Sobre os dias que vivemos

Antes eu reclamava dos dias de chuva,
Pois eles não me permitiam sair.
A chuva que molhava a rua
Me tornava prisioneira quando insistia em cair.

Ainda assim eu via beleza nos dias cinzas e chuvosos que eu vivia,
Pois a nostalgia que me abrigava trazia inspiração na melancolia.

Inesperadamente a chuva resolveu aparecer e deixar seu cheiro.
Um mundo de gotas inundou o chão e o caminho inteiro.

Curiosamente não houve prisão.
Somente uma liberdade controlada.
Que me permite a vida lá fora, mas com hora marcada.

Ainda que houvesse céu azul e uma manhã ensolarada,
Ou mesmo que permaneçam as águas com o perfume de terra molhada.

A cor dos dias já não é capaz de pintar meu sentimento.
Pois o esforço é manter a força e energia a cada momento.

A chuva chora tantas vidas num sentimento absoluto.
Se fosse céu de brigadeiro ainda assim haveria luto.

Nem sol, nem chuva por si serão suficientes,
Pra curar um mundo, que muito além de um vírus, está doente.

Raquel Núbia

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Foto: @raque__nubia – Muriaé/MG

Relembrando: Razão

Razão
Imagem da internet

Quando de manhã o seu despertador sinaliza que é chegada a hora de colocar os pés no chão e encarar mais uma vez o dia recém-nascido, o que te faz seguir em frente? A razão que te move é a mesma razão que move os sonhos que você guarda?
A vida que você leva na prática é a vida que você leva na teoria?
Pode ser muito atrevimento essa onda de perguntas porque provavelmente as minhas respostas também não são compatíveis…
E qual a razão para que não sejam?
O que nos impede de viver de acordo com o que pensamos para nós?
Eu pergunto, porque me pergunto e, no tumulto, as respostas ficam camufladas. No tumulto às vezes não dá nem pra pensar…
Mas qual a razão de viver uma vida onde não se consegue nem pensar sobre os motivos que nos fazer seguir?
Se seguimos sem motivos, seguimos sem razão… E se nos negamos a razão, por que seguir?

Raquel Núbia

DIA #24 – 30 DAY CELEBRATION

24

Águas que levam as dores e trazem lembranças.
Lavam o cansaço, mostra esperança.
Cheiro de brisa que invade a alma,
sons naturais que devolvem a calma.
Nas sensações do corpo na água pura
onde somente o sal guarda amargura,
sente a leveza de estar entregue,
e deixa que a água do mar te carregue.
No ceú azul, poucas nuvens se atrevem,
Mas não apagam o sol, não conseguem.
Sempre o lugar que me acolhe a esperar,
que não encontro em nenhum outro lugar:
ah… mar…

Raquel Núbia

Editada no Lumia Selfie
Foto: Raquel Núbia – Rio das Ostras/RJ

 

DIA #02 – 30 DAY CELEBRATION

2

Em algumas ocasiões falei brevemente sobre a criação do Verba Volant, mas nunca de forma muito detalhada.
Em 2012 fiz minha conta aqui no WordPress e iniciei postagens em um blog chamado Abreação. O conteúdo era bem parecido com o VV, ainda que o layout não fosse tão maduro e meus acesso não fossem tão constantes, era apenas um lugar para “arquivar” o que eu escrevia depois de ouvir das pessoas que tinham acesso às minhas produções que eu deveria torná-las públicas de alguma maneira.
Entretanto, pouco mais de um ano depois, resolvi excluir o Abreação com tudo o que havia nele. Aquele conteúdo não em representava, o layout infantil não dizia mais nada de mim e então não fazia mais sentido mantê-lo, até porque a motivação para atualizá-lo era praticamente inexistente.
Costumo dizer que escrever é uma forma de me manter sã, sempre foi. E a necessidade da sanidade gritou mais alto em 2014, quando eu enfrentava há pouco mais de um ano um momento complicado de saúde, em que já esgotava minhas forças e tentativas de buscar ajuda sem propriamente pedir socorro e fazer com que alguém percebesse que o que estava acontecendo não era apenas o resultado de um “temperamento difícil” e sim de algo mais sério que dia a dia me roubava um pouco da vontade de seguir.
Nesse momento, um projeto pessoal onde eu poderia expor o que quisesse me pareceu uma saída para manter minha cabeça funcionando e extrair da minha mente e coração o que me sufocava. Os leitores podem observar que, logo após a criação do Blog, as postagens não eram tão frequentes e que se estabilizaram mesmo no decorrer de 2015 e principalmente de 2016. Isso se deve ao fato de que logo após iniciar o blog minha saúde piorou e me levou a um lugar em que eu simplesmente era incapaz de produzir o que quer que fosse.
Meu caminho de piora-tratamento-melhora está definitivamente refletido no Verba Volant e ainda hoje quando leio os posts mais antigos, consigo me lembrar quase exatamente do momento em que ele foi postado.
Resumidamente foi assim que se deu a criação do Verba Volant e ainda hoje ele é o meu reflexo, mesmo que nem sempre o conteúdo das produções sejam baseadas na minha vida totalmente, tudo o que há aqui nesse espaço é parte de mim.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Alto Caparaó/MG

 

Inspiração

O vento soprando.
Uma folha no chão.
Uma voz falando.
O coração.

Música tocando.
Lembrança esquecida.
Alguém passando.
A vida.

O amor sentido.
A raiva guardada.
O momento vivido.
A chance passada.

A alegria no peito.
A lamúria da alma.
O poema perfeito,
Vindo da calma.

Letras combinadas.
Mensagens escondidas.
Frases embaralhadas.
Pessoas queridas.

Tudo ao redor.
Tudo o que o olho vê.
Necessidade maior.
Prazer.

A escrita do dia.
Constante pulsação.
Real ou fantasia.
Inspiração.

Sem fim.

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Foto: Raquel Núbia – Alto Caparaó/MG

Raquel Núbia

Adverso

Eu não sou uma princesa de contos de fada.
Nem sou a destemida heroína que salva a todos no final.
Eu não sou a inspiração das rimas dos poetas,
Nem guardo um talento, um dom especial.
Não forço a entrada da minha presença pra’s pessoas.
Me dou a oportunidade de, quando quero, dizer não.
Eu tento não impor meus dogmas e verdades,
Tento seguir discreta, mesmo que na contramão.
Eu não sou a delicadeza que se espera das pessoas.
Nem a fortaleza imponente na estrada.
O que constroem a meu respeito, surge do olhar de fora,
E dessa imagem torpe, muitas vezes não tenho nada.
Eu não sou em totalidade a correspondência perfeita,
Das expectativas e projeções dos que julgam sem saída.
Eu sou a imperfeição em forma de gente,
Nesse vai e vem de ondas que chamamos de vida.

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Foto: Raquel  Núbia – Praia Azeda, Búzios/RJ

Raquel Núbia