Proelium

Viver. Verbo intransitivo: ter vida, estar com vida.
Viver. Transitivo direto e intransitivo: aproveitar (a vida) no que ela tem de melhor”.
É muito errado querer viver?
Pois sinto que, na maioria do tempo, apenas existimos e às vezes, somente existir não é o bastante.
Talvez existam níveis de “viver” em que algumas poucas pessoas vivem o tempo todo, outro grupo viva de vez em quando e uma outra parte apenas exista sem direito a vida.
Talvez apenas existimos por tanto tempo que, quando nos é dada a oportunidade de viver, simplesmente não conseguimos descobrir como fazer para aproveitá-la ao máximo e, nessa busca por desfrutar desses raros momentos de vida, a pressa é tanta que o tempo escorre entre os ponteiros do relógio.
Quem escolhe quem vive e quem existe?
A quem devemos recorrer para trocar de grupo?
O peso dessa herança é tão descomunal para aqueles que percebem o abismo que há entre viver e existir que, frente a impossibilidade de viver plenamente, nem sempre há desejo de se manter existindo.
Talvez viver não seja um privilégio de todos, mas sim um prêmio dado a poucos. Um prêmio que não está ligado à merecimento, mérito ou recompensa, mas apenas a uma divisão aleatória da qual se encarrega o universo.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Barra de São João/RJ

 

 

 

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O cansaço e o costume

Como é fácil se acostumar com algumas coisas… e como é fácil se cansar de outras…
Nos acostumamos até com o que não devemos. Com o mau humor do outros, com a falta de educação, com os problemas no trabalho, com a falta de amor…
Nos cansamos de acordar cedo, de ir ao trabalho, da rotina de casa, dos problemas dos amigos e dos problemas que nos causam os inimigos…
Às vezes nos acostumamos fácil demais com muito menos do que merecemos, apenas por estarmos cansados de seguir em frente, por estarmos cansados de lutar contra.
Quando isso acontece, parece que caímos em um sono profundo em que não conseguimos reagir às atitudes dos outros nem mudar as nossas próprias… eu não quero mais dormir desse jeito…
Não podemos basear o comportamento dos outros pelo nosso porque somos indivíduos e diferentes por natureza. Entretanto, também não podemos nos acostumar a nos submeter aos prazeres dos outros sem questionar… Até que ponto podemos suportar a bagagem que outras pessoas nos dão para carregar?
Até que ponto devemos suportar?
Devemos suportar?
Posso ser até que o me bata o cansaço, mas vou correr para que o costume não me alcance.

O cansaço e o costume
Imagem: explorelifestyle.com

Raquel Núbia