Dias de hoje

Parada na porta do meu prédio esperando minha carona quando um rapaz se aproxima. Coloco o telefone na bolsa e dou dois passos pra trás, pois o portão está aberto. Ele continua andando na minha direção e diz: ” A senhora me arruma um pouquinho de arroz e feijão? Não precisa se assustar não que eu não sou ladrão.” Triste.
Se a gente para pra pensar, sente o peito diminuir e inicia um questionamento que parece que não tem fim sobre tudo o que nos cerca. Sobre o por que das coisas estarem como estão, sobre o por que de tudo ter chegado onde chegou e, principalmente o que nós, tão pequenos indivíduos poderíamos ou ainda podemos fazer pra reverter, se é que há alguma coisa a ser feita.
A gente sente medo e nem sabe mais do que.
A gente se compadece mas nem sabe mais por quem.
A gente vive e nem sabe mais por que…

Raquel Núbia

Muriaé (2)h
Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG
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Relembrando: Nem sei

Se recordar é viver, compartilho essa citação de uma crônica de exato 01 ano atrás, que você pode conferir na íntegra clicando aqui.

Nem sei
Imagem: favim.com

Raquel Núbia

Dia #6 – 30 DAY BLOG CHALLENGE

6

Vou dividir essa resposta em duas partes considerando dois tipos de medos, o patológico e o não patológico. Muita gente sabe que o medo pode se transformar em patologia na medida que pode incapacitar o sujeito de realizar alguma tarefa, gerando grande carga de estresse e ansiedade, são as chamadas fobias (ainda que muitas pessoas desacreditem desta doença – o que é uma ignorância).
E eu sofro de uma fobia, não me sinto confortável para compartilhar o objeto dessa fobia, mas digo que me atrapalha em alguma coisas, por exemplo: não ando descalça na grama, não entro em cachoeiras, se estou na zona rural (roça, sítio, etc), só entro no banheiro se alguém entrar antes de mim pra verificar o local, etc… Tem época que fica pior e tem época que não, a gente vai tratando a aprendendo a conviver.
Já em relação aos medos que a gente sente nessa vida, eu tenho alguns… Mas o que posso citar aqui é o medo que muita gente também tem, de perder alguém importante.
Eu já perdi algumas pessoas mas tenho meus pais e meus irmãos comigo e pensar que algo de ruim possa acontecer com eles me aflige por isso procuro não pensar.
Basicamente, é isso
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Foto: Com meus pais e com meus irmãos
Abraços,
Raquel Núbia

Carta para ela

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira

Então é isso, você realmente não me deixa… você sempre some por um tempo, se esconde, desaparece e eu quase me esqueço que um dia te conheci… mas aí você volta… E eu nem sei porque faz isso.
Se bem que, parando pra pensar direito, parece que realmente te sinto por perto o tempo todo, se esgueirando entre uma risada e outra, entre um projeto e outro, entre um momento feliz e outro.
Você vem me ensinando ao longo dos anos a desconfiar dos sorrisos, das bonanças e das recompensas que a vida á. Suas lembranças são um sinalizador vitalício de que jamais saberei ou terei controle sobre o que virá ao dobrar a próxima curva, ainda que ninguém saiba, esse não saber é uma tortura.
Talvez, apenas talvez, eu esteja sendo injusta dizendo que é você que me persegue pois, confesso que há momentos em que sinto sua falta. Entregar os pontos às suas exigências por alguns momentos pode ser reconfortante e ir contra você exige, quase sempre, um esforço descomunal e esse esforço exagerado pouco a pouco vai drenando toda energia dedicada a esse combate.
Poxa… você é forte! E persistente! E ainda é persuasiva!
Gostaria de dizer que sou o dobro de tudo isso que você é mas, aparentemente, não é bem assim.
Eu me pergunto e imagino como é levar uma vida sem ter que lidar com você o tempo todo. Observo as pessoas à minha volta e vez ou outra me deparo desejando me encaixar…
Sei que jamais saberei a verdade que as pessoas carregam em si, porque já tive amostras suficientes que me provam que o que vemos dos outros são lampejos de uma vida sonhada que nem sempre corresponde à realidade.
Você influenciou comportamentos meus, acredito, que desde que eu era uma criança… com traços e características que me acompanharam e que me representam até hoje. E como seria se não fosse assim?
Sinceramente acho até que já me acostumei. O que me incomoda em você é justamente o fato de você ir e vir a hora que quer e você sabe que faz isso… E faz com maestria, trazendo uma enxurrada de sentimentos desconcertantes e paralisantes.
É… Você me faz de boba, me dá espaço, me dá corda, me dá esperança, tudo isso para aparecer depois e me desconcertar.
Será que você não entende que não há futuro nisso? Não há um seguimento em que conseguiremos seguir juntas. Simplesmente não há.
Quantas vezes mais eu vou precisar entrar nesse embate pessoal com você?
Você me desgasta e eu sempre te dei tudo o que me pediu, algumas vezes até mais do que podia e ainda hoje cá estou eu dedicando o meu tempo a te suplicar novamente que se decida e que me deixe seguir meu caminho de maneira menos nebulosa e tortuosa.
Depois desse tempo todo, você não tem mais a capacidade de me fazer chorar ou me fazer ficar com raiva, nem mesmo de me fazer sentir tristeza. Mas você consegue me fazer sentir algo ainda pior: nada.
Você anula meus sentimentos de uma forma assustadora, mas não sei ao certo o que significa essa ausência de sentir… será você ficando mais fraca ou ainda mais forte sobre mim?
Sei que não me responderá, pois você nunca responde, nunca me dá solução, apenas me confunde e pesa sobre mim o peso do mundo.
Que mal desnecessário…
Quão desagradável ainda vai ser?
Por quantas vezes ainda vou viver toda essa angústia de sentir você à espreita, rondando e aos poucos tomando um espaço que deveria ser só meu?
E por que permito?
É correto dizer assim? Que eu permito que isso aconteça?
Talvez sim, pois como disse, há momentos em que o meu maior desejo é baixar a guarda e deixar que você assuma de vez os comandos desse sobe e desce que eu tenho chamado de vida. Quem sabe não é pra ser assim? Eu tenho estado mesmo cansada ultimamente e, de certo modo, sua companhia é certa e presente…
Quanta contradição… Saber que certamente poderei contar com o que me causa meus pensamentos mais sombrios e meus dias mais nublados.
Bom, aparentemente você é a única certeza que eu tenho. Mesmo não sabendo como ou quando virá, a vinda é certa, pode ser até que eu te chame sem perceber.
Enfim, depois de tantas palavras não consigo encontrar mais nada a dizer e ainda assim sinto que não disse nada. O tamanho de seu impacto sobre mim é intransferível, realmente só eu posso saber.
Sigo aqui, do melhor jeito ou do jeito que sou capaz de seguir.

Até breve,
Raquel Núbia.

Sozinho

Ninguém vence uma batalha sozinho, muito menos consegue vencer assim uma guerra.
Ninguém consegue alcançar aquilo que não quer ser alcançado, não há como dar a mão a alguém que ao ver uma mão estendida não estende a sua de volta, não há como caminhar ao lado de alguém que se esconde nas trincheiras de seu caminho sem ao menos deixar pistas de onde está indo, do porque se afastou.
Fica praticamente impossível acompanhar alguém que tem medo. Não por este alguém ter medo afinal, todos tem, fica difícil quando, com medo o outro alguém se esconde sem deixar nenhuma fresta de luz pra quem o acompanha.
Como conseguir suportar a angústia de saber que a qualquer momento novos medos chegarão e que talvez quando você mais precise de alguém que lhe dê força, que te ajude a caminhar, esse alguém simplesmente pode estar escondido em seus próprios medos sem espaço para cuidar de quem está tentando ficar do seu lado, ficando assim sozinho para sofrer seus problemas.

Sozinho

Raquel Núbia

Calmaria

Diante de toda essa confusão
que me deixa mais sem lugar do que ninguém
me amedronto permanentemente.
E você vê.

Sei que vê
porque também se confunde…
porque me vê como criança, me tem como brinquedo
mas me quer como mulher.

Vens tão forte que escuto tua voz
parecendo ser tão real
sinto que realmente soprou em meu ouvido
palavras de calmaria…

Mas me deixas
por outros objetivos
me enganas com verdades que
me atordoam mais…
São sensações que permito-me sentir

que permito que sintas.
Seria puramente carnal
se não fosse tão intenso
Seria mais fácil em nossas vidas
se não fosse tão procurado
por mim,
por nós.

Meus olhos de sempre
te olham como nunca
e esses olhos que tu olhas
já não dizem a mesma coisa
e não te dizem coisa alguma.

Não te dizem
o quanto me perco em ti
o quanto abandonei tudo por isso
só permitem chorar.
E através disso sentes,
o quanto você
e tudo isso
me fazem nada.

Na sua presença posso tudo,
ao seu lado não posso nada,
me tenha de novo
mais uma vez.
Ou apenas me procure
me olhe,
saia por um minuto que seja,
da sua vida
venha até mim.

Sopre no meu ouvido
e eu vou ficar calma
porque tu vais estar aqui.

Calmaria

Raquel Núbia

Nem sei

Amedronta sentir o arrepio da dor que massacra o peito quase impedindo por completo de respirar… Amedronta o encontro com esse sentimento já conhecido e antes saudoso por tanto tempo longe. Não há como elaborar uma razão, não há como apenas pensar.
Esta sensação sufoca e as forças se perdem, não há mais pelo que lutar, todas as horas vividas foram transformadas em segundos de pó, colocados em um caixa velha e trancafiados numa gaveta escura de um armário qualquer, de onde nunca mais vão ser retiradas.
Há vergonha no caminho.
E não há como saber no que e em quem acreditar, toda a confiança se foi e agora não há um caminho a seguir… O que existe é cansaço, e ainda será assim quando tudo acabar. São tantas as palavras que não há como selecionar em qual acreditar, não há nem como saber se deve-se acreditar em alguma.
Afinal como identificar as mentiras, das verdades que se quer ouvir?

nem sei

Raquel Núbia

A cada dia que passa

Andam dizendo por aí que eu tenho medo de ser feliz… que apesar de correr feito louca atrás da felicidade e fazer de tudo para alcança-la, tenho medo dela. Talvez sim… Mas não creio que essa seja a questão central… a verdade é que acredito que a felicidade existe sim, e que depende de ninguém mais do que de mim para existir na minha vida… mas da mesma forma que acredito nisso… tenho cravadas em mim experiências que me dizem que também existem pessoas que nos cercam somente esperando o momento do sorriso de vitória para, num movimento sorrateiro, devolver o sentimento de derrota… Eu ainda continuo sem entender o motivo que leva uma pessoa a mal querer tanto outra… a ser tão maquiavélica com as palavras…

E preciso pensar sobre isso, para criar formas de driblar esses golpes que inevitavelmente irão aparecer, preciso pensar sobre isso para identificar o quanto tenho contribuído para que se comportem assim comigo.

Carrego comigo a certeza de que tudo o que eu podia fazer para alcançar o que desejo, eu fiz. Da melhor e mais honesta maneira que pude fazer… e hoje vejo que não há mais ações que dependem de mim, a não ser cuidar a todo tempo para meus medos não me vençam. Entretanto esse sentimento de “minha parte eu fiz” não é reconfortante de maneira alguma, porque traz uma sensação de  impotência frente à espera.

Tenho aprendido o quanto é quase impossível confiar nas pessoas… o quanto é difícil confiar mesmo em quem gostamos, não porque não acreditamos nelas, mas sim porque é tanta informação que chega ao mesmo tempo, de tantos lados que não há tempo de processar as verdades e mentiras dos amigos, e as verdades e mentiras dos inimigos… Ao mesmo tempo, tudo o que tenho feito é confiar… por um simples e um principal motivo, porque não me resta outra saída e porque amo acima de tudo.

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Raquel Núbia

Simples (?)

E quem é que tem a habilidade de amolecer meu coração…
E as pessoas sempre pensam que são muitos os amigos, mas a verdade é que não são. O que existe em grande número são pessoas com as quais me relaciono bem e posso me divertir sem ficar me vigiando. Amigos mesmo são exceções, daquelas poucas que já me viram nas melhores e nas piores situações que poderiam, quando não permiti que ninguém mais se aproximasse… e sempre foi assim.
Sou daquelas mineiras de raiz… Desconfiada… E não permito que quase ninguém tenha acesso ao que se passa nos meus pensamentos mais profundos ainda menos no meu coração.
Por isso que todo mundo acha que eu sou um tipo de pessoa mas na verdade, não sabem de nada…
Desconfiada que sou, sempre pulo fora antes que me convidem a me retirar (às vezes até de forma precipitada), mas isso (na minha cabeça maluca) funciona como uma forma de prevenir aborrecimentos e decepções…
Eu sou dois pés atrás, o tempo todo.
A não ser quando me deparo com amolecedores de corações inamolecíveis… Que são exceções das exceções.
Aí não tem jeito… Eu mergulho de cabeça sem nem ver se a profundidade vai me aceitar…
Aí eu gosto mesmo e de repente fica tarde demais pra voltar, repensar e mudar tudo.
Aí sinto falta, fico com saudades, perco a graça se não tô junto, fico perdida se não converso, me preocupo…
Na minha cabeça extra pensante e no meu coração extra sensitivo cultivo um desejo de guardar essas super exceções numa caixinha com um laço de fita, carregar pra todo canto e não deixar ninguém mais “usar”, só eu.
Bom seria se pudesse.

Simples

Raquel Núbia

Pandemônio

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Que confusão mental e corporal!
Sair do prumo, sair do habitual.
E se sentir revirada e bagunçada desse jeito.
Que descontrole que controla o que sinto.
Não sei se digo a verdade ou se minto.
Pra fingir que tá tudo correto e perfeito.
É bem me quer, é mal me quer, querer algum.
É a certeza da incerteza de não querer nenhum.
É o frio na barriga que não pode ser desfeito.
E de onde é que vem tanta agonia?
Que mistura angústia, medo, sorte e alegria?
Que congela as minhas mãos e esquenta o meu peito?
Esse efeito rarefeito que é perfeito pro sujeito do qual fujo mas encontro.
Que é feito desse jeito nem correto, nem direito, inacabado e tão pronto!
A mente, já confusa, e o corpo que acusa que a normalidade lá de longe já partiu.
E da lugar a uma loucura e à amarga doçura que só conhece e desconhece quem sentiu.

Raquel Núbia