Alvorecer

A manhã, em suas primeiras horas, quando o céu ainda se colore com os primeiros raios de sol, com aquele vento fresco e com o silêncio que domina as ruas, antes de ser invadido por carros, motos, pessoas perambulando e tantos compromissos, guarda em sua quietude uma infinidade de momentos dentro de poucos instantes.
Observar toda a calma e sincronia do que nos cerca, nos minutos que temos antes de embarcar em mais uma aventura que é viver o dia a dia, pode nos permitir um breve momento de paz, onde podemos nos reconectar com o que deixamos pra trás na noite anterior ou, num relance, podemos nos reconectar com o que deixamos pra trás dentro de nós mesmos, há tanto tempo.
Há tanta beleza nesse breve momento, onde podemos ver o novo dia se iluminando em frente aos nossos olhos e, mesmo que tenhamos uma agenda cheia, muitas vezes com coisas que não gostaríamos de fazer e pessoas que gostaríamos de não encontrar, ainda assim, esse simples colorir amarelo alaranjado do céu nos promete tanto e coloca em nossas mãos a sagrada chance de recomeçar.
Nada é garantido. Nunca sabemos se teremos a nova oportunidade de presenciar esse renascimento. Então, por esse breve instante, ao olhar para as ruas vazias, o céu desbotado e sentir a brisa fresca do raiar do dia, somente por esse momento, serei feliz.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – Cabo Frio/RJ

Casa vazia

Olha essa casa assim vazia…
O corredor não leva pra nenhum lugar.
São paredes, portas e janelas.
É um abrigo que ainda não é lar.

Quando a noite cai ou chega o amanhecer,
a madrugada e a manhã vem num silêncio assustador.
E o vazio que preenche cada canto
me abraça calmamente com amor.

Se há risada, companhia, há alegria.
por alguns instantes cada canto é ocupado.
O relógio badala e grita que a hora passa.
É o brulho da felicidade é silenciado.

Em tanto espaço vivo num amontoado
e esse pouco é o que eu preciso e sempre quis.
Mas entra dia, vira noite e passa o tempo…
mais distante me parece o tal final feliz.

E nesse abrigo que ainda não é lar,
que é parede, porta e janela,
com corredor que não leva a nenhum lugar,
eu me convenço que a ausência do sorriso também pode ser bela.

Mas, olha essa casa assim vazia…

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Raquel Núbia