Sobre ser forte e se sentir sozinho

Quando a gente cuida de todo mundo, quem é que cuida da gente?
Quando é a nós que as pessoas recorrem e de nós que se espera que a solução apareça, quem soluciona as nossas questões e a quem podemos recorrer?
Quando nosso trabalho é ser a referência e nortear as pessoas nos momentos em que elas estão perdidas, quem é a referência que nos mostra o caminho e nos ajuda a nos reencontrarmos?
Tem hora que as pessoas ao redor parecem se esquecer de que, assim como elas precisam de alguém, nós também precisamos. Às vezes com menos frequência, menos urgência, mas com igual importância. A falta de suporte, de reconhecimento, esgota e pode exaustiva e nem mesmo o mais motivado dos sujeitos consegue suportar a solidão das lutas diárias.
Em alguns momentos parece que nos tornamos invisíveis enquanto pessoas e o que é visto são somente nossos resultados sem conhecimento de todo o resto. O que é visto é somente a persona e não interesse na pessoa em si.
Espera-se que sejamos, que façamos, que superemos, que consigamos dar conta de tudo, mas não vem ao caso o que sentimos, o que pensamos e como reagimos, aos olhos dos demais isso não é interessante. Freud nunca esteve tão certo… “somos de carne, mas temos que viver como se fôssemos de ferro”.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG
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Relembrando: Sobre o que deixamos de falar

Veja a publicação original clicando aqui.

Sobre o que deixamos de falar
Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

São muitas as frases atribuídas à Freud (médico neurologista, criador da Psicanálise), mas de todas elas, verdadeiras ou não, existe uma que ao meu ver é imbatível e inegável: “Cala-se a boca, falam as pontas dos dedos”.
Podemos sim fechar nossa boca, calar tudo o que sentimos, não responder a provocações, não revidar agressões… Podemos não responder a sentimentos, não corresponder à investidas alheias, tudo isso podemos.
Mas quando a demanda é grande, quando as coisas transbordam dentro de nós, de uma forma ou de outra, nos manifestamos. E nesse momento não são somente os dedos que falam… Falam também as unhas roídas, a mordida no canto da boca, a insônia, a falta de apetite, a dificuldade de concentração, a falta de vontade e o excesso de pensamentos. Tudo isso fala.
Quando se cala com o coração em paz, tudo se acalma.
Mas quando o silêncio vem da impossibilidade de ação, a calma é capa para páginas rabiscadas…
Observe.
Observe quem se cala a sua volta, mas observe acima de tudo você.
Saiba ler além das palavras.
Não se negue a oportunidade de ouvir o que seus dedos lhe dizem.

Raquel Núbia

Recalque

ATENÇÃO: esse texto não é meu. Os créditos estão no final da postagem. Ache o conteúdo muito interessante e resolvi compartilhar:

Recalque. Eis uma palavra que tem sido muito usada nos dias de hoje, porém, acredito que pouca gente saiba da abrangência do seu significado. Dentro da psicanálise, recalque é sinônimo de repressão e é um dos conceitos fundamentais desenvolvidos por Sigmund Freud em sua obra. Significa rejeitar uma ideia, pensamento, desejo ou mesmo lembrança. Atualmente, as pessoas têm se referido ao recalque como um manifesto de pessoas invejosas. O indivíduo em questão, ao sentir inveja, seria então um recalcado, assim o recalque viria do impulso agressivo que toda inveja esconde.

Vocês também já devem ter visto aos montes, assim como eu, as manifestações nas redes sociais, nas quais as pessoas confessam ser alvo de invejosos e recalcados. O que eu nunca descobri de fato é quem são esses indivíduos, visto que nós todos somos sempre as vítimas. Nunca vi um invejoso ou recalcado confesso, mas se vocês ainda não sabem todos nós carregamos repressões, recalques e talvez alguma inveja. São impulsos que fazem parte da estrutura da nossa mente e que precisam vir à consciência para serem trabalhados e superados.

Se você se preocupa muito com a inveja e o recalque alheio e acredita que ele seja sempre canalizado para você, é preciso criar um pouco mais de consciência da sua insignificância. Nenhum de nós é o centro do universo. Será que você é tão invejado assim? Será que alguém vai de fato lhe fazer tanto mal? Talvez um pouco de humildade possa acalmar seus ânimos.

Um segundo ponto- e este é muito importante – é: pessoas muito preocupadas com a inveja são pessoas invejosas. Tudo que lhe preocupa no outro faz parte de você. Se você tem muito medo da inveja e acha que todas as pessoas são recalcadas e que você as incomoda, é porque o seu foco é esse, ou seja, você se defende de um impulso que sabe que existe – exatamente porque o tem.

O terceiro ponto é uma pergunta que quero fazer: Será que você não age de modo a provocar a inveja e o recalque? Será que os olhares invejosos não estão lhe dando algum tipo de prazer? As redes sociais têm promovido possibilidades de exibirmos principalmente o que temos e que os outros não podem ter. Seja o corpo, o local, ou até mesmo a comida; pessoas fazem questão de mostrarem-se. Será que o que queremos de fato não é chamar a atenção? Será que no fundo, mas bem lá no fundo a nossa mente não grite assim: “Morram de inveja, seus recalcados!”

Somos feitos de dois impulsos: o amor e a agressividade. Amamos o que temos e, muitas vezes, agredimos o que não podemos ter. Desejar o que é do outro é o manifesto da insatisfação consigo mesmo – e cá entre nós – como é difícil contentar-se com o que se tem em um mundo que se tornou uma vitrine de fotos fabricadas e de gente idealizada. Eu, particularmente não acredito que a inveja tenha esse poder avassalador de destruir que muitos acham que tem. Penso que ela faz mal sim, mas somente para quem a sente – o invejoso é um infeliz. Invejar é querer ter o que não se tem, é querer ser o que não se é. Invejar é acreditar que o que está fora é melhor, é se negar a olhar para dentro, a se relacionar consigo mesmo. O recalque, a repressão são impulsos que adoecem.

Não existem vítimas nem vilões, somos apenas seres da mesma espécie, caminhando em busca do conhecer-se – ou seja, deixe a inveja e o recalque – digo – os seus e o dos outros para lá.

Viviane Battistela _ Psicóloga

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obvious: http://obviousmag.org/vida_manual_do_usuario/2015/recalque.html#ixzz4hpVKJ8X

Sobre o que deixamos de falar

São muitas as frases atribuídas à Freud (médico neurologista, criador da Psicanálise), mas de todas elas, verdadeiras ou não, existe uma que ao meu ver é imbatível e inegável: “Cala-se a boca, falam as pontas dos dedos”.
Podemos sim fechar nossa boca, calar tudo o que sentimos, não responder a provocações, não revidar agressões… Podemos não responder a sentimentos, não corresponder à investidas alheias, tudo isso podemos.
Mas quando a demanda é grande, quando as coisas transbordam dentro de nós, de uma forma ou de outra, nos manifestamos. E nesse momento não são somente os dedos que falam… Falam também as unhas roídas, a mordida no canto da boca, a insônia, a falta de apetite, a dificuldade de concentração, a falta de vontade e o excesso de pensamentos. Tudo isso fala.
Quando se cala com o coração em paz, tudo se acalma.
Mas quando o silêncio vem da impossibilidade de ação, a calma é capa para páginas rabiscadas…
Observe.
Observe quem se cala a sua volta, mas observe acima de tudo você.
Saiba ler além das palavras.
Não se negue a oportunidade de ouvir o que seus dedos lhe dizem.

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Raquel Núbia