ciclos terminam. A constante é estar ou se sentir só.
Nessa solidão é possível se reencontrar, encontrar pensamentos, vontades e saudades que já nem se lembrava que existiam, boas ou ruins.
No fim de tudo, estamos mesmo sós.
Somos apenas nós por nós mesmos.
Estar só é como ver a luz se apagar de repente. Nos primeiros minutos é preciso um ajuste dos olhos pra conseguir enxergar o que está a volta. Essa cegueira momentânea pode causar certo medo, mas com o tempo conseguimos discernir, mesmo sem muita clareza, o que nos cerca.
As pessoas sempre nos deixam, mesmo que seja por pouco tempo, ninguém está disposto a ser claridade na estrada do outro o tempo todo.
É necessário se habituar a isso.
Aprender a andar no escuro seguindo a intuição para que a falta da luz não abale mais.
Aprender a iluminar o próprio caminho.

 

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Foto: Raquel Núbia

Raquel Núbia

Desencanto

Hoje, de repente, me bateu aquela saudade de escrever…
Mas não escrever abrindo uma tela em branco e escolhendo teclas e sim escrever com uma velha caneta, num caderno, numa folha, num rascunho, num espaço qualquer. Tecendo as letras uma a uma numa grafia atrapalhada, dispensando no papel tudo o que fica passeando pela cabeça e que fica agarrado no coração e na memória.
Tempo atrás escrevi sobre a importância de conseguir escrever sem rascunhar, mas hoje me pego refletindo o que esse momento do rascunho significa.
O momento vivido no silêncio interrompido somente pelo toque da caneta no papel era aquele só meu, de mais ninguém, e só depois, às vezes bem depois mesmo, é que eu decidia se esse momento seria de mais alguém.
Complicado transformar sonhos em realidade… E hoje me sinto estranhamente lidando com a sensação de que devo satisfação pela ausência ou presença das minhas produções… Uma cobrança que vem justamente daquele conteúdo que fica passeando pela cabeça e que fica agarrado no coração e na memória.
Talvez, ao se tornar realidade, os sonhos percam seu conteúdo de fantasia, e passem a ser só mais alguma coisa do dia. Talvez por isso me venha a saudade de escrever, escrever de verdade, com a minha verdade.

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(Raquel Núbia – Foto: Leandro Oliveira / Petrópolis – RJ)

Raquel Núbia