Suspiro

Para ler ouvindo a música “Holding back the fire – Bittencourt Project” – video no final do post

Tem coisas que marcam a gente de um jeito que impressiona…
ÀS vezes é um cheiro, uma cor, uma música, um dia frio ou nublado… Pode ser tudo e nada, qualquer coisa.
Algumas coisas funcionam como um portal na vida da gente e assim que chegamos perto deles, entramos num caminho que nos leva direto pra muito longe ou até mesmo pra perto, não importa. O que importa é que esse portal nos transporta pra onde mora uma lembrança.
Uma lembrança viva ou guardada mas que se recupera assim que temos contato com esse estímulo.
Vez ou outra eu me pego vagando fora de mim quando me deparo com essas saudades que a gente desconhece. Em alguns momentos, nem mesmo se pode nomear como saudade, pois existem sentimentos e sensações que a gente não sabe definir.
Repentinamente a gente se preenche de um vazio, uma falta sem identificação, advinda de uma necessidade sem justificativa, sem necessariamente ser uma queixa do presente ou uma insatisfação sentida plenamente.
Se angústia é aquele sentimento que não pode ser nomeado, talvez então seja isso.
Apenas a percepção da sensação de estarmos perdidos dentro da própria vida, num mundo tão grande e num tempo tão extenso em que não conseguimos enxergar a finitude do que já vivemos e, ao mesmo tempo, sentimos latente a certeza de que sermos findos é a única e total certeza.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Muriaé/MG
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DIA #30 – 30 DAY CELEBRATION

30

Ao fim de mais um desafio, fico contente que tenha conseguido cumprir as portagens todos os dias, abordando temas diferentes do que os que costumo trazer aqui para o Blog. Confesse que dessa vez achei mais difícil do que o primeiro 30 Day Challenge que fiz no mês de maio (e que vale a pena conferir). Talvez porque os temas diários foram mais pessoais, não sei.
Espero que todos tenham gostado. Acredito que foi uma boa maneira de celebrar o mês comemorativo de Setembro, tanto para o Verba Volant, quanto para mim.
Para os próximos 30 dias o que desejo é que os planos traçados se concretizem, que seja o primeiro mês dos meus 30 anos com muito trabalho, amor, música e poesia!
Esse ano está passando feito um trem bala e todo final de ano traz uma melancolia (pelo menos pra mim) que geralmente é custosa, então desejo também que o tempo seja gentil com todos nós…
Muito obrigada a todos os leitores que me acompanharam nessa empreitada, que curtiram e deixaram seus comentários.
Se tiverem mais alguma sugestão podem me enviar!

Abraços,
Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Tiradentes/MG

 

Findo

Eu sei que o caminho é certo,
E não guarda passos no escuro.
Confio que a vida me trará,
O que há tanto tempo procuro.

Eu firmo um compromisso,
Um acordo com a felicidade.
Eu prometo cuidar dela,
Pra que ela não me maltrate.

Eu dou a minha palavra
E eu tenho o que a vida me diz.
Eu dou tudo o que tenho,
Em busca de ser feliz.

Hoje encontro com meu futuro
Deixo o passado em seu lugar.
Abro as portas pro que é novo,
E espero novo dia chegar.

Não há nada do que eu duvide,
Não há motivo pra me arrepender.
Não há dúvidas no caminho,
Há um caminho pra conhecer.

Mas por favor compreenda
Se eu parar um momento e chorar.
Quem confia que será pra sempre,
Nunca espera o fim chegar.
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Raquel Núbia

Filofobia

“Não sei exatamente por onde começar porque não sei definitivamente onde foi que começou. Aliás, ultimamente eu não tenho conseguido saber nem onde eu começo, nem onde você termina.
O que sei é que começa sempre com esse pensamento de querer o que você quer, estar onde você está, fazer o que você faz e estar o mais próximo possível de quem você é.
Será que existe um jeito de parar o resto do mundo pra multiplicar esse tempo tão pouco que temos pra nós? E será que existe uma forma de acalmar meus pensamentos, calar todas essas vozes que gritam no silêncio da minha cabeça?
Assim eu começaria de forma mais leve, a aproveitar tudo isso que a vida me deu. Essa felicidade, calmaria e tempestade, segurança e conforto, coração quente e acalentado, tudo isso em forma de uma só pessoa…
Quanto sentimento adormecido, esquecido nos medos de criança que agora voltam com toda força pra mostrar tanta fragilidade escondida sob uma capa de aço. E esse sorriso, assim meio sem graça, tentando ser contido quando sabe que a qualquer momento essa velha criança pode aparecer.
E então, o que começa é uma briga interna entre o que quero, o que posso, o que devo e o que consigo. E isso sim eu já sei como termina.
Por que não dá simplesmente pra seguir os dias com os sentimentos em equilíbrio sem nenhuma ebulição ou congelamento? Porque começo a achar que nunca serei capaz de encontrar a paz em forma líquida… Me parece sempre um extremo. E de extremos eu entendo muito mais do que gostaria de entender.
Porque, pra mim, não existe um meio termo, um meio caminho, um meio sentimento, um meio amigo, e quando as coisas começam a ficar pelo meio, eu é que vou ficando pela metade.”
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Raquel Núbia

Conto

“Não sei há quanto tempo estou correndo quando paro e olho para trás. A adrenalina corre imponente pelo meu corpo e eu descanso as mãos nos joelhos tentando recuperar o fôlego e controlar minha respiração. Sinto cada parte do meu corpo formigando, exclamando por mais oxigênio para que possa recuperar o domínio sob suas funções.
Continuo o caminho, desta vez com passos mais calmos e lentos afinal, já não faz sentido correr tanto, pois quero acreditar que estou segura, mas como posso estar segura se não há ninguém por perto?
Desvio meu pensamento e tento me convencer de que corri o mais rápido e para o mais distante possível e que nada poderia me alcançar ali senão eu mesmo. Subitamente percebo que a única coisa que tenho feito nos últimos tempos é correr…
Correr dos planos traçados, das pessoas, das oportunidades, de mim, da verdade.
Como não percebi isso antes?
Fecho os olhos e tento imaginar um lugar bonito e calmo, com águas claras e o silêncio de que preciso para escutar minha própria voz, de repente minha música favorita me vem à cabeça e cantando mentalmente percebo como cada verso me dá um tapa na cara me lembrando das verdades em que eu acreditei e hoje finjo acreditar.
Me sinto como se estivesse completamente nua e o fôlego me falta novamente, dessa vez não por causa de um corrida intensa, mas devido a velocidade dos meus pensamentos que agora me sufocam.
Novamente sinto a adrenalina realizando seu trabalho e não evito uma olhada por cima dos ombros, estou com medo. De que? De quem? Será que vão me alcançar?
Me dou conta de que preciso continuar correndo, talvez encontrar alguém, mas quem?
Me questiono quase sem querer se vale a pena tanto esforço quando seria tão mais fácil apenas continuar caminhando já que sempre sou encontrada, até quando não quero. Quem sabe o melhor não seria mesmo continuar com meus passos calmos fingindo que não sei o perigo que corro até que sinta aquele velho toque batendo no meu ombro, me pegando pela mão e me guiando de volta pelos velhos caminhos que eu nunca quis conhecer…
Estou parada sem conseguir chegar a lugar algum.”
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Raquel Núbia