Alice

Já fiz algumas poesias dedicadas a pessoas, mas é a primeira vez que utilizo o nome do corpo da produção. Poesia singela, espero que gostem:

“Quem é a menina
Que o tempo todo sorri,
Que fala sozinha,
Quando não há ninguém a ouvir?

Quem é a menina
Que aos poucos se revela,
Se ordena: “Fecha a boca”
Já diria a mãe dela…

Quem é a menina
De fala suave e mansa,
Que quando eu era já moça,
Ainda era criança?

Quem é a menina
Sempre carinhosa,
Que traz doces e bolos,
Sempre cuidadosa.

Já falei várias vezes,
Várias vezes já disse.
A menina que cresce dentro dos meus dias:
Alice!”

Raquel Núbia

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Foto: Leandro Oliveira – Tiradentes/MG

Menina

Menina

Menina pequena,
Tão grande, serena,
Escute o meu falar.

Segue em frente,
O caminho presente.
Mas vigie seu caminhar.

Menina doce,
Tão forte, aí se fosse!
Não se deixe chorar.

E se chora,
Deixe passar a hora
Até se aquietar.

Menina, escuta:
Te pertence essa luta
E não a outro alguém.

Então pronto,
Recolhe teu pranto,
E não conte a ninguém.

Menina inocente,
Toma o que sente
E leve com você.

Não delegue
Aquele que te segue
O teu sofrer.

Menina, entenda
Por mais que outro compreenda,
Não lhe divida tua dor.

Jamais entenderão,
O que o teu coração
Guarda por amor.

Menina, desista
Não espere, nem insista
O outro vai ser capaz.

O socorro não virá,
A decepção se instalará,
Tanto fez, tanto faz.

Menina, encerro
Esse apelo sincero
De quem não te quer mais sofrer.

Segue a vida calada,
No peito a rosa cravada,
Que dia a dia ensina…

A viver só,
Menina…

Raquel Núbia