Da janela

Tenho visto a vida
Passar pela janela.
Tenho visto a manhã clarear
E tudo o que vem com ela.

Da janela eu vejo gente,
Vejo carros e vida a passar.
Cada um com seu destino,
Na pressa de seu caminhar.

Minhas horas, que hoje eu conto,
Passam de forma diferente.
É da janela que os ponteiros somam,
Ao passar de tanta gente.

Da janela eu vejo a tarde,
Que vira noite, impiedosa.
E depois são madrugadas
Que são sempre melindrosas.

Da janela eu observo,
Pois o que me cabe é solidão.
De acompanhada estar só
E ver bater fora de mim, meu coração.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia
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Passarinho

Na minha janela
Canta um passarinho
que insiste em não se calar
Mesmo quando barulho do vento
se sobrepõe ao seu cantarolar.

E sua melodia,
Se estende pela rua
Sem nenhum minuto interromper.
Mesmo quando ninguém o escuta
Ele continua sem se perder.

Eu ouço,
e percebo seu canto.
Acredito ser a única a escutar.
Esse maroto bichinho cantante
Abandona o silêncio ao cantar.

Da minha janela,
De longe me perco
nos acordes desse passarinho,
que não se importa se há plateia,
pois aprendeu a cantar sozinho.

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Foto: Raquel Núbia – Petrópolis/RJ

Raquel Núbia