Manuscrito

E olha só pra mim… Que sempre precisei de um rascunho pra escrever, vendo a mão redigir a letra e depois a palavra, pra só então tornar público o que o coração sussurra e a mente fala, aqui catalogando de primeira o batucar do meu peito.
E como batuca esse sujeito…

Pensava antes em dizer como estou reaprendendo, reencontrando, recomeçando… mas agora o que pulsa é que no meio desse monte de segundas, terceiras e infinitas chances disfarçadas de novas oportunidades, eu ainda tenho me reservado o direito de sentir.

Sinto diferente pelas mesmas coisas, sinto diferente pelas mesmas pessoas, sinto diferente até pelos mesmos sentimentos e as vezes não sinto nada… não preciso sentir.

Por hoje guardo o caderno dos manuscritos e liberto os pensamentos no improviso, como tenho me permitido fazer, ainda que poucas vezes, nas últimas semanas.

Quem é de letra no papel tem dificuldade com a tela em branco. Quem é de coração cheio tem dificuldade com coisas vazias.

Mas a tela que era branca agora está cheia de significado e o que é vazio ao meu redor não consegue mais me esbarrar, pois estou preenchida demais, não há espaço para o que não importa.

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Raquel Núbia

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