Retrato

Um dia fui um retrato na estante,
E quem me olhava se alegrava ao me ver.
E com carinho e ternura acariciava,
Enquanto sorria quase sem querer.

Um dia fui um retrato na estante,
Que de repente se tornou uma dor maior.
E com tristeza e saudade eu fui olhada,
Enquanto alguém ali chorava ao estar só.

Um dia fui um retrato na estante,
Mas no outro dia, fui lembrança pra esquecer.
E com rancor e mágoa fui guardada,
Num canto escuro pra ninguém nunca mais ver.

Um dia fui um retrato na estante,
De quem hoje faz questão de não se lembrar.
Hoje nem rastro nem memória eu sou mais,
Daquele que um dia disse me amar.

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Foto: Raquel Núbia – Ouro Preto/MG

Raquel Núbia

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Reminiscência

Então,
acho que a vida é mesmo assim.
Numa hora você sorri,
e na outra é tristeza sem fim.

Talvez,
seja disso que a vida se trata.
Se esquecer o que virou passado,
pra lembrar bem na hora errada.

Pois é,
a memória é mesmo danada.
Brinca de polícia-ladrão,
quando mostra lembrança guardada.

Assim,
o que resta é deixar esquecer.
Esperar que o que foi lembrado,
volte a desaparecer.

Então,
acho que a vida é mesmo assim.
Numa hora você fica triste
e na outra: alegria sem fim.

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Foto: Raquel Núbia – Alto Caparaó/MG

Raquel Núbia