“Ponto&Vírgula” – Post 08

Sobre a ausência da escrita e as certezas da vida

Domingo a noite e começou a cair uma chuvinha cheirosa por aqui.
Dias e dias que eu entro no Verba Volant, olho, respondo aos comentários e saio sem atualizar ou compartilhar nada. Houve um tempo em que eu me sentia culpada por deixar o blog às moscas e isso era baseado na expectativa do que os outros diriam sobre essa ausência.
Será que pensariam que não sei mais escrever? Que não tenho mais propósito ou inspiração?
Essa expectativa vinha muito forte devido ao senso de concorrência que eu tinha com algumas pessoas. Um grande despropósito, considerando que desde o início meu intuito sempre foi apenas compartilhar o que escrevo. Anteriormente nem sabia como interagir com outros bloggers, como escolher tags ou atrair novos seguidores… Aliás, só descobri os seguidores depois que algumas pessoas começaram a seguir o Verba Volant de forma espontânea.
Saber que existem pessoas por todos os lados que tem acesso ao que escrevo me traz uma sensação muito boa, um sentimento de reconhecimento que nem sempre tenho no meu trabalho ou em outras áreas da minha vida. É reconfortante saber que somos apreciados e que alguém é tocado de forma positiva pelo que fazemos.
Quem me acompanha aqui há tempo, sabe que em 2016 eu divulguei aqui o projeto de lançar um livro. Hoje esse livro está pronto, com as poesias escolhidas, diagramado, salvo no meu notebook e no meu e-mail, o registro na biblioteca nacional já foi feito… Para ser sincera, falta a produção da capa.
Esse assunto é algo que vive voltando à minha cabeça: “O que as pessoas que leram essa divulgação estão pensando? Que desisti?”
Não. Eu não desisti. Eu apenas repensei.
Quem escreve sabe que o investimento no lançamento de um livro de forma independente não é baixo e as propostas que eu tive de editoras excluíam quase toda minha participação no que o livro produzisse.
Fora isso, todo o engajamento emocional e planejamento.
Quando me peguei em meio a tantas decisões a tomar, percebi que minha motivação não estava correta. A materialização de algo tão importante pra mim estava escondida por traz do sentimento errado. Eu iniciei todo o projeto apenas baseada no desejo de cumprir essa meta antes que outra pessoa cumprisse… (para entender melhor, basta ir até o post “Calmaria” publicado em Setembro de 2016 e ler os comentários).
Quão mesquinho isso poderia ser?
Jogar algo desejado e esperado para o mundo apenas para tirar o prazer de que outra pessoa possa chegar a linha final antes de você?
Certamente se meus desejos estivessem cobertos pelos sentimentos do meu coração, meu livro já estaria impresso e distribuído. Mas sabe, os meus desejos estavam sim cobertos pelos sentimentos do meu coração, mas os sentimentos errados, pela raiva, pelo ódio, pelo sentimento de injustiça…
Pouco tempo atrás publiquei aqui sobre a leveza de conseguir falar das experiências passadas sem sentirmos as mesmas coisas ruins e isso culminou na minha vinda aqui essa noite para contar tudo isso que estou contando.
Curioso que o propósito dessa texto não era esse, não foi pensado.
Era para ser somente um “olá” de uma escritora cansada, consumida pelos afazeres de uma vida real que tem exigido bastante e tirado um pouco a energia para a vida virtual, incluindo a escrita.
E tudo bem.
Porque nem todas as tarefas cansativas são ruins, algumas delas exigem esforço justamente para que possam dar certo. Ser feliz dá trabalho e eu espero que, em breve eu possa vir aqui, novamente para contar o resultado desse esforço atual. Esforço mental e sentimental.
Alguns curativos foram removidos recentemente e olhar algumas cicatrizes foi doloroso, mas serviu como impulso para que eu pudesse ver que elas estão fechadas e que não vão doer novamente.
Se ainda pretendo lançar meu livro?
De verdade, não sei.
À você que tanto usou isso como forma de ameça, boa sorte.
Espero mesmo que você cumpra suas metas e objetivos e que seja feliz e realizada como sempre me disse que seria e é com o coração limpo que desejo isso. Levou um certo tempo, mas eu desaprendi a odiar. Eu fico aliviada por sentir e saber que se um dia eu quiser retomar tudo isso, será por mim e não por ninguém mais. 
Independente de colocar minhas produções no papel, eu afirmo que grandes coisas estão por vir. Coisas maiores do que qualquer disputa, qualquer concorrência, qualquer mágoa.

A árvore eu já plantei, o livro já está escrito…

Com a graça de Deus, em breve estarei comemorando essa chegada!

Raquel NúbiaImagem8

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Livro Verba Volant: Update

Correspondência recebida da Biblioteca Nacional: Manual do editor. Agora sou uma escritora devidamente registrada nesta Instituição que é responsável por controlar e formalizar todos os lançamentos literários do país e o livro Verba Volant já nasceu para eles, pois também já recebeu seu número de registro.

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Foto: Raquel Núbia

Abraços,

Raquel Núbia

Nem tão fácil, nem tão difícil

Quando resolvi definitivamente que era chegada a hora de realizar o projeto do lançamento do meu livro, fiz diversas pesquisas para descobrir qual o método mais vantajoso e eficaz para se publicar e, depois de muita leitura e muito bechmarking decido que a publicação independente seria a melhor alternativa.
Não sei se vocês sabem, mas a quantidade de vantagem que uma editora recebe em cima de novo autor é assustadora. De uma das editoras que se interessaram em me publicar recebi como resposta à minha pergunta sobre a minha participação no lucros que isso dependeria do andamento da vendagem e que não poderia ser acertado em contrato imediato. Pode isso?
Foi em setembro que comecei a realizar essa pesquisas mas confesso que no fim do ano, entre novembro e janeiro, dei uma pausa no projeto porque, infelizmente por mais que seja meu desejo, não posso me dedicar inteiramente a esta área e em Janeiro também estava de férias e passei três semanas viajando.
Mas retomando tudo, agora consigo vislumbrar uma reta final:
– O contrato de impressão está fechado;
– A capa está em processo de design;
– A diagramação está quase no fim;

Esta semana pude fazer a primeira prova e a primeira aprovação do material – a folha de rosto.
E não, isso não é pouco, pois para realizar o registro do livro na Biblioteca Nacional, este é o documento necessário. Ou seja, em poucos dias o livro terá uma registro formal e eu faço um brinde a isso!

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Imagem ILUSTRATIVA da folha de rosto

Abraço,

Raquel Núbia

Imprensa

Aí você está olhando as notícias sobre seu blog nos jornais da sua cidade e descobre uma matéria de meses atrás que ainda não tinha visto… No post original, que você pode ler aqui, conto sobre a minha participação em um evento realizado no final do ano passado dedicado ao desenvolvimento literário e cultural nas escolas públicas da cidade. Se você ainda não viu, basta clicar para ver fotos do evento e o vídeo da minha participação, onde recitei uma das minhas poesias.

E a matéria que encontrei você pode ler aqui.

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Foto: Leandro Oliveira

Abraços,

Raquel Núbia

Evento Literatura Avançada

Conforme havia postado aqui no Verba Volant anteriormente, neste sábado participei do I Concurso de Poemas realizado pela ONG Identidade das Ruas. Participaram alunos de várias escolas públicas da cidade de Muriaé-MG, sendo os três primeiros colocados premiados. Todos os poemas serão publicados em um livro, incluindo o poema do Blog que eu escolhi recitar “Reflexões de Domingo”.

Segue abaixo fotos e o vídeo da minha participação – aproveita para entrar no meu canal no Youtube e se inscrever 😉

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Abraços,

Raquel Núbia

Falando sobre “medo”

Estava eu me preparando para escrever um texto/poesia/qualquer coisa falando sobre os medos que temos quando, sem querer, me lembrei de um livro que li quando ainda era criança e que falava desse tema.
Pesquisando, encontrei o texto e até a imagem da capa do livro, que hoje já mudou e está mais elaborado (pausa para nostalgia).

Então, dando devidamente os créditos à autora e reforçando que o conteúdo abaixo NÃO É de minha autoria compartilho:

“Tantos Medos e Outras Coragens
(Autora: Roseana Murray)

Muitos medos a gente tem e outros a gente não tem. Os medos são como olhos de gato brilhando no escuro.

Há por exemplo, o medo de escuro e tudo o que o escuro tem: lobo mau, floresta virgem, alma do outro mundo, portas fechadas, cavernas, porões, ai que pavor!
O escuro tem mãos de veludo que fazem o coração rolar pela escada, pela rua, pela noite afora como um cavalo sem freio.

Só que tem gente que não tem medo de escuro, tem gente que gosta de andar sentindo o vento da noite, o silêncio grosso da noite.

E tem o medo de bicho, rato, cobra, barata, morcego, aranha e lagartixa. Tem gente que nem liga, pega o chinelo e vai esmigalhando, ou simplesmente de um jeito mui digno, passa por cima.

E tem medo de conhecer outras pessoas, medo de ir a festa, medo de dançar errado, o medo terrível de qualquer primeiro dia.

E tem medo de mudar de casa, de mudar de rua, de cidade, de país. Mas tem gente que adora ir e dançar e conhecer amigo novo. Tem gente que adora se mudar, que adora primeiro dia de aula.

E o medo de roupa nova tão sem cara da gente. Medo de comprar sapato, medo de falar no telefone com quem nunca se falou. Mas tem quem escolhe fácil, entra na loja e já vai sabendo o que é bonito sem nem duvidar.

E o medo daqueles lugares imensos que vão se entupindo de gente e a gente vai diminuindo, quase que vira formiga. Tem gente que adora quanto mais cheio melhor.
E o medo de que não gostem mais da gente, depois de tanto tempo sem se ver, ou que tenham esquecido o nosso nome. Tem gente que nem pensa nisso. Acha que é inesquecível e gostável sempre.

E o medo de não conseguir não importa o que: fazer um desenho bonito, tirar nota boa, aprender violão. Tem gente, mesmo sem saber, já sai tocando a bola pra frente.
E o medo de não achar um amor na vida, de ficar só no mundo a vida inteira. Tem gente que nunca pensou nesse assunto, acha que tem um amor sempre esperando na próxima esquina.

Os medos são como flores secretas, cores secretas, invisíveis vaga-lumes marcando o caminho. Isso a gente faz, isso a gente não faz. Como um relógio oculto. Isso a gente não faz. Que a vida é um jogo assim, de tantos medos e outras coragens.

(MURRAY, Rosena. Tantos Medos e outras Coragens.São Paulo: FTD, 1994)”

ROSEANA

Raquel Núbia