“Ponto&Vírgula” – Post 03

A difícil arte da “escolha”

As pessoas que sofrem de ansiedade, depressão, ciclotimia entre outros transtornos do humor sabem muito bem como é viver com esse sintoma.
O que, para uns, é uma tarefa comum, feita e repetida inúmeras vezes por dia, para aqueles acometidos por estas doenças é um trabalho hercúleo: escolher algo.
E aqui eu não me refiro á escolhas que realmente necessitam de grandes reflexões e análises como por exemplo, mudar de emprego, terminar um relacionamento, fazer uma viagem cara. Aqui eu me refiro a decisões corriqueiras como a roupa que se vai vestir, o que comer e aonde ir com os amigos entre tantos outros exemplos que poderia citar.
Eventualmente todos sentimos essa indecisão, não se preocupe, se você não consegue decidir se vai comer churrasco ou comida japonesa, porque á um grande diferencial entre a dificuldade de escolha considerada “normal” e a considerada sintoma.
Sabe qual é?
O sofrimento.
Na vida de um ansioso, depressivo, a dificuldade de escolher não vem somente da dúvida entre as opções, mas sim de uma infinidade de variáveis que são analisadas na velocidade da luz dentro de uma cabeça que parece que não vai conter tantos pensamentos.
Não se trata apenas de escolher um restaurante para sair em uma sexta a noite, mas sim de percorrer a possibilidade de:
“Será que eu consigo encontrar uma roupa que fique legal, talvez não consiga arrumar meu cabelo, e se chegar no restaurante marcado e não tiver mesa? Para onde poderemos ir? Se for, o que vou comer, afinal estou tentando me alimentar melhor e estar em um local com tantas tentações pode não ser fácil. E se eu tomar uma cervejinha hoje e quiser tomar outra amanhã? Vai prejudicar meu plano alimentar. Será que vai dar tempo de fazer meus exercícios antes de sair? E se não for legal lá e eu quiser vir embora, o pessoal vai ficar chateado… Eu trabalho tanto, quase não fico em casa, mas também quase não saio justamente porque trabalho muito. E tem a questão do dinheiro… Será que esse jantar não vai estourar meu orçamento? Vai que acontece um imprevisto no mês e eu fico sem dinheiro! Melhor ficar em casa. Mas meus amigos querem tanto ir… Como faço pra não ir sem chatear as pessoas? Etc, etc, etc…”

“Simples” assim.
Esse fluxo constante pode impedir que a escolha seja feita e não apenas porque a pessoa é indecisa, mas sim porque ela está realmente incapaz de decidir. E quanto mais ciente ele está deste incapacidade, mais angustiante é a situação, como num ciclo crescente.

Sendo assim, paciência.
Se você é a pessoa que vive esta situação, tente pensar racionalmente sobre todas as dúvidas que passam pela sua cabeça. Tente encontrar soluções racionais para seus questionamentos. Por exemplo: “Se estou com receio de estourar meu orçamento, posso separar a quantia que poderei gastar e, ao chegar no restaurante, garantir que ficarei dentro desse limite. Se eu não conseguir fazer todos os meus exercícios antes de sair, posso compensar na próxima vez em que me exercitar e etc.”
A princípio não será fácil.
Mas isso é uma questão de treino, tentativa, erro e acerto.
O importante e não desistir, apenas descansar quando for preciso.
Agora, se você percebe esse comportamento em alguém próximo, tente estimular aos poucos para que a pessoa consiga tomar pequenas decisões e fazer pequenas escolhas.
Caso perceba que esta pessoa está se sentindo sobrecarregada, tente fazer alguns ajuste para ela.
E saiba que pressionar uma decisão jamais será o melhor caminho.

Abraços,
Raquel Núbia

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“Ponto&Vírgula” – Post 02

Postei essa reflexão ontem no meu stories no Instagram e como tive muita resposta lá, achei que seria válido publicar aqui também:

É preciso ter sabedoria para filtrar tudo o que ouvimos.
O que as pessoas nos dizem e a forma como falam dos outros nos diz muito sobre elas mesmas, pois o discurso de uma pessoa geralmente vem carregado daquilo que a pessoa traz dentro de si. Por isso é preciso ficar atento.
Aqueles que somente julgam, falam mal de outras pessoas e apontam defeitos sem intenção de melhoria, estão sinalizando sua essência na forma de se comunicar.
Se elas não tem pudor de falar dessa forma com você sobre outras pessoas, certamente não terão pudor de falar DE você para os outros.
Então, preserve sua saúde mental e fique SEMPRE atento ao QUE você diz e a COMO diz e mantenha atenção ao que você escuta e permite entrar na sua vida.

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Abraços,
Raquel Núbia